30 outubro, 2007

||| Escutas.
Afinal, segundo o Procurador-Geral da República, todos estamos sob escuta. Todos podemos ser alvo dos «aparelhos para escutas ilegais à venda no mercado»; não nos bastavam os aparelhos legais para escutas aparentemente legais ou ligeiramente abusivas, como ainda há aparelhos para escutas ilegais. Isso é uma grande novidade, sim senhor. O que as autoridades propõem, portanto, é que se impeça a venda dos «aparelhos para escutas ilegais» em Portugal; a partir daqui, os aparelhos ilegais passarão a vender-se apenas pela internet ou a quem vá a Espanha, ao Brasil ou aos EUA. Que coisa pechisbeque.

Já agora, para quem quiser, os aparelhos a que se referem as autoridades estão à venda por preços inferiores na ABC Electronica, na Digital Centre, nas lojas da Cnel. Toledo e do Hijazi Centre, em Ciudad del Este
, fronteira do Paraguai. Há uma pequena amostra da área no filme Miami Vice, mas quem está no Brasil pode dar um saltinho até lá; eles adaptam ao sistema europeu-português e tudo.
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28 outubro, 2007

||| Não esquecer. A estação das chuvas.
A pedido de amigos, e para não esquecermos, chamo de novo a atenção para estes extractos do livro Purga em Angola, de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus (edição Asa). Ver também artigo no JN desta segunda-feira.







«Por estranho que pareça, as atrocidades cometidas no Chile de Pinochet, se comparadas com o que se passou, de 1977 a 1979, no país de Agostinho de Neto, assumem modestas proporções. E o mais chocante é que, no caso de Angola, nem sequer atingiram inimigos, mas sim membros da própria família política.»

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26 outubro, 2007

||| BCP, BPI.
O assunto é financeiro, político e «estratégico», como ouço. Os analistas dividem-se, Jardim Gonçalves apoia, a imprensa online agita-se permanentemente. Siga o folhetim. Deste lado, porém, vejo ainda o que resta de uma tragédia que, a espaços, viveu como comédia. O «folhetim BCP» é outro dos casos em que, à vontade, podemos dizer «é bem feito». Rostos envelhecidos e derrotados, mas sobretudo envilecidos. É muito pior. Merecem.
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24 outubro, 2007

||| Justiça.
«Devem os juízes ser eleitos?» É este o tema da conferência de Carlos Abreu Amorim, na Universidade Lusófona, na próxima sexta-feira, às 11h00.
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17 outubro, 2007

||| 27 de Maio de 1977. Estação das Chuvas. Correcção.
Mão amiga corrige um dos dados do livro Purga em Angola: o filho de Sita Valles foi entregue à família, criado por Francisca Van Dunem. Doutorou-se em economia em Inglaterra, trabalhou para o Banco Mundial em Maputo e está a fazer um pós-doutoramento na Dinamarca.
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||| 27 de Maio de 1977. Estação das Chuvas.













«Por estranho que pareça, as atrocidades cometidas no Chile de Pinochet, se comparadas com o que se passou, de 1977 a 1979, no país de Agostinho de Neto, assumem modestas proporções. E o mais chocante é que, no caso de Angola, nem sequer atingiram inimigos, mas sim membros da própria família política.»





«Na margem sul do Tejo, faleceu recentemente um angolano, antigo membro do MPLA, a quem por alturas do 27 de Maio foi atribuída a tarefa de coveiro. Há quem se lembre de o ouvir contar que fora obrigado a sepultar pessoas vivas. Milhares de famílias de angolanos nunca puderam enterrar os seus mortos.»

«[...] Eram presos e enviados, sem qualquer processo, para campos de concentração. Muitos dos que morreram nem sequer sabiam quem era Nito Alves. E eram muitos os que tinham menos de 18 anos. Entre os detidos encontravam-se, até, soldados que não estavam em Angola no dia 27 de Maio.»

«Houve pessoas que foram presas e até mortas, porque eram amigos ou parentes afastados. Pior, quando eram parentes próximos.»

«De modo que os soldados entravam nas casas perguntando onde estavam os intelectuais ou os estudantes. E acabaram por matar muitos.»

«A chamada Comissão das Lágrimas foi criada pelo Bureau Políticos do MPLA com o objectivo de seleccionar os depoimentos dos presos do 27 de Maio. No entanto, como veremos, alguns dos seus membros interrogaram ou provocaram os detidos. Dela fizeram parte: Iko Carreira, Henrique Santos (Onambwé), Ambrósio Lukoki, Costa Andrade (Ndunduma), Paulo Teixeira Jorge, Manuel Rui, Diógenes Boavida, Artur Carlos Pestana (Pepetela), José Mateus da Graça (Luandino Vieira), Mendes de Carvalho, Henrique Abranches, Eugenio Ferreira, Rui Mingas, Beto van Dunem, Cardoso de Matos, Paulo Pena e outros não identificados.»

«O inquiridor principal foi Artur Carlos Pestana (Pepetela). Num registo particularmente agressivo, queria saber quais eram as suas actividades, se e quando tivera reuniões, quem contactava, como funcionavam as ligações entre os sectores da educação, da saúde e da função pública. [...] Foi também interrogado por Manuel Rui. [...] Maria da Luz Veloso, na altura com 47 anos, também se lembra de ter comparecido nesta Comissão, onde foi interrogada por Pepetela e por Manuel Rui. [...] Como não fazia o que pretendiam, Manuel Rui não hesita em dizer: “A minha vontade era dar-lhe um par de bofetadas. Você não colabora. Vejo-me obrigado a entregá-la aos militares.” Os detidos passavam para os militares. E para as torturas.»

«Presos atirados pelas escadas e, no pátio, brutalmente espancados. Berravam e pediam clemência. Quase desfalecidos eram atirados para dentro de viaturas. Um mercenário norte-americano comentava: “Já vi muita coisa na minha vida. Mas nunca tinha visto tal coisa.”»






«João Jacob Caetano, o lendário Monstro Imortal, morreu com o garrote do nguelelo. Também consta que o tinham cegado. Foi interrogado por Pedro Tonha (Pedalé), o qual, possivelmente como prémio, subirá do 10º para 4º lugar na hierarquia do MPLA. No entanto, nem coragem tinha para lhe fazer as perguntas. Os algozes deixavam na sala um gravador, para depois reproduzirem o que dizia. E iam apertando o garrote. [...] Ao que parece, atiraram o corpo de um avião.»







«A indicação para o seu fuzilamento [Nito Alves] terá sido do presidente da República, embora na Fortaleza, onde estava, a ordem tenha sido dada por Iko Carreira, Henrique Santos (Onambwé) e Carlos Jorge. Nito não quis que lhe tapassem os olhos, pois queria ver os que o iam matar. O corpo foi varado por umas três dezenas de balas. E um dos chefes ainda lhe foi dar o tiro de misericórdia. O seu corpo foi atirado ao mar, com um peso.»

«Carlos Jorge, Pitoco e Eduardo Veloso chicoteia-no [a Costa Martins], batem-lhe com um pau com espigão de ferro, massacram-lhe as costas com correias de uma ventoinha de camião. Ao chicote chamavam Marx e, ao espigão, Lenine. Uma das vezes puseram-no numa sala, junto a uma máquina de choques eléctricos. Ainda cheirava a carne queimada.»








«Em meados de Junho [Sita Valles] é presa com o marido [José Van Dunem]. Entra no Ministério da Defesa de mão dada com José. [...] Terá ido para a Fortaleza de S. Miguel. Terá sido torturada e violada por elementos da DISA. [...] Várias fontes, entre as quais um responsável da DISA, declaram que se encontrava novamente grávida. Terão esperado que tivesse a criança para depois a fuzilar. O bebé nunca foi entregue à família. [...] Uma presa ouviu contar que, antes de a matarem, lhe deram um tiro em cada braço e em cada perna.» [Correcção aos autores, por mão amiga deste blog: o filho de Sita Valles foi entregue à família e foi criado por Francisca Van Dunem. Doutorou-se em economia em Inglaterra, trabalhou para o Banco Mundial em Maputo e está a fazer um pós-doutoramento na Dinamarca.]

«Os cálculos sobre o número de mortos variam. Um responsável da DISA, ouvido por nós, fala em 15 000. A Amnistia Internacional fez um levantamento e avançou com 20 000 a 40 000. Adolfo Maria, militante da Revolta Activa, e José Neves, um juiz militar, falam de 30 000 mortos. O jornal Folha 8 falou de 60 000. E a chamada Fundação 27 de Maio foi até aos 80 000. [...] Quedemo-nos pelos 30 000 mortos. Dez vezes mais mortos do que no Chile de Pinochet. Na própria família política. Sem qualquer julgamento. E em muitos casos sem qualquer relação com os acontecimentos.»

«Em Malanje foram fuziladas mais de mil pessoas. No Moxico, Huambo, Lobito, Benguela, Uíje e Ndatalando aconteceu o mesmo. No Bié mataram cerca de 300 pessoas. Em Luanda, os fuzilamentos prosseguiram durante meses e meses.»

«As cadeias eram sucessivamente cheias e sucessivamente esvaziadas, desaparecendo as pessoas. [...] Um grupo de militares foi morto na periferia de Luanda, junto a uma praia. Foram abatidos um a um, com tiros na cabeça. Os vivos que assistiam à cena pediam clemência. Os verdugos divertiam-se. E continuavam a matar, com um tiro na cabeça.»

«As forças de segurança prenderam muita gente jovem que, na manhã de 27 de Maio de 1977, andava nas ruas de Luanda. Centenas deles foram levados para um Centro de Instrução Revolucionária na Frente Leste e os dirigentes locais assassinaram-nos friamente.»

«Estudantes que estavam na União Soviética, na Bulgária, na Checoslováquia e noutros países do Leste, foram mandados regressar. No aeroporto de Luanda foram presos. E muitos foram decapitados, sem saberem a razão. [...] Nas Faculdades desapareceram cursos inteiros. No Lubango, dirigentes e quadros da juventude foram atados de pés e mãos e atirados do alto da Tundavala.»





«Onde param os fuzilados? Uns foram depositados em valas comuns. Outros lançados de avião ou de helicóptero para o mar ou para a mata. [...] Um ano depois do 27 de Maio, ainda se matava. Ademar Valles [irmão de Sita Valles] foi morto em Março de 1978.»

«O juiz José Neves conclui: “Foi um verdadeiro genocídio. Em Angola devem ter morrido umas 30 000 pessoas.”»

«A questão dos presos portugueses em Angola era tratada com a máxima moderação, ao contrário do que acontecia com na imprensa ocidental com casos de idêntica natureza. [...] A solidariedade com os presos políticos angolanos era, também, um tema de excepção na imprensa portuguesa, evitando-se qualquer crítica ao regime do MPLA. Apenas a poetisa Natália Correia, no Jornal Novo, se referira a um regime de sistemática repressão policial, falando mesmo no Gulag angolano.»

«Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que tantos matou e estropiou, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas.»

Dalila Cabrita Manteus e Álvaro Mateus, Purga em Angola. Nito Alves, Sita Valles, Zé Van Dunem e o 27 de Maio de 1977. Edições Asa.

Alguns links úteis:

Sobreviventes dos acontecimentos de 27 de Maio de 77 ainda procuram explicações. || O silêncio que grita. ||O dia mais negro. || Recordações de um desastre, por Ferreira Fernandes. || Associação 27 de Maio. || Carta de Carlos Pacheco a Pepetela.


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14 outubro, 2007

||| Vidas.
Segundo parece, a matéria publicada no The Sun de ontem sobre um conhecido personagem português não pode publicar-se em Portugal. O assunto é desinteressante e apenas ligeiramente cómico. Como não se podem publicar notícias sobre a matéria, fui à tabacaria comprar o The Sun; estava esgotado. É o bloqueio.
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18 agosto, 2007

||| Dossiers anónimos.








Como se sabe, um dossier «anónimo» é um dossier a que falta assinatura ou a que apagaram a assinatura. Por exemplo: alguém pode elaborar um dossier «anónimo» e, para lhe dar credibilidade (imagine-se!), é necessário retirar-lhe a assinatura; se a tivesse, ninguém ligaria. Mas as autoridades fizeram-lhe a vontade.
Agora, apareceu um novo dossier «anónimo». As autoridades, postas diante da evidência, têm de apreciá-lo, porque não é possível desprezar um dossier «anónimo» e apaparicar o outro. Há, como se sabe, uma ética do tratamento do dossiers «anónimos»; faz parte da originalidade portuguesa. Procuradores, polícias, investigadores anónimos, em vez de chamarem o pessoal do CSI de Las Vegas, para encontrarem impressões digitais, manchas de uísque, pingos de sardinha, sentam-se tranquilamente nos seus gabinetes (vá lá, é uma imagem literária), ajeitam os óculos, empilham uma série de blocos para apontamentos ao lado de uma dúzia de lápis afiados, e iniciam a leitura. Não contribuem em nada para a sua ilustração. Mas fazem a vontade aos autores dos dossiers «anónimos». É uma alegria. Vou pensar em escrever um dossier anónimo. Está na moda. Convido-vos à escrita.
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17 agosto, 2007

||| Quando somos alguma destas coisas, 2.











Para conduzir um carro precisamos de estar sóbrios. Condutores alcoolizados enojam-me. Alcoolizados em geral, também. O meu pai definiu bem a coisa; ele detestava gente que não bebia e gente que se embebedava. Mas para conduzir um carro precisamos de estar sóbrios. Conduzir sob o efeito de álcool ou de drogas parece-me crime, mas é a minha impressão. Dois amigos meus morreram por isso e não estou para admitir desculpas. A coberto disso, começou a cata aos vestígios, com testes de despistagem rápida, verificações, análises ao sangue -- modos de apurar o estado de embriaguez e deliquescência dos condutores. Tenham cuidado, no entanto, com os limites: um dia, à porta do emprego, vão fazer o mesmo. Um dia vão «criminalizar-nos» pelo Xanax ou pelo Guronsan. Um dia seremos alguma destas coisas. Abençoados os que vivem no «reyno da perfeiçom»
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16 agosto, 2007

||| A Wikipedia não dorme.
Ver as maravilhas da Wikipedia portuguesa, a propósito do caso Universidade Independente, ou de como não se pode dormir em serviço, por Vasco Carvalho.
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||| Quando somos alguma destas nossas coisas.











Sabem de nós coisas estranhas que nós não sabemos. O que deixamos num lugar de uma biblioteca, num cartão multibanco, no cartão magnético de um hotel. Quando alugamos uma bicicleta ou preenchemos um papel insignificante acerca da rua onde moramos. Os retratos dos filhos, dos avós, dos netos, dos amigos, se mandamos emoldurar as fotografias. Os telefonemas que nos ouvem. Sabem de nós coisas estranhas. Quando pedem a nossa declaração de IRS em lugares comuns e fáceis. Quando passamos numa auto-estrada, compramos um bilhete para o cinema, ou dizemos os filmes da nossa vida, os livros que levamos para uma ilha – sabem tudo de nós. Sabem de nós coisas estranhas que nós não sabemos. Quando passamos numa fronteira, quando assinamos um papel, vamos ao banco, matriculamos os filhos numa escola, compramos um carro. Todos nos pedem a identificação. Sabem de nós coisas estranhas que nós não sabemos.
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24 maio, 2007

||| Venezuela.
Como se inventa uma revolução. Ver o vídeo disponibilizado pelo André Azevedo Alves neste post.
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||| Vingança fria.
Há dois anos, ou três, enquanto neste blog e no Aviz dava conta daquilo em que se tornara o lulismo, no Brasil, suportei todo o género de acusações e de reacções indignadas. Não contra Lula, curiosamente, mas contra a Veja, contra os editoriais da Folha e contra Diogo Mainardi, por exemplo, três entidades insuportáveis para os lulistas de trazer por casa, ou seja, lulistas lusitanos, exemplos do servilismo intelectual. Ou seja: a Veja, esse inacrediável porta-voz das oligarquias anti-PT; a Folha que, de vez em quando, sob a batuta de Otávio Frias, zurzia na bandalheira do lulismo e do PT; e Diogo Mainardi, claro, o abjecto, o obtuso, o sabujo. Bom. O PT, como se sabe, processou a Veja, levou o caso para os tribunais -- mesmo depois de juízes do Supremo terem zurzido no Partido dos Trabalhadores, essa colmeia de talentos irrecomendáveis, responsável por uma das maiores séries de casos de corrupção e lavagem de dinheiro no país, e de acusarem publicamente Lula de ser conivente com essas trapalhadas, desde o caso mal resolvido do assassinato de Celso Daniel, até aos dinheiros da guerrilha colombiana para o PT ou ao mensalão. Os tribunais de São Paulo acabam de «julgar improcedente a queixa do Partido dos Trabalhadores»; e de considerar que «todas as capas e as matérias centrais que a elas se referem retratam tristes episódios de corrupção, tráfico de influência e quebra de normas éticas e morais em que o Partido dos Trabalhadores teria se envolvido, as quais são de inegável interesse público». Podem continuar a rosnar.
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||| Ota.
Três letrinhas apenas. Simples e claras: Ota. Aeroporto. O que era uma questão técnica, estratégica (relativa ao ordenamento do território, às opções para Lisboa, à facilidade de acesso dos passageiros, aos custos futuros, aos imperativos ecológicos, à ligação à rede de transportes, etc.), transformou-se numa outra fonte de ressentimento, com declarações disparatadas e de suspeito arrabatamento, em que não se discutem verdadeiramente nem os prós nem os contras. A partir de agora, qualquer decisão estará para sempre inquinada pela natureza do debate e das suspeitas. Uma das argumentações mais imbecis tem a ver com a descoberta de que há interesses por detrás da Ota. Claro que há interesses: os cidadãos estão interessados. Agora, mais do que nunca, interessados e desconfiados.
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23 maio, 2007

||| Respeitinho, 4.
A directora regional de Educação do Norte diz que «o insulto em causa não tem absolutamente nada a ver com anedotas ou a licenciatura do primeiro-ministro». Reafirma que se trata de «um professor que proferiu um insulto ao PM nas instalações da DREN»; reafirma que comunicou a ocorrência ao Ministério Público; insiste que «é inadmissível que um professor se expresse nos termos em que aquele o fez, seja sobre o PM ou sobre qualquer outra pessoa». Comunicado na íntegra aqui.
Todos esperamos que o inquérito seja tornado público, tanto mais que existe alguma discrepância em relação as informações da notícia original do Público, na edição de sábado.
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22 maio, 2007

||| Respeitinho, 3.
«A responsável pela DREN, avisada por alguém (que achou por bem denunciar o caso, sabe-se lá porquê) achou que o comentário do professor era um insulto ao primeiro-ministro e resolveu suspendê-lo de funções e instaurar-lhe um processo disciplinar, com participação - creio - ao Ministério Público. O que apurará o processo não se sabe ainda, mas prevejo um grande debate sobre o que é e não é insulto e sobre os deveres dos funcionários públicos. A coisa promete. Como em muitas situações semelhantes, vamos ter mais anedotas sobre o assunto. Ele merece.» No JN.
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20 maio, 2007

||| Respeitinho, 2.
Parece-me óbvio que é necessário tirar conclusões do caso da suspensão do professor, quer ele seja Fernando Charrua, quer ele seja José Silva. Vasco Pulido Valente escreve hoje no Público que se trata do «primeiro português condenado por um crime político, depois do “25 de Abril” ou, se quiserem, depois do “25 de Novembro”»; não sei. Mas o inquérito está em curso e a responsável pela entidade que suspendeu o professor promete «um inquérito justo»; ora, interessa-nos saber o que apurará «o inquérito justo» que tivesse justificado essa suspensão. O que seria tão grave assim? Esse inquérito deve ser, portanto, tornado público. Todo. Por um motivo: os cidadãos devem poder saber que riscos correm no seu emprego, e os dirigentes da administração pública devem saber o que podem decidir e o que não lhes é permitido decidir. Causa estranheza que, entretanto, o Ministério da Educação tivesse dispensado o professor, invalidando uma posterior reintegração na área dos recursos humanos da DREN. O governo deve esclarecer isto.
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||| Respeitinho.
O que é lamentável sobre este assunto (professor de Inglês suspenso de funções por ter comentado licenciatura de Sócrates, sinal de que os mais papistas do que o papa se multiplicam) é que não tenha havido reacções, desmentidos, seja o que for. É o caminho aberto para a punição da licenciosidade e para a legitimação da pequena delação, da vigilância e do autoritarismo. Se a notícia do Público é inteiramente verdadeira, o Ministério da Educação só poderia enviar um sinal: impedir a suspensão do professor.
Ver a opinião de Filipe Nunes Vicente.
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19 maio, 2007

||| Zelo.
Há sempre gente zelosa, como a directora deste serviço. Leiam e aprendam. E respeitinho.

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15 maio, 2007

||| Campanha.
Luís Paixão Martins sobre a próxima campanha eleitoral em Lisboa.

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