23 outubro, 2007

||| Caros senhores do Jornal da Região.
Caros Senhores: por motivos que não vêm ao caso, interesso-me apenas moderadamente pelo que se passa no meu concelho. A minha freguesia tem limites muito flutuantes e não passa de um polígono cujos vértices são as escolas onde andam os meus filhos, a minha mercearia preferida, a tabacaria mesmo defronte de casa, a estação dos comboios e, com algum esforço, o paredão junto da praia que frequento quando me apetece. Reconheço que há mais coisas, como a Pastelaria Garrett, o Cruzeiro, a loja de flores, a livraria (que é mazinha) e o restaurante brasileiro do Sr. Toninho, que faz um mocotó supimpa. Compro a imprensa, regularmente, na tabacaria do Sr. Artur. Ora, de cada vez que abro a caixa do correio, vejo vários exemplares do vosso jornal com informações muito precisas e, provavelmente, correctas, sobre o que se passa no meu concelho. Acontece que eu não estou muito interessado no assunto. Devia, se quisesse ser bom cidadão, mas não estou. A caixa de correio, que é minha, serve-me para receber encomendas da Amazon, facturas da EDP, das Águas de Cascais, correspondência do banco e, eventualmente, cartas. Em tempos afixei lá um autocolante generosamente fornecido pelo meu amigo Rui, que pedia o favor de não meter lá publicidade indesejada. Uns dias depois, o autocolante tinha sido rasgado e havia três-exemplares-três do Jornal da Região. Ora, o Jornal da Região, sinceramente, não me interessa. Nada de pessoal; reconheço o vosso esforço jornalístico, prezo a vossa deontologia e o vosso sentido de oportunidade (esta semana tem uma peça sobre Nuno Eiró e Vanessa Oliveira e o anúncio de uma Marcha pela Saúde). Mas acontece que eu compro bastantes jornais e revistas para consumo próprio; é coisa que me basta. Lamento informar-vos, aliás, que os dois exemplares do vosso jornal, tão diligentemente colocados na caixa do correio, vão inevitavelmente parar ao lixo (sim, ok, para reciclar). Quando vou à mercearia ou ao talho há lá bastantes exemplares e calha de vez em quando ler isto ou aquilo; mas isso basta-me. Peço-lhes, portanto, o favor de não me entregarem mais exemplares do vosso jornal na caixa de correio de casa. Sou um mau munícipe. Sou um munícipe indelicado que não se interessa pela carreira do Carcavelos (que acaba de ganhar ao Talaíde) ou do voleibol do Nacional de Ginástica da Parede (quando muito, sigo o rugby do Cascais). Hoje tinha três exemplares do Jornal da Região, três cartas com facturas, um folheto de publicidade de um astrólogo ou argonauta ou marciano (confundo-os bastante), dois folhetos de ginásios, e outras coisas inconfessáveis. Mas três exemplares são demais. Um é demais. Agradeço a atenção, mas dispenso.
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20 outubro, 2007

||| Não acredites neles.
Sabe-se o que eles diziam (sirvo-me de um post do J. V., no 31 da Armada). Os cavalheiros que mudaram de opinião sobre o referendo podiam aparecer, porreiro, pá, e dizer: «Sim, pensávamos isto, mas mudámos de opinião porque, porreiro, pá, a situação mudou e a democracia representativa basta, etc.».
Só que os cavalheiros não fazem nada disso. Os cavalheiros tergiversam. Os cavalheiros acham que os eleitores não leram, não ouviram, e, se leram e ouviram, sabem esquecer, a pedido. Assunto arrumado.
Agora, preciso é de saber se é verdade que «Portugal perde o acesso por rotatividade à Presidência da União»; que «Portugal aceita que lhe sejam impostas decisões em domínios alargados por dupla maioria, mesmo que se oponha veementemente a elas»; e, finalmente, que «Portugal perde o direito automático a um comissário na Comissão Europeia». É evidente que tudo isto estava previsto. Mas precisamos de saber se é assim e se isso é bom ou mau. Os cavalheiros têm de o dizer, mesmo que todos saibamos que a importância de Portugal não deve ser sobrevalorizada. Só para sabermos se o Tratado é um tratado bom para todos, se é só bom para nós, se é mau para nós, se é uma capitulação ou, vá lá saber-se, porreiro, pá, se é apenas um cartaz turístico. Sem ressentimentos.
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17 outubro, 2007

||| As medalhas de Pequim.








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02 outubro, 2007

||| Os posts irritados. [Actualizado.]
O Pedro Correia irrita-se (e bem) por causa da Birmânia, como há anos me irritei por causa do Darfur (eram pretos a morrer, não valiam a pena a preocupação). Zapatero, o pequeno herói penteado, reafirma que «é preciso ver como estão as coisas, nada de reacções apressadas». Ele não quer irritar Putin, que se irrita por causa da Birmânia, que irrita Pedro Correia, que se irrita com a diplomacia de contenção. A vida é muito filha da puta.

Esta informação: «Os 43 Estados membros do Conselho [dos Direitos Humanos da ONU] renunciaram contudo a "condenar" a repressão, como previa a primeira versão do texto, apresentada pelo embaixador português Francisco Xavier Esteves, em nome da UE, depois de negociações para moderar o tom, que envolveram a Índia e a China.» Condenar a repressão? E porquê?
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