30 Outubro, 2007

||| Escutas.
Afinal, segundo o Procurador-Geral da República, todos estamos sob escuta. Todos podemos ser alvo dos «aparelhos para escutas ilegais à venda no mercado»; não nos bastavam os aparelhos legais para escutas aparentemente legais ou ligeiramente abusivas, como ainda há aparelhos para escutas ilegais. Isso é uma grande novidade, sim senhor. O que as autoridades propõem, portanto, é que se impeça a venda dos «aparelhos para escutas ilegais» em Portugal; a partir daqui, os aparelhos ilegais passarão a vender-se apenas pela internet ou a quem vá a Espanha, ao Brasil ou aos EUA. Que coisa pechisbeque.

Já agora, para quem quiser, os aparelhos a que se referem as autoridades estão à venda por preços inferiores na ABC Electronica, na Digital Centre, nas lojas da Cnel. Toledo e do Hijazi Centre, em Ciudad del Este
, fronteira do Paraguai. Há uma pequena amostra da área no filme Miami Vice, mas quem está no Brasil pode dar um saltinho até lá; eles adaptam ao sistema europeu-português e tudo.
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||| O cantinho do hooligan. Mais uma promessa não cumprida.
Tenham calma. Ele volta.
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A famigerada página 161

Desafiou-me a Carla, e porque foi a Carla, bomba e inteligente, aqui estou eu a responder ao desafio: em pleno escritório e portanto, como é lógico, rodeado de livros. Pego à sorte n' O Caderno Dourado, da Doris Lessing, e a sorte está comigo. A quinta frase da página 161 é:
"A psiquiatria e os serviços sociais não passam de cataplasmas numa miséria desnecessária" (Edição do Círculo de Leitores, 1990, tradução de Manuel Cordeiro).

Passo a cadeia a quem? Ao Pedro Mexia, à Mónica, ao Manuel Jorge Marmelo, ao Pedro Cordeiro e à "Joana".

[MAV]

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||| Viajar.
Já vai longe o período em que viajar era um grande momento de felicidade.
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29 Outubro, 2007

||| Novela não é inocente.
Aguinaldo Silva, autor de novelas da Globo (como Duas Caras), mostra por que razão novela não é inocente. Siga o blog.
[Dificuldade de visualização em Mozilla; está optimizado para Explorer.]

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||| O educador popular.
O Público entrevista na edição de hoje o «educador popular» Oscar Jara que liderou a campanha pelo «não» no referendo sobre a adesão da Costa Rica ao Tratado do Livre Comércio. Para o jornalista, foi um absurdo que a Costa Rica tivesse dito «sim» em vez de «não». Depois dos bons selvagens, a boa consciência europeia quer bons revolucionários. O que sai da cartilha surpreende-os.
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||| O cantinho do hooligan.
Uma pessoa chega e, antes de ver a linha colorida do mar, a neblina da Gávea, pergunta-se: como está o jogo? É isto que nunca fará de mim um ser respeitável. Um amigo sportinguist telefona, com um nadinha de desilusão, reconforta-me e diz-me que houve Lisandro e Tarik.
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28 Outubro, 2007

||| Não esquecer. A estação das chuvas.
A pedido de amigos, e para não esquecermos, chamo de novo a atenção para estes extractos do livro Purga em Angola, de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus (edição Asa). Ver também artigo no JN desta segunda-feira.







«Por estranho que pareça, as atrocidades cometidas no Chile de Pinochet, se comparadas com o que se passou, de 1977 a 1979, no país de Agostinho de Neto, assumem modestas proporções. E o mais chocante é que, no caso de Angola, nem sequer atingiram inimigos, mas sim membros da própria família política.»

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||| Leitura obrigatória.
Dois textos imprescindíveis no Expresso/Actual deste fim-de-semana, e reproduzidos no Portugal dos Pequeninos: o de Joaquim Manuel Magalhães («A Derrocada»), e o de Nuno Crato («O Eduquês Envergonhado»).
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||| No Brasil, 2.












Nas livrarias do outro lado, finalmente (edição Língua Geral), junto com este.

[O título A Luz do Índico, é a versão para o Brasil de Lourenço Marques.]
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26 Outubro, 2007

||| Valter.
Esta manhã, no Hotel da Lapa, editores, jornalistas, alguns autores, aguardavam o anúncio do Prémio José Saramago, que foi atribuído a Valter Hugo Mãe. Perdeu-se o hábito, entre nós, de os autores acompanharem «os seus pares». Pessoalmente, acho que é um bom hábito que não tem a ver com o sentido de corporação. As pessoas vivem no meio do pequeno ciúme, da rivalidade com ressentimento, do abismo que sacrifica relações pessoais. Claro: ou há, ou não vale a pena fingir; pessoas que se zangam são pessoas que se zangam, mas o que é irritante é o despeito. Mas foi bom ver o Gonçalo M. Tavares ou o Almeida Faria, por exemplo, ou até a Graça Morais, assistirem aos discursos, acompanharem o premiado. Não porque ele seja, vá lá, «um de nós», apenas nesse sentido. Mas porque a vida dos autores também é feita destas circunstâncias em que não é bom estar só nem é justo que seja abandonado. Como recebi um desses prémios, sei do que falo e não esquecerei os amigos que lá estiveram. Mas é pena, como reconheceu o Eduardo Pitta, que os autores sejam os primeiros a primar pela ausência. Esses não poderão, como Samuel Johnson, dizer «We, authors...»

[Manuel Jorge Marmelo retrata esta conspiração angolana; nem de propósito, o elogio do livro vencedor foi feito por Ana Paula Tavares, angolana.]
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||| BCP, BPI.
O assunto é financeiro, político e «estratégico», como ouço. Os analistas dividem-se, Jardim Gonçalves apoia, a imprensa online agita-se permanentemente. Siga o folhetim. Deste lado, porém, vejo ainda o que resta de uma tragédia que, a espaços, viveu como comédia. O «folhetim BCP» é outro dos casos em que, à vontade, podemos dizer «é bem feito». Rostos envelhecidos e derrotados, mas sobretudo envilecidos. É muito pior. Merecem.
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||| Quem é a mulher mais atraente da televisão portuguesa?
O Pedro Correia enfrenta a crueza de um dos inquéritos do Corta-Fitas. Neste caso, vale a pena conhecer os resultados.
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||| Na rádio.
Esta semana, no Escrita em Dia, Pedro Aires de Oliveira falou sobre Os Despojos da Aliança. A Grã-Bretanha e a Questão Colonial Portuguesa 1945-1975 (edição Tinta da China). Na próxima semana, quarta-feira (às 23h00), a convidada será Maria Filomena Mónica, a propósito da sua biografia de Cesário Verde (edição Alêtheia), que será apresentada segunda-feira.

Convidados recentes: João Paulo Martins com o seu guia de vinhos para 2008 e Fernando Pinto do Amaral, que publicou A Luz da Madrugada.
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||| Jardins.








Esta notícia do Público
parece-me relevante e tenho de pedir desculpa pelo meu optimismo. Trata-se do HiperNatura, uma parceria entre o hipermercado Continente, a Visão e a Quercus: em todo o país vão recuperar 20 jardins.
Sim, é marketing. Mas vão recuperar 20 jardins. O meu amigo João Ferrão fala de «responsabilidade social no dia-a-dia» e diz que se trata de um «novo modelo de governação urbana, sem desresponsabilizar a administração pública». Isso, eu não sei. Mas são raras as cidades que apreciam realmente os jardins. Apareçam mais «parcerias» para recuperar mais vinte e outros vinte. Dava-nos jeito.
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25 Outubro, 2007

||| Publicidade.












Outdooors
de qualidade, no 3 de 30. Marketing holístico, diz ela.
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||| Armadilhas.
A minha filha de oito anos perguntou-me se eu sabia o que era o pavo cristatus. Ela argumentou que o conhecimento não tinha lugar. Tive de lhe dizer, primeiro, que era latim; só depois fui investigar a existência do pavão branco «cuja cauda pode chegar a ter mais de 2 metros de comprimento». Ela já sabia, tinha chegado primeiro à Wikipedia.
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||| Informática geral. O que é uma pen drive?













O que estão eles a carregar no avião? Uma pen drive de outros tempos, ou seja o disco rígido do IBM 305 RAMAC, o primeiro computador com Hard Disk (HDD), que pesava quase uma tonelada e tinha 5Mb de capacidade.

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||| O cantinho do hooligan.
1. Não sei se o Benfica merece alguém que escreve tão bem sobre o assunto.
2. Não vi os jogos.
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24 Outubro, 2007

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Now playing: Daniel Lentz - Pulse - Pause - Repeat
via FoxyTunes ||| No Brasil.













Nas livrarias do outro lado, finalmente (edição Record)
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||| Referendo, qual referendo? Acordem.
De acordo com Pedro Sales: o povo pode não perceber o Tratado; até admito que se esteja nas tintas para o referendo; «mas percebe bem quando está a ser enganado».
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||| Filmes que nem de encomenda.
A senhora, alegadamente co-autora do livro, já viu o filme «e amou». Quanto ao meu amigo Nicolau Breyner, e cito do Diário de Notícias, «a indústria implica que haja filmes destes, os chamados filmes de encomenda»
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||| Revista da imprensa. Vida pública. Capítulo 1: os palitos la reine.






A revista Lux publica uma carta do líder parlamentar do PSD em que este desmente que, durante o espectáculo de Rod Stewart no Casino Estoril, tenha «trocado mensagens telefónicas e envios, pelo ar, de pedaços de palitos à la reine [sic] com Cinha Jardim». A «notícia é completamente falsa».
A revista, por seu lado, acha que a insinuação é «grave e descabida» (a directora da Lux, esclarece, esteve de facto nesse evento, «mas numa das primeiras cadeiras da referida mesa, ao passo que PSL estava quase ao fundo da sala») e, para o que nos interessa, «reafirma que voaram palitos la reine na referida mesa». Ficámos cientes. Voaram.
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||| Justiça.
«Devem os juízes ser eleitos?» É este o tema da conferência de Carlos Abreu Amorim, na Universidade Lusófona, na próxima sexta-feira, às 11h00.
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23 Outubro, 2007

||| Insultos nos blogs. Bloggers, comentadores e usurpadores.
Notícia no El Pais:

«Insultos, comentarios ofensivos o incluso publicidad engañosa. Mensajes que buscan intencionadamente provocar la reacción del autor del blog o de los otros comentaristas. Son los llamados troll, y buscan desde divertirse hasta molestar al blogger o desviar la discusión que se está manteniendo. El mundo blog, el universo que ha permitido a millones de personas compartir opiniones, aportar datos o explicar sus vivencias personales, empieza a mostrar su lado más vulnerable. Los casos de juicios por injurias, acoso, problemas empresariales aireados, empiezan a proliferar. Y la impunidad de la que se ha gozado hasta ahora empieza a resquebrajarse.»
A reportagem merece e deve ser lida. Os bloggers serão, a curto prazo, os responsáveis pelo teor dos comentários afixados. Por outro lado, o insulto passa a ter um preço.
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||| Urbanidade e sensibilidade, nada mais.
Não conheço os «contornos» de toda esta história. Mas, em vez de termos notícias, todos os dias, acerca das idas e vindas de uma professora vítima de cancro, o Ministério da Educação, mais o da Segurança Social ou o da Saúde, já podiam ter arranjado tempo para demonstrar um pouco de urbanidade e de sensibilidade. Há coisas que não deviam depender de regularidades processuais e de fichas mais preenchidas. Governar não é apenas administrar fichas e processos; é também tomar decisões, interessar-se e manifestar opinião. Ou há coisas mal contadas ou a história é imoral.
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||| O cantinho do hooligan. E nós que estávamos preocupados.
Agora sim, muita coisa se explica. Eu, que até estava preocupado e me preparava para apoiar a rapaziada no jogo contra o Celtic, volto atrás rapidamente. Adeus patriotismo. Eles estão ricos.
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||| Ilegalidade.
O que se passa com a Farmácia de Santa Catarina, no Porto? Uma história incomum.
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|||O Tratado é complicado de mais.
De novo, excelente crónica de Manuel António Pina no JN de hoje:

«Dir-me-ão que Sócrates, na campanha de 2005, nos garantiu que haveria, que repetiu o mesmo já este ano (como que por acaso no dia 25 de Abril), que CDS, PCP, BE e o presidente da República o disseram também, que o PSD ainda há um mês o dizia. Só que, depois destes anos todos, já sabemos quando os políticos mentem: é quando estão a mexer os lábios. Não gastaria, por isso, cera com tal defunto não fosse o argumento de Vital Moreira, porta-voz oficioso do Governo, contra o referendo: o Tratado é complicado de mais para a mente simples do "cidadão comum", se o "cidadão comum" tentar lê-lo não passa da segunda página. Acha Vital Moreira que os "cidadãos incomuns" que se sentam na AR lerão o Tratado de fio e pavio e só o votarão depois de o compreenderem. Ora só quem não conhece o espírito crítico e a independência e craveira intelectuais que vão pela AR é que não lhe dará razão.»

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||| Caros senhores do Jornal da Região.
Caros Senhores: por motivos que não vêm ao caso, interesso-me apenas moderadamente pelo que se passa no meu concelho. A minha freguesia tem limites muito flutuantes e não passa de um polígono cujos vértices são as escolas onde andam os meus filhos, a minha mercearia preferida, a tabacaria mesmo defronte de casa, a estação dos comboios e, com algum esforço, o paredão junto da praia que frequento quando me apetece. Reconheço que há mais coisas, como a Pastelaria Garrett, o Cruzeiro, a loja de flores, a livraria (que é mazinha) e o restaurante brasileiro do Sr. Toninho, que faz um mocotó supimpa. Compro a imprensa, regularmente, na tabacaria do Sr. Artur. Ora, de cada vez que abro a caixa do correio, vejo vários exemplares do vosso jornal com informações muito precisas e, provavelmente, correctas, sobre o que se passa no meu concelho. Acontece que eu não estou muito interessado no assunto. Devia, se quisesse ser bom cidadão, mas não estou. A caixa de correio, que é minha, serve-me para receber encomendas da Amazon, facturas da EDP, das Águas de Cascais, correspondência do banco e, eventualmente, cartas. Em tempos afixei lá um autocolante generosamente fornecido pelo meu amigo Rui, que pedia o favor de não meter lá publicidade indesejada. Uns dias depois, o autocolante tinha sido rasgado e havia três-exemplares-três do Jornal da Região. Ora, o Jornal da Região, sinceramente, não me interessa. Nada de pessoal; reconheço o vosso esforço jornalístico, prezo a vossa deontologia e o vosso sentido de oportunidade (esta semana tem uma peça sobre Nuno Eiró e Vanessa Oliveira e o anúncio de uma Marcha pela Saúde). Mas acontece que eu compro bastantes jornais e revistas para consumo próprio; é coisa que me basta. Lamento informar-vos, aliás, que os dois exemplares do vosso jornal, tão diligentemente colocados na caixa do correio, vão inevitavelmente parar ao lixo (sim, ok, para reciclar). Quando vou à mercearia ou ao talho há lá bastantes exemplares e calha de vez em quando ler isto ou aquilo; mas isso basta-me. Peço-lhes, portanto, o favor de não me entregarem mais exemplares do vosso jornal na caixa de correio de casa. Sou um mau munícipe. Sou um munícipe indelicado que não se interessa pela carreira do Carcavelos (que acaba de ganhar ao Talaíde) ou do voleibol do Nacional de Ginástica da Parede (quando muito, sigo o rugby do Cascais). Hoje tinha três exemplares do Jornal da Região, três cartas com facturas, um folheto de publicidade de um astrólogo ou argonauta ou marciano (confundo-os bastante), dois folhetos de ginásios, e outras coisas inconfessáveis. Mas três exemplares são demais. Um é demais. Agradeço a atenção, mas dispenso.
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||| Educação Artística.
Atenção ao Educação Artística Forum, animado pelo Carlos Araújo Alves. Objectivo: promover um debate público e aberto sobre os rumos da Educação Artística em Portugal. O link é este e para participar é necessária uma inscrição, coisa de meio minuto.
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22 Outubro, 2007

||| Então?
Se há coisa que acho desagradável é o silêncio do Tomás Vasques.
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||| Tratado Europeu. Não é Tratado Português.
Como diz o Álvaro, «Portugal, que no sistema de votos ponderados pesava 3,47%, passa a "valer" apenas 2,14%, enquanto a Alemanha, que tinha 8,4%, passará a pesar o dobro, com 16,75% do total dos Vinte e Sete». Isto são contas feitas.
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||| Morram de inveja.











Rubem Fonseca, o novo livro: O Romance Morreu (edição Companhia das Letras), crónicas sobre literatura, escrita, vida de escritor, viagens, charutos, tudo o que Rubem tinha vindo a publicar em avulso. Morram de inveja porque este já cá canta. E como canta.

«Uma coisa talvez esteja acontecendo: a literatura de ficção não acabou, o que está acabando é o leitor. Poderá vir a ocorrer este paradoxo, o leitor acaba mas não o escritor? Ou seja, a literatura de ficção e a poesia continuam existindo, mesmo que os escritores escrevam apenas para meia dúzia de gatos pingados?
Kafka escrevia para um único leitor: ele mesmo. Recordo Camões. Ele era um arruaceiro, e acabou na prisão, ou por motivos de suas rixas ou por ter se envolvido com a infanta Dona Maria, irmã do rei João III. Para obter o perdão do rei ele propôs-se a servi-lo na Índia, como soldado. Lá ficou 16 anos e, afinal, a bordo de um navio voltou para Portugal, acompanhado de uma jovem indiana, que ele amava, e a quem dedicou o lindo soneto "Alma minha gentil, que te partiste". O navio naufragou e Camões só pensou, durante o naufrágio, em uma coisa: salvar o manuscrito dos Lusíadas e dos seus poemas. Deixou a mulher amada morrer afogada (confesso que especulo), e perdeu todos os seus bens, mas salvou os seus manuscritos. Para quem ler? Estávamos no século XVI e muita pouca gente em Portugal sabia ler. Mas Camões pensou nesse punhado de leitores, era para eles que Camões escrevia, não importava quantos fossem eles.»
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||| Livros que deviam ser vendidos na farmácia.
Defendo há muito que há livros que deviam ser vendidos na farmácia, com ou sem receita médica. Uma pessoa chegava ao balcão e dizia: «Não tenho dormido bem.» «Ah», o farmacêutico com ar triunfal, mas preocupado, «e o que anda a ler?» «Bom, tenho andado a ler isto e aquilo.» «Deve ser por isso. Tenho aqui um livro que vai ajudá-lo. Depois traz-me a receita.»
Ou: «Digestões difíceis, sabe como é, eu tomo Kompensan e Rennie, mas nada.» «Sei.» «E passo mesmo mal.» «Sei, sei o que é. Não me diga que anda a ler esse livro novo, esse que anda aí.» «De facto.» «Pois não pode. É acidez a mais, um nadinha de mau ressentimento, isso provoca mal-estar. Acho que tenho aqui o livro ideal, e não precisa de receita, já é antigo, um clássico. Vai ler uma página à hora de almoço e pelo menos dois capítulos depois de jantar.» E embrulha o livro.








Estou a ler a biografia de Shakespeare, de Peter Ackroyd (edição da Teorema): é difícil não sermos transportados, desde as primeiras páginas, para esse mundo de florestas dizimadas em Stratford-upon-Avon (é uma das imagens mais fortes), participando num filme de época, conhecendo o nome das ruas, a fortuna de John Shakespeare, a inteligência da mãe de William, a infância de um homem que usou todas as máscaras.
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||| Espionagem com Z de Chávez.
Eh, eh, eh, eh. Z de Zapatero foi espiado por Z de Chávez.
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||| O PSD a 100%.
O PSD é de esquerda ou de direita? Depende. Manuel António Pina no JN.
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||| Escutas ilegais: não sei.
Ferreira Fernandes lembra o óbvio sobre as escutas telefónicas ilegais; mais uma razão para que o PGR deva esclarecer o assunto. É evidente que a PJ vai ter dificuldade em trabalhar o assunto, mas o aviso fica.
Também é evidente outra coisa: os condes, viscondes, marqueses e duques protestam contra a história do telefone; mas deviam protestar contra os casos não resolvidos.

Ler o post de Filipe Nunes Vicente: «No entanto, é frágil: o chefe está sob escuta, um autarca pode ser morto por causa de um caminho vicinal ( aqui há tempos um foi mesmo morto), a Guarda é recebida à pedrada e a tiro qual matilha de cães raivosos. Há uma dissonância evidente, as pessoas percebem isso. Quando um preso preventivo é posto em liberdade, os media uivam como lobos e o aparato é enorme; quando o Estado é enxovalhado num rincão longínquo, a notícia é de rodapé. O Estado parece reservar para si o monopólio da violência no sentido em que a exerce apenas quando e como quer.»
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21 Outubro, 2007

||| O cantinho do hooligan. Já me esquecia.









1. Evidentemente que eles, os sul-africanos, mereceram ganhar. Tanto assim é, que ganharam mesmo. Mas, transportando o assunto para o hooliganismo de blog, fiquei com dúvidas depois daquele ensaio não validado, de quatro obstruções não assinaladas em período fatal e até de um fora de jogo. Enfim, se fosse em Portugal, eu diria que se tratou de uma grande roubalheira, mesmo que não tivesse sido. Mas eles ganharam e bem. E fiquei contente por ver o jogo dos The Boks, Die Bokke, ou apenas Amabokoboko.








2. Esta é uma imagem do Tia Alice, um dos melhores restaurantes de Portugal, em Fátima. Já tenho ido lá em romaria e nos últimos tempos fui obrigado a pensar bastante nele; os meus amigos sportinguistas que façam reserva porque há mesas para todos.

3. A bola não entra. Há muito tempo que ninguém era tão honesto no futebol português como Jose Antonio Camacho, que revelou o grande motivo de alguns empates e desaires do Benfica: a bola não entra, que é que querem que eu vos faça? Porque, como se sabe, só se ganham jogos quando há golos, e só há golos quando a bola entra na baliza dos adversários. Essa bola nefanda e orgulhosa que não entra na baliza. Aí está como tudo se explica, afinal. Apoiem a bola, sejam solidários com a bola, façam mimos à bola, e ela acabará por entrar. O guarda-redes Quim já chegou a essa conclusão: «A bola insiste em não entrar na baliza.» É chato.
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||| A queda de um anjo.
Os «condes, viscondes, marqueses e duques» do Ministério Público e outras agremiações contestam os termos da entrevista de Pinto Monteiro ao Sol, e querem que ele se demita. Ontem, quando li a entrevista (de que gostei bastante), pensei que isto iria acontecer. Evidentemente que há aqui questões processuais; é nelas que «os condes, viscondes, marqueses e duques» se detêm (o telemóvel sob escuta, pouco mais). O resto é mesmo isso, boa entrevista.
Mas, evidentemente, para lá do ar escandalizado da reacção, há uma evidência: o Procurador-Geral da República não é Santana Lopes a almoçar em Canal Caveira. Agora, todos estamos com grande curiosidade acerca do seu telemóvel. Está sob escuta? Quem está a escutá-lo? É Nokia ou Siemens? É Vodafone, Tmn ou Optimus? Tem capas coloridas como as gravatas de Rodrigues Maximiano, ou é sóbrio como um juiz e nem câmara fotográfica possui? Que ruídos ouve o PGR quando fala ao telefone? Que campainha activou? Abrir a caixa e depois fechar a porta, não dá. Todos queremos saber, todos temos o direito de saber se alguém anda a escutar o nosso PGR. Também queríamos saber mais coisas (por exemplo: quem mais «ouve ruídos» no telemóvel ou no telefone do gabinete), mas ficamo-nos por aí. O que não obsta nada à existência de «condes, viscondes, marqueses e duques», estejam tranquilos.
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||| Revista da imprensa.
A entrevista com Cécilia Sarkozy.
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||| Cozinha.
Pergunta o Nuno Vargas, com toda a lógica: por que razão os bascos são bem tratados na 46th and 1st e os nossos cozinheiros não? Veja-se esta notícia do Correo Digital/Edição Vizcaya:

«Como ejemplo, lo visto el jueves en la cocina de la sede de la ONU, donde más de uno de estos gurús del buen comer untaba con gusto la mantequilla en un chusco de pan entre el tartar de pichón al curry rojo, la vieira con leche ahumada o el atún con almidón de percebes. Rostros acalorados por la cercanía de los fogones y sonrisas afables, más frecuentes a medida que avanzaba un banquete regado con tres tipos de txakolis vizcaínos y cuatro tintos de La Rioja alavesa. [...] Una traductora relataba la composición de los platos en inglés y más de uno se sorprendía por la presentación. Howard Goldberg, de 'The New York Times', describía los chipirones sobre puré como un cuadro de Paul Klee, aunque no acertaba con la identidad de la salsa. «¿Qué es, patata dulce?», preguntaba a su invitado de al lado, un comensal normal y corriente. «Creo que es calabaza», algo después confirmado por el restaurador Aitor Elizegi. «Fantástico. Buen paladar», dio su visto bueno el crítico, especialista en vinos y con un gran recuerdo del albariño. «Es el mejor vino de España».
Recordo então o que não aconteceu com os portugueses e aconteceu com os vascos: veja-se o post do Carlos Albino, e os reenvios para a notícia do Expresso e para o que estava anunciado e não aconteceu. Aí está, Nuno, «a razão porque os bascos são bem tratados na 46th and 1st e os nossos cozinheiros não».
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||| Um tema a não esquecer.
O post é curto e aparentemente inócuo (excepto para o Pedro Mexia, evidentemente); mas é um grande tema. O Lourenço acaba por mexer num dos assuntos sérios da blogosfera: a que horas escrevem esses posts, mariolas? Nas horas de expediente? Logo de manhã? Enquanto o sono não vem? Num portátil, enquanto tomam um café da área de serviço de Pombal? O Origem das Espécies também omite a hora, evidentemente, mas posso esclarecer: entre as 8h00 e as 9h30, e entre as 23h00 e a 01h00. Excepto todas as outras horas.
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||| Palavras.








Para que servem as listas de palavras? Para nada. Para sabermos que elas existem; um dia fazem falta, uma delas faz falta. Hoje, um adolescente de 15 anos, no 10.º ano, por exemplo, tem dificuldade em reconhecer 95% dessa lista de palavras com que tenho brincado com a colaboração de amigos e leitores. Sei isso por experiência própria. Também recordo que, na redacção de um jornal onde trabalhei, a secção de palavras cruzadas (hoje substituída pelo Sudoku, nada contra o Sudoku) era frequentada apenas por leitores com mais de 45 anos. Eles eram de outro tempo. Recebíamos, de vez em quando, cartas de leitores protestando contra um erro de pormenor nas palavras cruzadas. Hoje, tenho dúvidas sobre se um pós-adolescente, de 18 ou 20 anos, pode fazer um exercício de palavras cruzadas do Expresso (eram as mais acessíveis e tinham prémios) ou do Público de há alguns anos. Comecei a fazer palavras cruzadas no Jornal de Notícias e no O Primeiro de Janeiro (as do O Século tinham um «grau de erudição» mais elevado e lá em casa, no Norte, só comprávamos O Século às quintas, embora só chegasse ao sábado), e episodicamente no O Comércio do Porto. Dizem-me que é um exercício inútil, mas a verdade é que falta vocabulário; na escola combatem literacia com textos «que todos compreendem»; palavras a mais fazem dor de cabeça. Basta ouvir uma conversa entre dois imbecis de 15 ou 16 anos numa sexta-feira à noite. A culpa é toda nossa.

Está aqui, por ordem alfabética, a lista de palavras que fazem cócegas e divertem.

As últimas entradas para o campeonato foram tranglomango, do Rui C Branco; siririca (em «bater uma siririca»), da Mónica; sapatinhos-de-ir-ver-a-deus, do POL; o José Carlos Barros propôs várias palavras «cómicas» de Trás-os-Montes, entre elas lapouço; do Três de Trinta, a Sofia propôs também várias, como escaganifobético ou pudicícia. Há ainda a promessa do Rui Almeida: as palavras que fazem cócegas no Cinco Reis de Gente, de Aquilino.
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||| Tratado.









Para quem tem dúvidas, como é o meu caso, aí está o Tratado, anotado por Assunção Esteves. Edição da Cosmos.
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||| José Aparecido de Oliveira.
Não é da minha geração, evidentemente, mas conheci-o numa daquelas intermináveis conversas sobre a lusofonia e a CPLP. José Aparecido, para os conhecidos, foi ministro da Cultura e governador do DF, embaixador do Brasil em Portugal e, como todos sabemos, uma das pessoas que sempre estendeu pontes entre os dois países e um dos criadores da CPLP, que acabaria por nunca funcionar como devia. O funeral foi em Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais, e é uma pena que tenha passado tão em silêncio o seu desaparecimento. Provavelmente com o sucesso do Tratado europeu, as nossas autoridades não anotaram, como nota o Carlos Albino, todos estes factos. Fica uma homenagem, que ele merece, mesmo que nunca se tenha estado do mesmo lado da rua.
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20 Outubro, 2007

||| Mais palavras (contributos), 2.
O Gonçalo Soares, correspondente em São Paulo, envia uma lista para entrar no Acordo Ortográfico e que será acrescentada ao conjunto original:

Itaquaquecetuba, tribufu, baranga, bruaca, xexelento, mequetrefe, suruba, fuxico, macaxeira, umbú, pitomba, pitanga, bambúrrio, traquete, bujarrona, gurupés, estai, enxárcia, mezena (os termos náuticos são um mundo à parte), rebaldaria, salamaleque, vasqueiro, cânhamo, alcouce, sacripanta, cachalote, bisbilhotar, fanchono.»
Por seu lado, o Miguel Marujo relembra o
bem-te-vi-de-igreja
que figura no velho Dicionário Geral e Analógico da Língua Portuguesa, de Artur Bívar.
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||| A vergonha não se redime assim.









Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, dois boxeurs cubanos, desertaram da delegação cubana durante os jogos Pan-Americanos do Rio. O governo brasileiro mandou que eles fossem presos e deportados, a 4 de Agosto último. Regressaram a Cuba num avião colocado à disposição por Hugo Chávez. A Comissão de Relações Experiores do Congresso Brasileiro decidiu investigar as condições em que o governo de Lula devolveu os cubanos à procedência, sobretudo depois de a imprensa noticiar que eles já não estão em Havana e sim num local recôndito e desconhecido da ilha. Assim, decidiu enviar um grupo de deputados a Cuba, a fim de entrevistarem os rapazes. O embaixador de Cuba em Brasília negou o visto, com o argumento de que se trata de um assunto interno do seu país.
O embaixador de Cuba tem razão. A vergonha foi cometida no Brasil e os seus responsáveis têm nome. Lula é o primeiro deles, no topo da lista.
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||| Mais palavras (contributos). «Porreiro, pá» e «cornogodinho» já estão na lista.
Na primeira fase eram apenas

Encanitar, desmilinguido, desmilinguir-se, sacanagem, amunhecar, moçoila, arre chiça, libidinoso, gemedeira, cardão, alarifona, alapardado, biltre, barnabé, coima, fescenino, chocolateira, desenxabido, barbicha, cavanhaque, feiteira, inadimplente, clitóris, clitoridiana, lampadejar, amodorrado, hirundino, acédia, camisa-de-vénus, ambulacriforme, esternocleidomastóideo, Nitrato do Chile, caganita, gralheira, mariola, meretriz, pororoca, bugiganga, Pindamonhangaba, funâmbulo, estrambótico, tramontana, malino, amásia, pantomineiro, futrica, galocha, elipsígrafo, Procópio, topete, maçaranduba, marafona, deliquescente, rubicundo, camandro, meditabundo, condómino, palatinado, serendipismo, ambrósia.
A segunda fase acrescentou
Borogodó, acutilância, badalhoca, gorgomilo, apotegma, apostasia, hieróglifo, teodolito, azurrador, albacora, urubu, catraio, ditirâmbico, adstringente, coxote, xoxota, covilhete, crestomatia arcaica, daguerreótipo, gáspea, gororoba, chilique e, estranhíssimo, muito estranho mesmo, mas delicioso, lesbiano.
A terceira fase sugeriu
Tainar, rabónico, viperino, teratogenia, draconiano, inhame, boto, roaz, araponga, encurvadura, fedúncia, narguilé, labéu, pardizela, parlenga, parlatório, esquixa, lábia, gambérria, guilha, engaramponar, longicórneos, cerambicinos, ponderoso, chimpar, luzimento, pomologista, rameloso, concupiscência, senzala, trombudo, marruaz, caturra, sestroso, sazonar, abemolar, atrabiliário, brundúzio, galfarro, barzoneiro, cachopo e dildo.
Mas já há mais alguns, como
dar de vaia, lapardeiro, lapouço, alforreca, alcagoita, espongiforme, pudicícia, bandulho, escaganifobético, esfíncter, vulva, «porreiro, pá», sodomita, esprovamento, esputação, néscio, escanção, corrupiana, franganote, lagalhé, valhacouto, donairoso, facécia, gaivagem, almoxarifado, prosápia, peralvilho, urumbela, jagodes, ovante, lambanceiro, tramazeira e um notável, que desconhecia até agora, mas que vem no dicionário, cornogodinho.
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||| Não acreditem neles.
Sobre este post, o seguinte: eu sei bem que não vai haver referendo. Não é necessário, bem vistas as coisas. Não era necessário há uns meses; acredito na Europa a trinta velocidades, dispersa, reunida em torno de um tratado e de uma burocracia própria. Já não há volta a dar-lhe. O Tratado aprovado em Lisboa está assente sobre uma série de plataformas que também não foram referendadas e que talvez devessem ter sido referendadas; é difícil submeter este Tratado a referendo; o que está perdido, perdido está. Acham que os franceses eram mesmo, realmente, profundamente, contra a Constituição Europeia, ou apenas tinham medo dos canalizadores polacos e da ameaça de terem de trabalhar e reduzir o défice como os outros? Querem referendar o «porreiro, pá» de José Sócrates, ou querem discutir o Tratado? Está na cara.
Isso é uma cousa. Outra, diferente, é a paranóia festiva que tomou conta dos jornalistas de televisão, envoltos em nuvens de Murganheira Grande Reserva de 1985, e a consequente falta de informação e de discussão sobre o que perdemos e ganhamos com o Tratado. Está na cara dos tratantes.
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||| Eles adoram queimar. A IURD, vanguarda da caixa de fósforos.
Passando pela blogosfera brasileira e pela opinião petista local, há uma evidência: todas as armas são boas para atacar a Veja, a Folha e a Globo. Agora, há uma nova: festejar cada sucesso da Rede Record, da IURD e do bispo Edir Macedo, com quem Lula apareceu de mãos dadas.
É que nas cerimónias da IURD também se queima bastante. Um bispo queimou imagens de santos, já devidamente cadastrados pelo instituto do Património Histórico e Artístico. No Afeganistão, dinamitavam as estátuas dos Budas de Bamyian; como confessa o bispo, «a queima de imagens é uma prática comum nos cultos da Universal».
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||| Palavrão não entra. Mas deixamos ver.
O site da Caixa Económica Federal, do Brasil, tem um filtro para impedir a entrada de palavrões; mas (graças ao Alto Volta) sabemos que a lista está disponível aqui. Um bom tratado de lexicologia.
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||| Fim-de-semana.
Ontem à tarde foram acrescentadas as seguintes palavras à lista original: borogodó, acutilância, badalhoca, gorgomilo, apotegma, apostasia, hieróglifo, teodolito, azurrador, albacora, urubu, catraio, ditirâmbico, adstringente, coxote, xoxota, covilhete, crestomatia arcaica, daguerreótipo, gáspea, gororoba, chilique e, estranhíssimo, muito estranho mesmo, mas delicioso, lesbiano.

Durante a noite, os leitores fizeram chegar estas: tainar, rabónico, viperino, teratogenia, draconiano, inhame, boto, roaz, araponga, encurvadura, fedúncia, narguilé, labéu, pardizela, parlenga, parlatório, esquixa, lábia, gambérria, guilha, engaramponar, longicórneos, cerambicinos, ponderoso, chimpar, luzimento, pomologista, rameloso, concupiscência, senzala, trombudo, marruaz, caturra, sestroso, sazonar, abemolar, atrabiliário, brundúzio, galfarro, barzoneiro, cachopo e, lá vem ele, lá vem ele, dildo.
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||| Questão básica e estruturante, 2.
Sobre este assunto, informam-me que era um Murganheira Grande Reserva de 1985. Temo bastante.
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||| Não acredites neles.
Sabe-se o que eles diziam (sirvo-me de um post do J. V., no 31 da Armada). Os cavalheiros que mudaram de opinião sobre o referendo podiam aparecer, porreiro, pá, e dizer: «Sim, pensávamos isto, mas mudámos de opinião porque, porreiro, pá, a situação mudou e a democracia representativa basta, etc.».
Só que os cavalheiros não fazem nada disso. Os cavalheiros tergiversam. Os cavalheiros acham que os eleitores não leram, não ouviram, e, se leram e ouviram, sabem esquecer, a pedido. Assunto arrumado.
Agora, preciso é de saber se é verdade que «Portugal perde o acesso por rotatividade à Presidência da União»; que «Portugal aceita que lhe sejam impostas decisões em domínios alargados por dupla maioria, mesmo que se oponha veementemente a elas»; e, finalmente, que «Portugal perde o direito automático a um comissário na Comissão Europeia». É evidente que tudo isto estava previsto. Mas precisamos de saber se é assim e se isso é bom ou mau. Os cavalheiros têm de o dizer, mesmo que todos saibamos que a importância de Portugal não deve ser sobrevalorizada. Só para sabermos se o Tratado é um tratado bom para todos, se é só bom para nós, se é mau para nós, se é uma capitulação ou, vá lá saber-se, porreiro, pá, se é apenas um cartaz turístico. Sem ressentimentos.
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19 Outubro, 2007

||| Sexta-feira. [Actualizado.]
Encanitar, desmilinguido, desmilinguir-se, sacanagem, amunhecar, moçoila, arre chiça, libidinoso, gemedeira, cardão, alarifona, alapardado, biltre, barnabé, coima, fescenino, chocolateira, desenxabido, barbicha, cavanhaque, feiteira, inadimplente, clitóris, clitoridiana, lampadejar, amodorrado, hirundino, acédia, camisa-de-vénus, ambulacriforme, esternocleidomastóideo, Nitrato do Chile, caganita, gralheira, mariola, meretriz, pororoca, bugiganga, Pindamonhangaba, funâmbulo, estrambótico, tramontana, malino, amásia, pantomineiro, futrica, galocha, elipsígrafo, Procópio, topete, maçaranduba, marafona, deliquescente, rubicundo, camandro, meditabundo, condómino, palatinado, serendipismo, ambrósia, e outras coisas semelhantes, não sei porquê, mas há-de continuar.

E contributos dos leitores: borogodó, acutilância, badalhoca, gorgomilo, apotegma, apostasia, hieróglifo, teodolito, azzurador, albacora, urubu, catraio, ditirâmbico, adstringente, coxote, xoxota, covilhete, crestomatia arcaica, daguerreótipo, gáspea, gororoba, chilique e, estranhíssimo, muito estranho mesmo, mas delicioso, lesbiano.
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||| Questão básica e estruturante.
Ora aí está uma questão. Um leitor do Abrupto ficou encanitado com a ideia de festejar o pré-acordo nupcial de Lisboa bebendo espumante. O José Medeiros Ferreira, que foi MNE e nota essas coisas, esclarece-me: «É Murganheira.» Se não ergo imediatamente um brinde ao acordo de Lisboa, pelo menos detenho-me nessa questão. O que deviam beber os cavalheiros? Tratando-se de um Tratado de Lisboa, seria curial beber-se vinho do Porto? Poder-se-á oferecer espumante a gente habituada a ser abastecida directamente de Reims? É assim tão bom o nosso espumante que mereça ser servido? Esta última questão parece-me importante: é, é bom. Não sei se se trata do Murganheira Assemblage de 1995, glória do Távora e do Varosa, com dez sumptuosos anos de cave (e que merece todos os elogios de João Paulo Martins), do fantástico Vintage de 2002, ou ainda do Cuvée Reserva de 1995, ligeiramente acima do Chardonnay de 2000. Gosto destes graves problemas de diplomacia.

P.S. - E não me digam que estas coisas não merecem atenção. Vejam como são tratados os nossos cozinheiros.
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||| Revista de blogs. De tudo fazem um pretexto.
«Os estudantes universitários deitaram-se hoje todos juntos na relva, e ao sol, frente à reitoria da Universidade de Lisboa, para alertar as consciências nacionais contra a pobreza. Compreendo perfeitamente estas iniciativas. Nos meus tempos de universidade também tudo me servia de pretexto para me deitar com os colegas.»
{Isabella, no O Mundo Perfeito.}
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||| Revista de blogs. Fazer pouco.
«A tentativa de irrisão do argumento alheio por via piadética é coisa de idiotas e preguiçosos. Por alguma razão se diz 'fazer pouco'.»
{Ana Cláudia Vicente, no Quatro Caminhos.}
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||| Revista de blogs. Para onde vão as pints?
«1 em cada 5 londoners tem problemas com o excesso de álcool. O que significa o consumo de mais de 38 pints por semana. Se cada pint tem meio litro, os nêgos bebem bem. 19 litros de chopp no mínimo por semana. O mais incrível é que nunca tem fila no banheiro.»
{Paloma de Montserrat, no Todo o Glamour Será Castigado.}
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||| Revista de blogs. Mugabe.
«Se Durão tenciona puxar as orelhas a Mugabe, que dirá ele a todos os outros ditadores que estarão sentados à mesma mesa?»
{Vítor Matos, Elevador da Bica.}
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||| Revista de blogs. Espumante.
«Fico satisfeito. Não sei se pela UE se por Lisboa. Felicitações ao governo. Bebe-se Murganheira.»
{José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro.}
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||| Revista de blogs. Os gémeos polacos.
«Eu gosto dos gémeos polacos. Sendo uma dessas pessoas pouco dadas a impor condições e, por isso, disposta a assinar quase de cruz qualquer contrato que lhe ponham à frente, dava-me jeito andar sempre com um gémeo polaco a tiracolo. Tinham-me poupado muitos aborrecimentos.»
{Manuel Jorge Marmelo, no Teatro Anatómico.}
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||| Ah, o herói penteado.
«ProsperidaZ, competitividaZ, accesibilidaZ, empleo de calidaZ, alta velocidaZ, igualdaZ, sensibilidaZ, modernidaZ, solidaridaZ, estabilidaZ, capacidaZ... con Z de Zapatero
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||| Pronto a queimar, estejam atentos.













Este é o novo livro de Diogo Mainardi: Lula é Minha Anta (edição Record). Para relembrar, o texto do próprio Diogo:

«Lula é meu. Eu vi primeiro. Agora todo mundo quer tirar uma lasca dele. Até os jornalistas que sempre o apoiaram. Chamam-no de ignorante. Chamam-no de autoritário. Como assim? Lula tem dono. Só eu posso chamá-lo de ignorante e autoritário. O resto é roubo. Roubaram Lula de mim. [...] Quem melhor definiu Lula foi o próprio Lula. Ele disse: "Não fui eleito presidente por méritos pessoais ou como resultado da minha inteligência". Eu, que sempre falei mal dele, fui obrigado a aplaudir. Ele realmente não foi eleito por méritos pessoais ou como resultado de sua inteligência. Há quem me acuse de ter motivos pessoais para amolar Lula.»
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||| Amazónia.




























Mesmo para quem não é especial admirador dos retratos de Sebastião Salgado, fica uma amostra da série Genesis, na Rolling Stone.
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18 Outubro, 2007

||| Ora aí está.
O Filipe explica um mistério que já me tinha alarmado: por que razão houve três votos nulos na eleição do novo líder da bancada parlamentar do PSD?
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||| Nada de confundir liberdade com licenciosidade.
Porquê esta pequena revolução no Origem das Espécies? Em primeiro lugar, porque tenho a caixa de correio cheia; em segundo lugar, porque é bom reagir «a pedido»; em terceiro lugar por outro motivo qualquer. Regressam os comentários a partir de agora. Com respeitinho, evidentemente; nada de confundir liberdade com licenciosidade. Vá, suportem lá esta pequena ironia.
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||| Cecília.








Tens toda, toda, toda a razão. O João Gonçalves escreve: «[...] com Sarkozy chegou um novo tipo de primeira-dama. A que, já o sendo, se está nas tintas para continuar a ser e se divorcia. Cécilia ainda teve tempo para um gesto de diplomacia paralela bem sucedido antes de decidir ir à vida dela. Quantas pirosas e putativas candidatas a primeira-dama seriam capazes disto?»
Curioso como em certos blogs tratam o caso, mencionando o «corno enamorado», com aquele pequeno ar de «escândalo da República», aquele tremor no esófago ao mencionar que «s’il mène les affaires de la France comme il a mené ses affaires conjugales...» Escândalo? Dar a César o que é de César, mencionar a alcova conjugal apenas o estritamente necessário. O conceito de «primeira-dama» como um apêndice da figura do Estado é uma velharia anterior à Rainha Vitória (que era valente). É uma bela moça, essa Cécilia.
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||| Referendo.
Dado o teor desta notícia («Uma larga maioria dos eleitores dos cinco maiores países da União Europeia defende um referendo ao novo Tratado europeu», diz o Financial Times), a solução é óbvia: dissolver o povo e eleger outro.
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||| Design & artes gráficas.










No Reactor.
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||| Revista de blogs. Música a pedido.
«Estamos no plano de uma sincera desistência do dia que, contra a costumeira celebração sexual do móvel, escarnece todo o convívio erótico que a cama lembra ou representa: nada de canzanas, sessenta e noves ou cafunés. Apenas Aimee Mann. Amanhã vou descer ao café, vou espreitar por sobre o jornal, vou pôr-me adivinhar quem tem cara de andar a levar a Aimee Mann para a cama.»
{Bruno Sena Martins, no Avatares de um Desejo}
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||| Revista de blogs. Bolivarianos?
«Deixem as revoluções constitucionais para a Venezuela.»
{Pedro Mexia, no Gattopardo.}
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||| Revista de blogs. Educação & etc.
«Porque é que o governo não centra a actividade escolar no ensino e aprendizagem das matérias clássicas: matemática, português, línguas, ciências, história, artes, incentivando valores como a disciplina, o trabalho, o esforço, o respeito pelos outros?
Encham a cabeça das crianças, adolescentes e jovens dessa treta toda, pode ser que fiquemos melhores – claro que me pergunto como é que países como o Reino Unido, Holanda, Suécia ou mesmo a vizinha Espanha, conseguem ter graus de literacia e de sucesso escolar superiores ao nosso, e no entanto vivem (crianças e adultos) sem a alegria dos valores republicanos.»
{Joana Carvalho Dias, no Hole Horror.}
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||| Revista de blogs. A Queda do Império.
«Todavia, nem a razão nem o coração moderaram o abandono do Ultramar. Só o bezerro de ouro contou e conta à conta de milhões de abandonados à miséria e à morte quotidianas. Basta atentar na promiscuidade dos interesses e dos negócios entre gente aparentemente respeitável da ex-metrópole e os simétricos das ex-colónias para se perceber que tudo correu mal salvo para meia dúzia de “democratas” que nem solidários souberam ser com os seus compatriotas que literalmente criaram esses “novos” países e com aqueles que os defenderam quando eram pátria. Nem “adeus”, nem “até ao meu regresso”. Não sobrou nada.»
{João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.}
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||| Revista de blogs. Há coisas fantásticas.
«Talvez fosse muito querido aos 18 ser um pipi indeciso, eu tinha amigos que gostavam de ir ver as mamas da Kati ao monte e namoravam muito e com gosto, pipis indecisos. Lá está, mestre, o óbvio ululante. E tu por certo saberás explicar, para minha alegria, porque só mulheres extremamente bonitas e/ou interessantes se podem ter dado, ou dar, a tamanho enconanço - Desculpem, mas agora teve que ser.»
{Mónica Marques, no Sushi-Leblon.}
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||| Revista de blogs. Orçamento de Estado.
«Já não podemos dizer que as boas medidas deste governo são só aquelas que não implicam encargos adicionais para o Orçamento de Estado. Para 2008, o OE propõe que os pastéis de bacalhau desçam ao nível dos croquetes, com uma redução do IVA de 12 para 5%.»
{Rui Bebiano, no A Terceira Noite.}
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|||Orgulho ferido.
Apetecia-me pedir aos administradores do aeroporto da Portela que não deixem de visitar a sua casa, o nosso aeroporto. Não sei se visitam. Sabemos que ele é pequeno, que os corredores para as gates são mudados frequentemente, que inauguraram um barracão indigno e humilhante para os voos domésticos, que as malas demoram muito a chegar. Mas peço-lhes que visitem o aeroporto, a sua casa, o nosso aeroporto. Por exemplo, o que pensam de chegar a Portugal, num voo nocturno, e ter vontade de ir à casa de banho, à primeira delas para quem vem do espaço internacional? Eu digo-lhes: às onze da noite, o chão está imundo (escuso de dizer «de quê»), não há sabonete líquido nem toalhetes de papel, há um lago no meio, um mau cheiro que não vale a pena descrever, as portas estão sujas, os azulejos estão sujos. Está bem; sou português, conheço a Pátria, limito-me a protestar, penso em escrever uma carta à administração da ANA, ou da Groundforce, ou da TAP, já não sei. Mas um cidadão que apanha um voo em Paris, em Amesterdão, em Frankfurt, no Rio de Janeiro, em Nova Iorque, em Caracas – chega e vê isto. Não sei se merece, não sei se merecemos. Mas, diante disto, desta imagem de casa de horrores, suja, nojenta, peço que o aeroporto passe a ser considerado área prioritária do ministério dos Negócios Estrangeiros, do Turismo de Portugal, do ICEP, da Direcção-Geral de Saúde e da ASAE. Não podem promover-se o Allgarve e as belas imagens da publicidade que está colocada na imprensa estrangeira, e depois manter as casas de banho do aeroporto neste estado. Não pode manter-se o hall de chegadas como se fosse um cenário para filmes de pós-tragédia, onde se fuma nos locais proibidos, onde o lixo transborda dos cestos, para não falar dos táxis que (emboram tenham melhorado o seu serviço) continuam a receber mal. A receber mal quem nos visita, exactamente. Não, não é provinciano, isto. É orgulho ferido. É ter pena que «a nossa casa» (a casa dos administradores do aeroporto de Lisboa) esteja suja, desleixada e tudo isso. O estado das casas-de-banho é um escândalo. Eu proponho que, à boa maneira americana ou alemã, os administradores dêem um passeio pelas casas-de-banho por volta das dez da noite e recebam os turistas, os visitantes, os passageiros. Que tomem nota e se envergonhem. Não deixem a vergonha toda para nós.
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||| Pessoa MBA.
«Nunca nenhum homem se tornou milionário pelo trabalho árduo ou inteligência.» É a epígrafe de Organizem-se. A Gestão Segundo Fernando Pessoa (edição Oficina do Livro). Diz Filipe Fernandes, o autor, que Pessoa tinha uma ideia sobre o futuro da economia portuguesa «a partir de uma posição económica liberal de influência claramente britânica». Vou ver.
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||| Negócios Estrangeiros.
O tema é «política externa deste e de outros mundos»; tal é o programa do novo O Conserto das Nações.
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||| Livros sobre nada.








Folheio o livro com a curiosidade de um ignorante: O Mundo das Nuvens. História, Ciência e Cultura das Nuvens, de Gavin Pretor-Pinney (edição Estrela Polar). Esta madrugada comecei a estudar as cumulonimbus, mas o dia despertou claríssimo e azulado. Nem sinal de stratocumulus.
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||| Steiner em Portugal.
Na Gulbenkian, a partir de dia 25, um ciclo de conferências e debates sobre os limites da ciência; para abrir, George Steiner.
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||| Booker e McCann.
Só agora reparo que Anne Enright, a vencedora do Booker Prize deste ano, é a autora deste artigo que citei há duas semanas, «Disliking the McCanns».
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||| Prémio de poesia.







O Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa foi atribuído a Nuno Júdice pelo seu livro As Coisas Mais Simples (edição Dom Quixote).
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||| Criacionismo e inteligência.
Os criacionistas não acreditam nesta notícia, a de que o Homo Sapiens come marisco há 165.000 anos. Por mim, lamento muito que tenham tido que esperar 158.000 anos pela invenção da cerveja, mas não se pode ter tudo ao mesmo tempo.
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||| Quarta República.









Ontem, ao princípio da noite, foi o lançamento do volume que recolhe o essencial do Quarta República (edição Cosmos). Surpresa pessoal: muito divertidos e bem-humorados, os autores do blog. O livro está já na segunda edição.

Detectada a presença de muitos bloggers; entre eles, Isabel Goulão, João Villalobos, Adolfo Mesquita Nunes, Helena Matos, João Caetano Dias, ou Paulo Gorjão. Aliás, foi um dos momentos da noite, quando Manuela Ferreira Leite, na sua apresentação, reafirmou que não escrevia na blogosfera. Mas teve um lapso, muito favorável ao Paulo Gorjão; nas suas palavras, não se sentia «atraída por essa bloguítica». Pelo contrário, Mota Amaral foi escutado, num grupo, a falar sobre blogs -- temos aí um leitor.
Outro dos momentos da noite: ao longo da sua intervenção, Pinho Cardão fez várias referências divertidas à necessidade de descer os impostos, arrancando vários sorrisos na assistência (de Tavares Moreira a Miguel Frasquilho), mas nem um comentário a Manuel Ferreira Leite.
Dada a presença de muita gente ligada ao PSD, evidentemente que se murmurou: «Olha, são as elites.»
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17 Outubro, 2007

||| Prémio Portugal Telecom /Brasil.
Gonçalo M. Tavares ganhou o prémio Portugal Telecom/Brasil, com o livro Jerusalém. São 100 mil reais (37 500 euros). O segundo prémio foi para o brasileiro Dalton Trevisan com Macho não Ganha Flor, a quem foi atribuído o valor de 35 mil (13 100 euros).
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||| Uma campanha entre os kazaques. O cantinho do hooligan.
Foi preciso entrar um português chamado Ariza Makukula para pôr os kazaques em sentido. Mas eles não ficaram.
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||| As medalhas de Pequim.








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||| 27 de Maio de 1977. Estação das Chuvas. Correcção.
Mão amiga corrige um dos dados do livro Purga em Angola: o filho de Sita Valles foi entregue à família, criado por Francisca Van Dunem. Doutorou-se em economia em Inglaterra, trabalhou para o Banco Mundial em Maputo e está a fazer um pós-doutoramento na Dinamarca.
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||| 27 de Maio de 1977. Estação das Chuvas.













«Por estranho que pareça, as atrocidades cometidas no Chile de Pinochet, se comparadas com o que se passou, de 1977 a 1979, no país de Agostinho de Neto, assumem modestas proporções. E o mais chocante é que, no caso de Angola, nem sequer atingiram inimigos, mas sim membros da própria família política.»





«Na margem sul do Tejo, faleceu recentemente um angolano, antigo membro do MPLA, a quem por alturas do 27 de Maio foi atribuída a tarefa de coveiro. Há quem se lembre de o ouvir contar que fora obrigado a sepultar pessoas vivas. Milhares de famílias de angolanos nunca puderam enterrar os seus mortos.»

«[...] Eram presos e enviados, sem qualquer processo, para campos de concentração. Muitos dos que morreram nem sequer sabiam quem era Nito Alves. E eram muitos os que tinham menos de 18 anos. Entre os detidos encontravam-se, até, soldados que não estavam em Angola no dia 27 de Maio.»

«Houve pessoas que foram presas e até mortas, porque eram amigos ou parentes afastados. Pior, quando eram parentes próximos.»

«De modo que os soldados entravam nas casas perguntando onde estavam os intelectuais ou os estudantes. E acabaram por matar muitos.»

«A chamada Comissão das Lágrimas foi criada pelo Bureau Políticos do MPLA com o objectivo de seleccionar os depoimentos dos presos do 27 de Maio. No entanto, como veremos, alguns dos seus membros interrogaram ou provocaram os detidos. Dela fizeram parte: Iko Carreira, Henrique Santos (Onambwé), Ambrósio Lukoki, Costa Andrade (Ndunduma), Paulo Teixeira Jorge, Manuel Rui, Diógenes Boavida, Artur Carlos Pestana (Pepetela), José Mateus da Graça (Luandino Vieira), Mendes de Carvalho, Henrique Abranches, Eugenio Ferreira, Rui Mingas, Beto van Dunem, Cardoso de Matos, Paulo Pena e outros não identificados.»

«O inquiridor principal foi Artur Carlos Pestana (Pepetela). Num registo particularmente agressivo, queria saber quais eram as suas actividades, se e quando tivera reuniões, quem contactava, como funcionavam as ligações entre os sectores da educação, da saúde e da função pública. [...] Foi também interrogado por Manuel Rui. [...] Maria da Luz Veloso, na altura com 47 anos, também se lembra de ter comparecido nesta Comissão, onde foi interrogada por Pepetela e por Manuel Rui. [...] Como não fazia o que pretendiam, Manuel Rui não hesita em dizer: “A minha vontade era dar-lhe um par de bofetadas. Você não colabora. Vejo-me obrigado a entregá-la aos militares.” Os detidos passavam para os militares. E para as torturas.»

«Presos atirados pelas escadas e, no pátio, brutalmente espancados. Berravam e pediam clemência. Quase desfalecidos eram atirados para dentro de viaturas. Um mercenário norte-americano comentava: “Já vi muita coisa na minha vida. Mas nunca tinha visto tal coisa.”»






«João Jacob Caetano, o lendário Monstro Imortal, morreu com o garrote do nguelelo. Também consta que o tinham cegado. Foi interrogado por Pedro Tonha (Pedalé), o qual, possivelmente como prémio, subirá do 10º para 4º lugar na hierarquia do MPLA. No entanto, nem coragem tinha para lhe fazer as perguntas. Os algozes deixavam na sala um gravador, para depois reproduzirem o que dizia. E iam apertando o garrote. [...] Ao que parece, atiraram o corpo de um avião.»







«A indicação para o seu fuzilamento [Nito Alves] terá sido do presidente da República, embora na Fortaleza, onde estava, a ordem tenha sido dada por Iko Carreira, Henrique Santos (Onambwé) e Carlos Jorge. Nito não quis que lhe tapassem os olhos, pois queria ver os que o iam matar. O corpo foi varado por umas três dezenas de balas. E um dos chefes ainda lhe foi dar o tiro de misericórdia. O seu corpo foi atirado ao mar, com um peso.»

«Carlos Jorge, Pitoco e Eduardo Veloso chicoteia-no [a Costa Martins], batem-lhe com um pau com espigão de ferro, massacram-lhe as costas com correias de uma ventoinha de camião. Ao chicote chamavam Marx e, ao espigão, Lenine. Uma das vezes puseram-no numa sala, junto a uma máquina de choques eléctricos. Ainda cheirava a carne queimada.»








«Em meados de Junho [Sita Valles] é presa com o marido [José Van Dunem]. Entra no Ministério da Defesa de mão dada com José. [...] Terá ido para a Fortaleza de S. Miguel. Terá sido torturada e violada por elementos da DISA. [...] Várias fontes, entre as quais um responsável da DISA, declaram que se encontrava novamente grávida. Terão esperado que tivesse a criança para depois a fuzilar. O bebé nunca foi entregue à família. [...] Uma presa ouviu contar que, antes de a matarem, lhe deram um tiro em cada braço e em cada perna.» [Correcção aos autores, por mão amiga deste blog: o filho de Sita Valles foi entregue à família e foi criado por Francisca Van Dunem. Doutorou-se em economia em Inglaterra, trabalhou para o Banco Mundial em Maputo e está a fazer um pós-doutoramento na Dinamarca.]

«Os cálculos sobre o número de mortos variam. Um responsável da DISA, ouvido por nós, fala em 15 000. A Amnistia Internacional fez um levantamento e avançou com 20 000 a 40 000. Adolfo Maria, militante da Revolta Activa, e José Neves, um juiz militar, falam de 30 000 mortos. O jornal Folha 8 falou de 60 000. E a chamada Fundação 27 de Maio foi até aos 80 000. [...] Quedemo-nos pelos 30 000 mortos. Dez vezes mais mortos do que no Chile de Pinochet. Na própria família política. Sem qualquer julgamento. E em muitos casos sem qualquer relação com os acontecimentos.»

«Em Malanje foram fuziladas mais de mil pessoas. No Moxico, Huambo, Lobito, Benguela, Uíje e Ndatalando aconteceu o mesmo. No Bié mataram cerca de 300 pessoas. Em Luanda, os fuzilamentos prosseguiram durante meses e meses.»

«As cadeias eram sucessivamente cheias e sucessivamente esvaziadas, desaparecendo as pessoas. [...] Um grupo de militares foi morto na periferia de Luanda, junto a uma praia. Foram abatidos um a um, com tiros na cabeça. Os vivos que assistiam à cena pediam clemência. Os verdugos divertiam-se. E continuavam a matar, com um tiro na cabeça.»

«As forças de segurança prenderam muita gente jovem que, na manhã de 27 de Maio de 1977, andava nas ruas de Luanda. Centenas deles foram levados para um Centro de Instrução Revolucionária na Frente Leste e os dirigentes locais assassinaram-nos friamente.»

«Estudantes que estavam na União Soviética, na Bulgária, na Checoslováquia e noutros países do Leste, foram mandados regressar. No aeroporto de Luanda foram presos. E muitos foram decapitados, sem saberem a razão. [...] Nas Faculdades desapareceram cursos inteiros. No Lubango, dirigentes e quadros da juventude foram atados de pés e mãos e atirados do alto da Tundavala.»





«Onde param os fuzilados? Uns foram depositados em valas comuns. Outros lançados de avião ou de helicóptero para o mar ou para a mata. [...] Um ano depois do 27 de Maio, ainda se matava. Ademar Valles [irmão de Sita Valles] foi morto em Março de 1978.»

«O juiz José Neves conclui: “Foi um verdadeiro genocídio. Em Angola devem ter morrido umas 30 000 pessoas.”»

«A questão dos presos portugueses em Angola era tratada com a máxima moderação, ao contrário do que acontecia com na imprensa ocidental com casos de idêntica natureza. [...] A solidariedade com os presos políticos angolanos era, também, um tema de excepção na imprensa portuguesa, evitando-se qualquer crítica ao regime do MPLA. Apenas a poetisa Natália Correia, no Jornal Novo, se referira a um regime de sistemática repressão policial, falando mesmo no Gulag angolano

«Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que tantos matou e estropiou, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas.»

Dalila Cabrita Manteus e Álvaro Mateus, Purga em Angola. Nito Alves, Sita Valles, Zé Van Dunem e o 27 de Maio de 1977. Edições Asa.

Alguns links úteis:

Sobreviventes dos acontecimentos de 27 de Maio de 77 ainda procuram explicações. || O silêncio que grita. ||O dia mais negro. || Recordações de um desastre, por Ferreira Fernandes. || Associação 27 de Maio. || Carta de Carlos Pacheco a Pepetela.


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16 Outubro, 2007

||| Grandes questões.
O que é Che Guevara? Quem é Bossa Nova? Finalmente, quem é o Saraiva?
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15 Outubro, 2007

||| Recomendações.
O texto de Pedro Mexia, «Camarada Jdanov», no Estado Civil.






E, entretanto, é este o novo blog de Pedro Mexia e de Pedro Lomba: Gattopardo, «um blogue sobre política».

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|| Frankfurt. Relatos da Buchmesse.






APEL/UEP –
As duas associações estão cada vez mais próximas da fusão, mas o caminho é tortuoso e anda minado aqui e ali. Depois do acordo histórico que permitiu (com mediação da Casa Fernando Pessoa) a realização conjunta da Feira do Livro de Lisboa, houve também o fim de processos judiciais. O caminho está aberto e é importante que continue. Este ano, o espaço era quase comum. Bom sinal.

Campo das Letras – A Campo das Letras, que acaba de publicar a nova edição de A Grande Arte, de Rubem Fonseca, vai lançar a obra de Schiller em português. Um acontecimento.

Catalunha Era o país-tema. Houve bastante polémica acerca dos autores convidados; mas, mais provinciana do que a decisão do comité organizador ao não convidar autores que tivessem “traído” – escrevendo em castelhano – só o provincianismo de quem pensa que isso é importante para a Buchmesse. O stand catalão era muito minimal, moderno, atraente, sem informação relevante.

Clancy Martin – O The New York Times aponta-o como exemplo das pobres novidades da Feira: é um pacato professor de filosofia, especialista em Nietzsche e Kierkegaard, e autor de um romance de estreia, How to Sell.

Comboio – Perdemos, todos, um grande momento: o instante em que Manuel Alberto Valente desce do comboio na Hauptbahnhof, em Frankfurt, depois de atravessar a Europa. É uma viagem histórica, e que traduz o medo de voar de Manuel Valente. Este ano, foi uma das ausências mais notadas.

Convidados – Os próximos convidados da Buchmesse são a Turquia e a China. Depois de criticado e ameaçado no seu país (por causa da questão arménia e da questão curda), Orhan Pamuk tinha lugar de destaque no pavilhão oficial turco; para o lançamento da feira do próximo ano, Pamuk vinha a calhar. Curiosamente, um dos debates da Buchmesse andava à volta da censura na Turquia e na China. Ah, o negócio. [Por falar em China, o novo e mais do que promissor negócio do Fodor’s Guide to Beijing: 2008 Olympics Edition, que venderá bastante, esteve na base de um acordo entre a Random House e a Beijing Publishing House, que o co-produzirão; a HarperCollins já tinha assinado um acordo para publicar, com a editora chinesa Blue Sky Publishing, o Travel Around China.]

Doris Lessing – Rumores davam conta de que a Presença tinha adquirido os direitos de toda a obra de Doris Lessing logo a seguir ao anúncio do Nobel. A agência de Lessing registou filas à porta; editores que tinham direitos “cativados” mas não pagos desde os anos sessenta, pediam renovações de contrato. Houve, recentemente, casos de corrida a direitos derivados do Nobel da Literatura – distante, o de Toni Morrison; mais recente, o de Orhan Pamuk. Quase todos os outros, na última década, ou não suscitaram interesse por aí além (Jelinek, Fo ou Pinter) ou já estavam tradicionalmente garantidos (Naipaul, Coetzee, Xingjian). Jane Friedman, a CEO da HarperCollins, que este ano publicou The Cleft, estava radiante; mas, curiosamente, não tinha livros de Lessing para oferecer ou, sequer, mostrar no stand.

Download – O mercado do livro conta cada vez mais com essa palavra: “Download.” Fazer download de um livro: 10% do mercado digital alemão já se faz com downloads.

Festa Random House/Bertelsmann – Antigamente, havia várias festas. Os anos de crise interromperam o curso de cocktails, apresentações, big cocktail parties, e jantares de grande parte da edição internacional. O gigante Bertelsmann/Direct Group/Random House (com o Círculo de Leitores português), até porque está em casa, continua a organizar a sua festa. Há cerca de quinze anos passou do Grand Ballroom do Intercontinental para o Grand Arabella (na Konrad Adenauer Straße). Duas mil pessoas que se acotovelam e reencontram. Há os incondicionais e os clássicos (entre eles, muitos portugueses); há os desinteressados e os que não lhe dão grande importância (“mas é necessário ir”). Lembro-me dos tempos em que, no Intercontinental, Reinhard Möhn recebia os convidados um a um – e não era permitido levar jeans. Havia menos gente, era mais elitista, mas comia-se francamente mais à vontade e não havia tantos espanhóis a falar tão alto. Este ano, os portugueses constituíam um bom grupo. A “fonte de chocolate” (uma enorme fondue de chocolate em cascata permanente) continua a ser um “must”. Encontrei o Lorenzo, da Nuova Frontiera, em plena rua, que me perguntou: “Está lá a fonte? Venho por isso.” Os americanos continuam a invadir a sala de sushi e a julgar que é tudo deles; paulatinamente são expulsos e reconduzidos à mesa de frutas; a fila dos grelhados era enorme. Este ano, a cerveja era Paulaner pilsener e o vinho era italiano. Fiquei reduzido a espetadas de frango (com João Rodrigues e Jordi Nadal, que tinha acabado de lançar a Plataforma Editorial).

Frankfurter Hof – O hotel clássico da Buchmesse, cuja esplanada estava cheia até depois das duas da manhã – fumadores resistiam ao frio da Alemanha. Mas o frio não afastava ninguém. Depois da meia-noite consegue reunir a maior concentração de agentes literários por metro quadrado. As agentes de Doris Lessing festejavam na escadaria da esplanada. Nenhum jornalista consegue boas histórias da Feira sem pelo menos duas a três horas de “investigação” no Frankfurter Hof. É o maior centro de rumores. Este ano não foi excepção nem faltaram rumores. Meia dúzia deles, muito picantes. Mas as salas de reunião do hotel, essas, estavam todas reservadas desde Maio, sobretudo por agentes americanos e ingleses, que preferem manter um dia, pelo menos, de contactos reservados antes de aparecer na Buchmesse.

Frankfurtfatigue Uma nova doença que se manifesta todos os anos em Outubro.

Fumar – A lei anti-tabaco entrou em vigor na Alemanha, e já é proibido fumar no interior da Buchmesse. Mas as portas mantêm-se abertas para a rua e havia duas zonas de fumadores nos limites (uma delas estava junto do press centre e outra perto do pavilhão alemão). Dois países criaram off-shores (a designação foi de Carlos da Veiga Ferreira, naturalmente): Portugal e a Argentina. Em ambas as áreas, havia um cantinho – muito visitado por gente de outras latitudes – para cigarrilhas (cada vez com mais “praticantes”), cachimbos (o de Zeferino Coelho) e cigarros. Na festa do Grand Arabella, havia uma sala de fumo onde não se conseguia ver nada a cinco metros de distância. Zeferino Coelho, sentado, comentava que se tratava de um cenário literário que lhe lembrava a lei seca americana. Centenas de pessoas passaram por lá; era a única sala do Arabella para onde os criados estavam autorizados a transportar bebidas; tudo o resto era self-service. No Frankfurter Hof, a rush-hour, que habitualmente terminava à meia-noite, foi prolongada diariamente até às duas; na sexta-feira, estendeu-se até às 3h00 – mas na esplanada. Houve gente previdente que trouxe sobretudos e anoraques para Frankfurt: fumar, na rua.

Grupos – Não sei bem se foi uma novidade actuante, a existência de três novos grupos de edição portuguesa (o de Pais do Amaral, que agrupa a Asa, a Caminho, a Texto e a Gaialivro; o da Oficina do Livro com a capital de risco Explorer e Invest, a que acabou de juntar-se a Teorema; e o da Bertelsmann/Direct Group, com o Círculo de Leitores, Bertrand, Temas e Debates e Quetzal). Havia curiosidade. E muita urbanidade, cavalheirismo: editores de um e de outro grupo conversavam nos corredores. Mas a ninguém escaparam as “nuances”, os segredos bem guardados e as alianças estratégicas. Novidades a seguir.

Ilídio Matos – O único agente literário português mantinha a sua presença clássica. É mais do que uma figura – uma referência para a história da edição. O nosso Grande Tio. Se há pessoas cuja autobiografia ensinaria muito sobre a edição portuguesa (como a de Figueiredo Magalhães, por exemplo – o editor da velha Ulisseia), a de Ilídio Matos seria uma delas.

José Rodrigues dos Santos – Curiosidade à sua volta? Nem tanto. Mas o jornalista foi visto aqui e ali, em negociações. O novo livro vai ser pré-publicado pelo Diário de Notícias. E o autor está na categoria dos “protagonistas”, o que é uma boleia para as livrarias. Façam contas.

Keith Richards – O guitarrista dos Rolling Stones vai estrear-se como romancista. Quem deu a novidade foi o agente literário Ed Victor; exactamente o mesmo que, este ano, já tinha vendido a autobiografia de Richards à Little, Brown por um preço que rondava os sete milhões de dólares.

PFD - Foi curioso ver Pat Kavanagh, a agente literária e mulher de Julian Barnes, entrar no Frankfurter Hof pela porta das traseiras, mas muito, muito vista e comentada; ela é uma das mais respeitadas agentes britânicas (e de bons autores, naturalmente), que tinha acabado de abandonar os quadros da PFD, a maior agência do país, depois de a CSS ter tomado conta da empresa. Pat Kavanagh leva consigo autores como Ruth Rendell ou Robert Harris; mas ainda não se sabe o que acontece a nomes como Nick Hornby, Alain de Botton, John Mortimer ou Margaret Drabble (para além de actrizes como Kate Winslett). A nova patroa da PFD é Caroline Mitchell, que vem da agência William Morris (e casada com o antigo patrão da Faber & Faber). Cerca de metade dos quadros da PFD ameaçaram demitir-se; um quarto deles (23) já saiu. E Mitchell não apareceu na Buchmesse.

Roger Moore – O agente Lesley Pollinger anunciou o livro de Roger Moore, My Word is My Bond; a título de curiosidade, apenas, para mencionar que se trata de uma venda de 3 milhões de euros. Essa era a base mínima para negociar.

Salada de batata – A salada de batata do pub da Feira mantém as suas qualidades: deixa-se sempre a meio. Mas as salsichas melhoraram nos últimos anos. Curiosamente, no meio de tanto puritanismo, a Buchmesse ainda não transigiu em matéria de cerveja de pressão: não há alkoholfrei bier de pressão nos bares e cafés do recinto.

Zita Seabra – O Correio da Manhã deu-a como candidata à liderança do grupo parlamentar do PSD mas ela estava na Feira a negociar a edição inglesa de Foi Assim. Ainda não tem título; havia uma sugestão, a de It’s All, Folks, mas não deve pegar. Um dos livros de que Zita Seabra comprou os direitos foi Prolétaires de Tous les Pays, Excusez-moi, de Amandine Regamey.

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14 Outubro, 2007

||| Elogio.
O João Gonçalves comentou o «assunto Fátima» no seu blog, como católico que é. E acrescenta: «Nesta matéria sigo intransigentemente o Papa. Sou um humilde servo na vinha do Senhor que não aprecia que espezinhem a vinha.» Ele tem razão, sobretudo quando escreve que «são [os únicos posts] verdadeiramente pessoais». Pessoalmente, gosto de ortodoxos que vivem a sua ortodoxia sem tentarem impor a sua ortodoxia aos outros. Privei com alguns e guardo uma boa imagem dessa tentativa de viver a ortodoxia sem proselitismo; esses meus amigos vão à sinagoga, à missa ou à mesquita, seguem as interdições, os riscos, os limites – e obedecem. Invejo alguns deles; conhecem o sentido da palavra abnegação, sabem o significado da palavra disciplina. Comem kosher e cumprem as obrigações de Shabbat; sorriem diante da heresia e não se enfurecem com a vida dos goyim (גוים). É o caminho mais difícil e devemos respeitá-lo. Gosto desse silêncio, dessa intimidade, dessa «matéria pessoal». É um caminho ainda mais digno do que o «espectáculo da ortodoxia». Gosto da memória de Meah Shearim embora o espectáculo seja muitas vezes oportunista; não é o meu mundo mas devo respeitá-lo. É a sua ilha, a sua cidade, o seu muro. Para muitos é a sua vaidade, infelizmente, e a sua fúria; mas para outros também é o seu sofrimento e a sua escuridão e a sua luz mais intensa.
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||| Ws e Ks.
José Bosingwa e Ariza Makukula. Com estes dois nomes na nossa selecção, por que razão ainda há resistências ao acordo ortográfico?
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||| Piada soez.
Santana Lopes não falou no Congresso porque José Mourinho estava em black out.
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||| Telenovela.
Exemplar a punição de Dida por ter encenado aquela pequena tirada de teatro no jogo com o Celtic. Espero que o caso faça jurisprudência. Sei que estou a ser muito «politicamente correcto», mas Dida tornou-se insuportável. Ele e o Milan.
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||| Ver outra vez.
Os oito minutos finais do França-Inglaterra. Como se estivesse escrito; tão escrito que não se compreende o falhanço da última jogada dos bleus pela esquerda, com Chabal colocado out. Wilkinson aguardava.
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||| Um cantor pop que embaraça o chavismo.
Luis Acuña, o ministro da Educação do governo bolivariano (o mesmo que fechará as escolas que não apliquem o programa oficial de educação das crianças para o socialismo), informa que tem uma razão séria para impedir o concerto do cantor Alejandro Sanz em Caracas: «Decidimos que no va porque no va.» Com a república bolivariana não se brinca.
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||| Vidas.
Segundo parece, a matéria publicada no The Sun de ontem sobre um conhecido personagem português não pode publicar-se em Portugal. O assunto é desinteressante e apenas ligeiramente cómico. Como não se podem publicar notícias sobre a matéria, fui à tabacaria comprar o The Sun; estava esgotado. É o bloqueio.
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10 Outubro, 2007

||| Frankfurt, Buchmesse.









Durante dezasseis anos frequentei a Feira do Livro de Frankfurt. A Buchmesse, para os íntimos. Com o tempo, a gente desinteressa-se; são 12 quilómetros de livros, uma feira de vaidades, gente que corre, best-sellers prometidos com antecedência de um ano, folhetos em todas as línguas, livros desconhecidos. Não, não é uma feira de literatura; é uma feira de profissionais do livro, com a sua fauna particular, a sua botânica, os seus habituais, os vícios todos reunidos. Os puristas, envergonhados, reclamam: que ali não há literatura. Não há. Ou seja, não há apenas literatura; há livros de tudo, sobre tudo, em todo o lado. Sinceramente, eu gosto. Durante dezasseis anos, viciei-me. Depois, estive alguns anos sem ir, e senti falta dos corredores limpos, dos dois pubs onde se marca encontro com agentes apressados e amigos que se revêem por cinco minutos num ano, dos bares dos hotéis ao fim da tarde (Jameson é a bebida oficial, juntamente com Warsteiner), das listas intermináveis de livros destinados ao esquecimento, das jornadas pelos restaurantes da velha Frankfurt (sim, há um pouco de Goethe), do Irish Pub em Sachsenhausen para jogar setas, das viagens de vinte minutos para Bad Homburg, dos domingos para visitar Heidelberg e regressar num comboio cheio, dos restaurantes turcos, dos cocktails da Random House, dos hotéis da feira (o Grand Arabella, o Frankfurter Hof), dos editores brasileiros e espanhóis, dos passeios ao longo do Main, carregado de livros e de ideias para livros que nunca se escrevem, que nunca se lêem e nunca acontecem. Lamento os puritanos. Deles será, certamente, o reino dos céus; mas o vício dos livros é maior. Regresso este ano.
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||| O direito à indignação.
Durante todo o dia, pela rádio, ouvi falar do direito à indignação. Uma grande união nacional lutava pelo direito à manifestação. Que a democracia estava em perigo, que isto não podia ser, e que as liberdades estavam em perigo. Uma pessoa comove-se facilmente, mas volta à razão quando vê o espectáculo. Como se há-de perceber mais tarde ou mais cedo, a jogada sai em favor de José Sócrates, sem necessidade de placagens. É bem feito.
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09 Outubro, 2007

||| Haja decência, ou Dona Pombinha aterrou em Guarulhos.











Ah, o pecado a sul do Equador. Miragem, apenas uma miragem. Que o diga o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, essa instituição fescenina e libidinosa, a quem os fiscais da alfândega do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, retiveram as 62 fotos de Marilyn Monroe, por Bert Stern, destinadas a exposição. Os fiscais, de monóculo, acharam que aquilo não era arte; e não deixaram sair as fotografias. Há quem diga que se trata de um episódio da guerra São Paulo - Rio de Janeiro. Mas não; é só problema de dioptria; se isso não é arte, é o quê?
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||| Livros em desassossego: o regresso.










Carlos Vaz Marques regressa com os Livros em Desassossego já a 24 de Outubro, para mais uma temporada na Casa Fernando Pessoa. Excepcionalmente, a última quarta-feira do mês, e não quinta, como é costume. Tema? A concentração do mercado editorial português, uma vez que durante o Verão se venderam e compraram editoras como nunca antes tinha acontecido em Portugal. Vão estar presentes João Amaral (director coordenador de edições do novo grupo do empresário Paes do Amaral, agora com a Asa, Caminho, Texto e Gailivro), António Lobato Faria (responsável editorial pelo grupo da Oficina do Livro), João Rodrigues (Sextante) e Francisco Vale (Relógio d’Água). Inês Pedrosa apresenta em primeira mão o seu novo romance, A Eternidade e o Desejo, a publicar em Novembro. Reserve já o lugar na sua agenda. Vai ser picante.

Na foto, a sessão dos Livros em Desassossego de Junho passado (com Vasco Santos, editor da Fenda, Maria Antónia Oliveira, a autora da biografia de Alexandre O'Neill, Eduardo Prado Coelho, Fernanda Câncio e Pedro Mexia).

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||| Averiguemos, pois.
Há mártires e pequenos candidatos a mártires. Gente que denuncia e gente que ronrona. Gente que acusa e gente que nomeia. Gente que se indigna e gente que é clara. Não sei em que categoria fica José Rodrigues dos Santos, mas acho que se JRS tem alguma coisa a dizer deve dizê-la. Estamos mortinhos por saber. Há dois tipos de inconfidência que prejudicam sempre toda e qualquer denúncia; primeiro, aquela de «você sabem do que é que eu estou a falar» (não sabemos); depois, a de «há árbitros em Canal Caveira» (com quem?). O assunto fica desacreditado. JRS não fica desacreditado jornalisticamente por ter escrito uma das piores cenas de sexo de toda a literatura portuguesa (ou da gastronomia, dado que se trata de uma sopa de peixe), embora ajude; mas, no essencial, que fique tudo esclarecido. Só que, para já, a novela não tem os tons trágicos que se anunciavam.
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||| Finais felizes.
O André Benjamim começou a imaginar finais felizes para a Happy Endings Foundation, a propósito desta magnífica iniciativa: «Imaginem que Josef K. na véspera do seu trigésimo primeiro aniversário é levado por dois homens até um enorme salão, onde amigos e familiares o esperam para uma festa surpresa!... Que Meursault afinal não matara um árabe, e que tudo não passara de um pesadelo, fruto de um sentimento de culpa, após haver discutido com a mãe dias antes - e em que ameaçara interná-la num asilo... Que Ricardo não matara Marta (matando-se a si mesmo) nem Lúcio arcara com a pena de prisão; fora apenas um delírio de Lúcio após ter bebido demais num jantar a três... Que o retrato de Dorian Gray, com o passar dos anos, acaba por se desfazer em cinzas, de tão velho que estava, tornando Dorian imortal... Que afinal houvera uma enorme confusão com os nomes, mas que Carlos Eduardo e Maria Eduarda não são irmãos...». É um bom exercício. O que terá acontecido ao capitão Ahab? Capitu, a bela Capitu foi sempre feliz com Dom Casmurro?
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||| Enfim, a virtude.
Contra a imoralidade, o álcool, o colesterol, o vício.
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||| Raquel Chalfi.
Acabou há minutos a apresentação de Raquel Chalfi na Casa Fernando Pessoa: uma voz fantástica, profunda, para uma poesia animada pela perturbação. Ouvi-la em hebraico foi uma surpresa para o reconhecimento dos silêncios de cada verso. Lamento, mas perderam um momento único.

Amanhã, às 18h30, Inês Pedrosa inaugura a série Os Livros que Não Esqueci. Seguem-se-lhe Francisco Belard, Diogo Pires Aurélio e José Medeiros Ferreira, entre outros.
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||| Averiguações.
José Rodrigues dos Santos suspenso de funções.
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||| Queimar, 1.
Esclareçamos vários pormenores ao mesmo tempo. Queimar uma bandeira, como queimar uma efígie do rei de Espanha, ou do presidente dos EUA, ou do primeiro-ministro de Portugal, é um direito constitucional (nos EUA, por exemplo). Todos podemos queimar livros. Pepe Carvalho, o detective criado por Manuel Vázquez Montalbán, queimava livros na sua lareira de Vallvidrera – era um direito seu; os livros eram seus; ele queimava os livros generosamente, não para assassiná-los mas para defendê-los de um mundo que os não merecia. Chegou a andar quilómetros a pé (em El Balneario) a fim de comprar um livro para queimar condignamente. Esse era o seu cerimonial secreto.
Tanto me faz que queimem exemplares da Veja como pilhas de romances «com final infeliz» – mas o gesto já não é puramente literário. Lembra o empastelamento de jornais e, sim, lembra Berlim. Dizem-me que não são coisas comparáveis; é provável. Mas quem não quer ser comparado não faz coisas comparáveis. Que meia dúzia de populares, incentivados pelo PT, queimem exemplares da Veja não pode ser considerado crime; mas dá uma ideia do que fariam se tivessem poder para queimar livremente o que quisessem e quem quisessem.
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||| Depende.
O caso da PSP da Covilhã está a meio. Evidentemente que cai mal a atitude precaucionista que marca a atitude da PSP local, que visitou o sindicato para saber se o pessoal ia, ou não, insultar o primeiro-ministro. Mesmo assim, enquanto se apuram resultados, é talvez legítimo pensar-se que se trata de rotina, «pura rotina», e de exagero da oposição. Só que, quem ouviu o secretário de Estado José Magalhães, esta manhã, na TSF, fica com dúvidas: houve uma subtil tentativa de desculpabilizar a acção da PSP com o argumento de «levar por ter cão, levar por não tê-lo». José Magalhães argumentou mais ou menos isto: então protestam por não haver cargas policiais em Silves e agora estão com paninhos quentes quando tentamos prevenir na Covilhã? Passando ao lado de uma outra tentativa de colar a «má educação» dos agitadores sindicais às actividades da extrema-direita («criaturas», assim lhe chamou) e à vandalização do cemitério judaico de Lisboa – que é politicamente absurda, José Magalhães justificou a operação com a necessidade de «prevenir», para depois não ter que tomar medidas «de outra intensidade». Ora, nada como a clareza.
Por exemplo: se a PSP tivesse feito o mesmo durante os governos de Cavaco – o que não diria José Magalhães? O que pensaria José Magalhães do bloqueio da Ponte 25 de Abril, se ele fosse secretário de Estado? Depende.

Ver este texto do FNV, no Mar Salgado.
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08 Outubro, 2007

||| Queimam-se livros em todas as ocasiões. Por exemplo, por causa da lengua.
Se um autor catalão, mesmo que tenha sido importante para a cultura catalã (relatiu o pertanyent a Catalunya o als Països Catalans), mesmo que tenha escrito em catalão, um dia tenha cometido o dislate de escrever em castelhano, não vai representar a Catalunha na Feira do Livro de Frankfurt. É o que se passa com Olga Xirinacs ou Valentí Puig.
J. L. Carod Rovira defende a decisão («si la cultura alemana fuera invitada a una feria del libro tampoco permitirían que fueran autores alemanes que escriben en turco») e Pujol também. Eis o nacionalismo catalão no seu melhor. Começam por queimar fotos do rei, a seguir queimarão livros e dicionários escritos em castelhano.

Já agora, pergunta o Jorge, o que acontece com Manuel Vázquez Montalbán ou Enrique Vila-Matas?
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||| Teatro Anatómico.





Sanguinetti dizia isso, que «ogni teatro è un teatro anatomico»; Manuel Jorge Marmelo pode prová-lo no drama da blogosfera. Por isso regressa ao nosso convívio com o Teatro Anatómico, o seu novo blog, mais uma leitura diária da casa. Com este subtítulo camiliano: «Coração, cabeça e estômago (e demais moelas e miudezas).»
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||| A frente comum.
Os bons espíritos encontram-se no paraíso.
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||| Inveja, naturalmente.
Reparem bem neste sacana.
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07 Outubro, 2007

||| Os livros, como sabemos, fazem mal. Devem ser banidos. Eles adoram queimar, outra versão. [Actualizado.]












Chama-se Happy Endings Foundation e trata de defender que as crianças só devem ler livros com final feliz [«only let their children read books with happy endings»]. Os outros devem ser banidos das salas de leitura [«Children's books that don't have happy endings should be banned»]. Vigiam os livros e as bibliotecas escolares e já elaboraram uma lista de livros que devem ser retirados das escolas; entre eles estão Villette, de Charlotte Brontë, Um Vasto Mar e Sargaços, de Jean Rhys ou A Pequena Sereia, de Hans Christian Andersen.
Na próxima semana, a fundação sugere um apetitoso programa para as famílias britânicas: «The Happy Ending Foundation is planning a series of Bad Book Bonfires for later this month, when parents will be encouraged to burn novels with negative endings.» De resto, um dos seus objectivos maiores é o de «eradicate sad thoughts from all literature».

O site indica também as canções felizes (entre elas, tremam, «Walking on Sunshine», de Katrina & the Waves, «Holiday», de Madonna e, podem fugir, «Favourite Things», de Música no Coração, com Julie Andrews), e os passeios recomendáveis (Cadbury World, em Birmingham, o Zoo de Londres, o Eastnor Castle, em Ledbury, o National Railway Museum, York, ou a caça ao monstro do Loch Ness).

Livros felizes ficam; os outros queimam-se. Burn novels with negative endings.
O caso da Happy Ending Foundation: «So if you have a bad book in out home, library or school bag, bring it along and see if it burns. Fire is bright and fire is clean…» Via Blue.

[O Pedro Figueiredo sugeriu-me o link].
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06 Outubro, 2007

||| Milagres.
Um milagre é inesperado; o outro é ainda mais inesperado. O primeiro chama-se Bimby, e é a aquisição mais recente. O segundo chama-se Cintra Dunkel. O primeiro permite-me cozinhar e não ter medo das sobremesas. O segundo é a melhor cerveja de tipo dunkel produzida em Portugal; quanto a mim, e salvo melhor opinião, bateu a escurinha da Tagus.

Adenda: cinco minutos depois de publicado este post, um amigo enviou-me um documento em word com 800 receitas para a Bimby. 800. Oitocentas.
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||| Paulo Francis recordado.
Não perca a amostra de pedacinhos do «Diário da Corte», de Paulo Francis, reproduzidos por Alexandre Soares Silva, aqui, aqui, aqui, e aqui.
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||| Eles adoram queimar, 4.
No O Jansenista, «Eles adoram queimar.»: «Chavistas, lulistas e quejandos agradecem comovidamente tanta ingenuidade - e agradecem mais ainda que, em países como o Brasil, poucos sejam já os que sabem o que significou a dupla Jânio Quadros / João Goulart em termos de atraso económico e de degradação social do país, isto só para darmos um exemplo.»
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||| Bicicletas em Lisboa e os astronautas. Ou «a actividade física perversa e perigosa para as nossas cidades.»

Por email, Duarte Sobral comenta o diálogo com Tiago Mesquita de Carvalho neste blog; tudo nasceu de uma opinião inocente:


«Uso a bicicleta como meio de transporte, não uso capacete e também não gosto de astronautas. Quanto à lycra uso-a exclusivamente nos desportos aquáticos porque, além de não a achar confortável em terra, associo-a directa e inconscientemente ao desporto hardcore e a transpiração extrema, de tal forma que só de ver alguém vestido de lycra sinto comichões.
Há uns meses vim trabalhar para Sines onde fiz uma descoberta aterradora. Descobri então que algumas pessoas desta pequeníssima cidade se fazem deslocar diariamente de carro para todo o lado (por vezes em distâncias inferiores a 400 m). Fiquei ainda mais surpreendido quando encontrei algumas dessas pessoas trajadas de astronauta, com calções de lycra, sweat-shirts e garrafinha de água na mão, a marchar furiosamente pela marginal aos pares e aos trios... com o espanto demorei a perceber que estavam a praticar o footing porque, dizem os médicos, é uma actividade desportiva muito benéfica para a saúde e muito eficaz na redução do risco de doenças cardio-vasculares. Apeteceu-me gritar: Vão-se Footing, pá! Passam o dia sentados no escritório ou no café, para onde vão sentados no carro, e ao fim da tarde vão suar que nem umas bestas, a praticar o footing!!!
Como urbanista, considero esta perspectiva da actividade física perversa e perigosa para as nossas cidades... pessoalmente acho-a completamente idiota e só encontro explicação para ela no domínio da psicanálise.» CONTINUE A LER AQUI.

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||| Eles adoram queimar, 3.

De João Paulo Brito, por email:

«O que é irritante no mail [de Nuno Filipe Oliveira], é que se defendem os actos mais estúpidos e irracionais e também reaccionários com base no facto de as lideranças e elites ocidentais serem também corruptas sendo então tudo permitido.
É o eterno mecanismo de manipulação à Bloco de Esquerda. Quando se diz que Fidel é um ditador ou que Chávez vai gradualmente sendo outro ditador, a resposta é invariavelmente a mesma: e então os EUA (de preferência os EUA que são sempre a fonte de todo o mal) onde há miséria e que desencadeiam guerras noutros sítios, ou Portugal onde há tanta gente a viver mal, etc,etc, também não são sítios onde não há democracia? Ou seja, pega-se nos nossos males e que efectivamente são muitos, para primeiro se menorizar os defeitos que apontamos aos heróis do mundinho arrumado desta gente para depois os transformar até em virtudes. E a conclusão é sempre a mesma: nesses países as pessoas até podem não conseguir dizer aquilo que lhes apetece [...], mas “até há igualdade”. E sendo asim está tudo bem, porque estas pessoas não vão em grupos. E é nesse contexto que depois fazem a apologia de um acto tão simbólico da intolerância, reaccionarismo e opressão como queimar livros ou revistas com conteúdos dos quais discordam ignorando que milhares de pessoas deram as suas vidas por coisas tão simples como dizer e ler aquilo que se quer.Eu só gostava de saber se acaso queimasse alguma cópia dos discursos histéricos, demagógicos e idiotas de Chávez porque eu também não vou em grupos e muito menos no de Chávez, se ele no espírito da sua “revolução bolivariana”, se manteria mudo e quedo ou me instauraria um processo [...].
É que, pelo menos em Portugal, se eu ficar descontente com as mentiras e manipulações do Público ou, para este efeito as do Le Monde Diplomatique, tenho uma solução muito simples que é deixar de os comprar. Realmente o Sr. Nuno Oliveira pode não ir em grupos mais os seus amigos à volta da fogueira, mas eu e muitos outros como eu também não estão interessados em ir nos grupos do Sr. Nuno Oliveira à volta das suas fogueiras condenatórias da liberdade de expressão e que não obedecem aos seus cânones daquilo que ele entendem ser a verdade política mas que é sempre excludente das verdades de todos os outros que discordam dele.»
De Amélia C. Malheiro, por email:
«Nunca pensei que pactuasse com a obscenidade desse artigo da Veja, mas confere se pensarmos nas suas tropelias sobre Lula da Silva. Queimar a revista é um acto simbólico, de protesto contra uma revista que se tem colocado permanentemente do lado da direita e que tem hostilizado o presidente do Brasil. Ou eles não têm liberdade de protestar? O senhor é anti-Lula, mas foi Lula quem ganhou as eleições e contra isso não há nada a fazer.»
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05 Outubro, 2007

||| Eles adoram queimar, 2. [Actualizado.]

De Nuno Filipe Oliveira, por email:
«É uma pena que por cá não se queime nada. Podíamos começar pelo Público e as suas mentiras e manipulações que passam por jornalismo.
Sabe o que o chateia? É que na América Latina já não papam grupos. Foram muitos anos de miséria e de opressão pelos mesmos tipos que você tão denodadamente defende. Agora há qualquer coisa que começa a mudar e você não gosta, pois claro. Por cá, como só pintamos os bigodes do Hitler no rosto do Che, e não do Bush ou do Papa, vivemos em liberdade.
Como num país, como no Brasil, há milhões de pessoas na miséria, milhares de sem terra por causa dos interesses dos grandes latifundiários, é claro que a isenta Veja publica uma reportagem sobre os podres do Che. Como se não houvesse suficiente podridão entre as elites brasileiras, económicas e culturais.
É esta agenda informativa predeterminada que as pessoas começam a não engolir. O jornalismo não tem qualquer isenção, é bom que a malta comece a mostrar que não está contente e que não come tudo. Você não gosta? Ainda bem, porque é exactamente para tipos como você que estas coisas acontecem.»
De Ivo Vieira da Costa, por email:
«Os brasileiros ofendidos pela ação dessa revista reacionária, Veja, têm o direito de queimar o artigo nojento sobre Che. É uma reação justa contra o abuso que eles estão prosseguindo.»
De J. O. Oliveira, por email:
«Eu devia era queimar os teus livros como protesto por tanta reaccionarice que chegou ao cumulo de insultar a memória de um dos homens mais justos e exemplares do nosso tempo, símbolo de esperança para tantos oprimidos.»
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||| Domingo de silêncio.









No domingo, às 18h00, no Cemitério Israelita da Av. Afonso III (n.º 44), uma cerimónia religiosa especial para assinalar o acto de vandalização do cemitério judaico levado a cabo no passado dia 25 de Setembro.
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||| Eles adoram queimar.

Eles adoram queimar jornais, livros e revistas. Se eles pudessem, queimavam mais. Periodicamente, pedem que se feche um jornal ou uma revista. O lulismo terá o seu canal de televisão. Recentemente, depois de a assembleia legislativa do Rio de Janeiro homenagear Chávez, pediram para queimar («queima, queima...») O Globo. Aprendem depressa. Nunca aprendem.
Desta vez, depois de a Veja publicar uma capa sobre Ernesto Guevara (à semelhança do que em Portugal fez a Atlântico), vieram para a rua queimar exemplares da revista. Já há um coro, multiplicado, com o apoio dos sindicatos, do PT e dos intelectuais do lulismo. Eles adoram queimar. Em Berlim, queimaram. Em Salem ou no Utah, queimaram. Em Roma, queimaram. Eles aprendem depressa. Nunca aprendem.
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04 Outubro, 2007

|||O cantinho do hooligan. Apito.
Poderemos falar, evidentemente, de uma manifesta boa-fé por parte dos comentadores desportivos, mas duvido que as vénias ao «maior clube do mundo» caibam nessa categoria; «o glorioso», as «cores da vitória», o «voo da águia» e outros ditirambos dão-me vontade de rir. Eu dou-me ao luxo destes intervalos no uso da razão geral; mas «os comentadores» deviam conservar uma parte do seu bom-senso, a menos que façam o prefácio, esclarecendo: «Meus amigos, a partir de agora, trata-se de hooliganismo puro, o Pinto da Costa irrita-me, os andrades chateiam-me, o Helton e o Quaresma deixam-me fora de mim; achem graça, por favor.» E diziam as coisas habituais; e todos ríamos com gosto. Evidentemente que não levo todo o futebol a sério, mas o lambebotismo faz impressão. Acho graça a certos maduros, cujo veneno aprecio à distância no negócio do papel impresso (a vida está difícil para todos, sejamos compreensivos). Reconhecem-se à distância. Têm uma gramática e um dicionário que não falham, herdeiros da «crítica do sistema» e dos grandes dias de glória. Pessoalmente, quanto mais «dias de glória» evocam, mais radiante fico com os seus desaires. Sou pelo negócio dos anti-depressivos, pelos lamentos sobre «os dias passados». Gosto que tenham sinfonias e filmes, hinos com papoilas e milhafres a voar sobre as bancadas. Gosto que sejam os maiores do mundo. É nestas ocasiões que um golo quase fortuito, já aos 92 minutos, depois de um passe defeituoso de Lucho e de uma primeira parte para esquecer, me dá uma alegria tremenda. Felicidades a todos, e continuem.

Recomendo este excelente texto de Vasco Lobo Xavier, no Mar Salgado.
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||| O cantinho do hooligan. Serviço ao domicílio.








Esta jornada europeia caracterizou-se por um bom serviço ao domicílio. O FC Porto foi à velha Constantinopla aborrecer o Beşiktaş; quase todos os bons clubes ganharam fora.
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03 Outubro, 2007

||| Eles estão de volta!




















E veja quem já lá esteve.
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||| Prémios do Pen.
Foram atribuídos os prémios do Pen Club relativos a 2006: Gastão Cruz na poesia (A Moeda do Tempo), João Pedro Serra no ensaio (Pensar o Trágico), Mário Cláudio na ficção (Camilo Broca), Catarina Nunes da Almeida na categoria «primeiras obras» (Prefloração) e Aires Nascimento na tradução (a de Utopia, de Thomas More).
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||| Bem feito.
Para os mortais, a política serve para ser vista, com os seus actores, as suas manigâncias, os seus truques e a sua beleza oculta. Às vezes, o seu sentido oculto. Há demasiadas coisas ocultas na política. No caso das eleições no PSD, a frase que mais soa entre o público é «Bem feito.» Há boas razões para dizer isso.
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||| Harry é sexy?









Enquanto isso, na The New York Review of Books, Alison Lurie lê Harry Potter. O mundo dá muitas voltas.

Jorge Gomes sugere este link, para outra leitura do «caso Harry Potter» (trata-se de um ficheiro pdf; o artigo, Harry Potter and the Power of Narrative, vem na página 15 da Common Review).
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||| Os McCann.
Anne Enright, na London Review of Books, «Disliking the McCanns»:
«The sad fact is that this man cannot speak properly about what is happening to himself and his wife, and about what he wants. The language he uses is more appropriate to a corporate executive than to a desperate father. This may be just the way he is made. This may be all he has of himself to give the world, just now. But we are all used to the idea of corporations lying to us, one way or another – it’s part of our mass paranoia, as indeed are the couple we see on the screen. No wonder, I think, they will not speak about that night.»
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||| Uma obra de arte.

Vejam o que é uma obra de arte. Foi apresentada em França, durante o Mundial de Rugby. [Via Catalunya@large]
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||| A educação para o século XXI.
Na verdade, não convém diabolizar o presidente Hugo Chávez. Ele é um populista bom.
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02 Outubro, 2007

||| Os posts irritados. [Actualizado.]
O Pedro Correia irrita-se (e bem) por causa da Birmânia, como há anos me irritei por causa do Darfur (eram pretos a morrer, não valiam a pena a preocupação). Zapatero, o pequeno herói penteado, reafirma que «é preciso ver como estão as coisas, nada de reacções apressadas». Ele não quer irritar Putin, que se irrita por causa da Birmânia, que irrita Pedro Correia, que se irrita com a diplomacia de contenção. A vida é muito filha da puta.

Esta informação: «Os 43 Estados membros do Conselho [dos Direitos Humanos da ONU] renunciaram contudo a "condenar" a repressão, como previa a primeira versão do texto, apresentada pelo embaixador português Francisco Xavier Esteves, em nome da UE, depois de negociações para moderar o tom, que envolveram a Índia e a China.» Condenar a repressão? E porquê?
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01 Outubro, 2007

||| O bom populista.









Este disco não vou perder. Compreendem-se agora as suas críticas a Barbie & Ken, ao Super-Homem, Tarzan, Homem-Aranha e Mandrake, bem como a intenção de não deixar entrar na Venezuela grupos musicais que sejam má nfluência para a juventude. O mandatario quer o espectáculo todo. Este populista não é uma desgraça.
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||| Bloguítica.
O Paulo Gorjão interrompeu o Bloguítica. Sejam quais forem as razões (que se compreendem à distância, algumas), o Bloguítica foi, durante estes anos, um lugar de discussão e de interrogação sobre a política portuguesa. Se desaparece, é pena. Se é apenas uma interrupção, bom descanso.
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||| O homem que gostava de livros.
A homenagem a Óscar Lopes, pelos seus noventa anos, devia ser a homenagem a um dos nossos melhores críticos e historiadores da literatura.
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||| Regresso.
Depois do fim do GNT/Globo, substituído na altura pela TV Record, regressa hoje a Globo, o novo canal brasileiro na TV Cabo. Para quem gosta de matéria brasileira, é mil vezes melhor do que o canal dos bispos da IURD (Record), essa máquina de explorar a crendice e a miséria.
Vai ser possível ver «Manhattan Connection», Jô Soares, Marília Gabriela, «Saia Justa», «Altas Horas», programas da Globo generalista brasileira e do GNT, além da programação de futebol da Globo e da SportTv do Brasil.
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||| Pumas.









Depois de, no jogo inaugural, terem baleado a França, os Pumas continuaram. Ontem, a Irlanda sucumbiu: «A propósito: ¡cómo chupan los muchachos éstos! Tremendo cómo los irlandeses le dan a la birra. Antes del partido, una fiesta entre mayoría de camisetas verdes y, un poco menos, celestes y blancas. Todos cantando juntos, a los abrazos. Ninguna piña, ninguna palabra de más. Lo que se esperaba y se dio. Lo mismo que en la cancha, más allá de algún "se van para Irlanda...". Y ya se sabe cómo termina.»
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