03 dezembro, 2007

||| Noite.
Nestas coisas, vale a pena lembrar aspectos desagradáveis como o caso Meia Culpa (e sucedâneos). Nessa altura, por causa de um «crime de província», viu-se que Portugal não era bem um país cheio de lavadeiras, com melros a cantar nas oliveiras. Agora, este crime e mais outros avulsos (o caso Luanda foi um epifenómeno) mostram que a grande noite urbana não está apenas colorida de glamour...
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30 novembro, 2007

||| Praxe, o regresso.










Em Elvas e Coimbra, dois casos que ajudam a ilustrar a miséria no meio estudantil.
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25 novembro, 2007

||| Cerveja maldita.
Não tem importância, mas ao fim da tarde de domingo, o site Orgulho Hetero tinha sido retirado do ar e o site da cerveja Tagus não lhe fazia qualquer menção. A patrulha venceu. Sobre uma campanha sem jeito, mas venceu. País de plástico e de covardes.
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||| A não perder.










A não perder, sob nenhum pretexto, a crónica de António Barreto no Público de hoje: «Eles estão doidos!»

«Os cozinheiros que faziam no domicílio pratos e “petiscos” a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente aos cafés e restaurantes de bairro sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializavam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.
A solução final vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, que não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado.
Esses exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais na gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
[...]
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas-de-berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido. Nas feiras e mercados, tanto em Lisboa e Porto como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Proibido.
Embrulhar castanhas em papel de jornal? Proibido.
Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.
[...]

Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.
Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.
[...]
Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
As regras, cujo cumprimento leva a multas pessadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.
[...]
Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.»
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24 novembro, 2007

||| O interior.










O presidente da República lamenta a desertificação do interior e o presidente da Câmara de Gouveia informa que nos últimos anos perdeu 3000 pessoas. A última grande iniciativa lançada para fixar empresas e pessoas «no interior», lançada pela então ministra Elisa Ferreira, previa uma festa com a redução de 5% no IRC. Mas a realidade é esta: um quarto do território com três quartos de população; três quartos do território com um quarto da população.
De vez em quando, o país inteiro (três quartos da população, um quarto do território) dá-se conta de que existe um país incompleto (um quarto da população, três quartos do território). O “país incompleto” pesa pouco na balança dos créditos e constitui uma ameaça para o orçamento, cada vez mais apertado quando se trata de financiar “regiões improdutivas”. Para uma economia estritamente liberal, seria conveniente arrendar esse território e ceder à exploração de uma entidade privada essa parcela populacional. O Estado lucraria imenso e livrar-se-ia de uma grande parte da taxa de analfabetismo, de agricultores humildes, de funcionários da administração pública, de guarda-rios, de professores deslocados e de médicos que ambicionam viver em Lisboa, Porto ou Coimbra. Três quartos da população (ainda que confinados a apenas um quarto do território) talvez não rejubilassem, porque grande parte deles conserva a sua condição de emigrantes na periferia das três maiores cidades, mas os responsáveis pela administração do Estado sorririam à ideia. De vez em quando há problemas em Miranda do Douro, em Portalegre, em Mogadouro, em Almeida, em Pias, na Covilhã ou na ilha do Corvo. Lamentáveis ocorrências apenas explicadas pela incúria e inoportunidade desse “país incompleto”. Sejamos realistas: metade do país não rende. Quer dizer: não é prestável do luminoso ponto de vista da rendibilidade económica. De resto, só défice. Esse “país incompleto” é bom apenas por poucos motivos: oferece uma boa área para que as estradas que vêm de Espanha e do resto da Europa atinjam o litoral sem problemas de maior, pontuados aqui e ali de bombas de gasolina, de restaurantes e de lojas de artesanato; e é “a terra” de muita gente que vai lá às romarias ou ao jantar de Natal. De resto, tirando o turismo de habitação, o país vinícola no Douro e no Alentejo, o circuito dos hotéis de charme e o esforço triplicado dos que vivem mesmo «no interior», o litoral vê o resto como hortas, pastagens e muita pedra. Não está posta de parte a hipótese de arrendar essa parcela do território. Ficariam com a bandeira portuguesa, sim. E até se mandariam professores. Mas, que diabo, seriam administrados por uma empresa que garantiria que o orçamento de Estado não geraria défices assombrosos com essa terra de ninguém que era bom entregar ao turismo rural e à “literatura fantástica” que se encarregaria de divulgar as suas potencialidades para os fins devidos. Quando há eleições autárquicas, autarcas dinossauros ou estreantes aparecem nas pantalhas. Os comentadores têm em conta a expressiva votação em Almeida ou em Vimioso, como no Alandroal e em Aviz? Não. Eles sabem que se trata de um quarto da população, três quartos do território. Esse país terá cartazes, outdoors, visitas do Tribunal de Contas e da IGAT. Tem estradas e IP, “acessibilidades” e Pólis, mas duvido muito que perceba as incidências do défice. Está em défice há muito tempo. Devíamos pensar nele por um instante.
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22 novembro, 2007

||| Música portuguesa, cultura portuguesa, todos nós, 2.
Dos comentários a este post, um dos últimos, assinado pelo João Bonifácio, questiona-me directamente: «Não percebo porque é que tem de vir a conversa do bacalhau e da sardinha e da Claudisabel. Portugal é isso? Ou o Francisco tem medo que Portugal seja isso (ou tem medo disso)?»
Não. Não e não. Eu acho que a Claudisabel é Portugal e não me envergonho disso (sei que a menção à Claudisabel tem alguma coisa a ver com a minha tendência para a devassidão). E o bacalhau também é nosso. E a sardinha. Do que eu discordo é, também – e muito – do benefício atribuído aos compositores e executantes de «música portuguesa», que estão supinamente defendidos da «invasão estrangeira» por meio da política de quotas.
O João Bonifácio pede para que se «discuta racionalmente a questão». Pois cá estamos. Primeira pergunta: por que razão há uma vantagem da «música portuguesa»? Acha que é «caricatural» invocar os nomes de Claudisabel, de Clemente ou dos Delfins (para nos mantermos naquilo que é tendencialmente kitsch)? Eu acho que são exemplos naturais e elementares. Segunda pergunta: se o princípio das quotas é válido para a «música portuguesa», por que razão não há-de ser válido para outros domínios? Se o legislador pode «evangelizar» a propósito da «música portuguesa» (falando do património, dos valores, das nossas coisas), o que o impede de evangelizar acerca da gastronomia, do futebol, da arte em geral, das raças caninas? Está bem; estou a chegar à caricatura. Mas se a racionalidade tem medo da caricatura, então quer isso dizer que se vão punir as caricaturas, ou se vai perguntar porque é que «isto» dá para caricaturar?
Outro tema: as playlists das rádios. Nada tão absurdo como discutir as playlists sem discutir a formação cultural e as directrizes dos programadores de rádio. Pode assumir-se que os dj das rádios são apenas dj, e então sabe-se que eles são apenas passadores de música; parece assumir-se que as playlists são inimigas da música portuguesa. Esse sim, é um tema que merece debate. Proposição: só não existe uma rádio que passe exclusivamente «música portuguesa» por falta de visão comercial. Argumento contrário: «Ah, mas ninguém ouvia...» Então, é necessária uma lei, mascarada de «cultural», que beneficie o comércio da «música portuguesa», de Claudisabel aos Da Weasel? Discutamos isso racionalmente, porque de «O Carteiro» (saudosos versos: «“Traz carta p’ra mim” / e o carteiro que é gago/ espera um bocado/ e responde-lhe assim:/ “Não não não não não/ não não não trago nada/ só só só só só/ só trago o pacote/ da sua criada”) até às «sonoridades características» (cito da lei) da música de Roberto Leal, há muito para falarmos. Segundo argumento contrário: «Ah, mas então iam passar Claudisabel, Tucha, José Malhoa, Toy, Ágata ou Madalena Iglésias...» Tem isso. Mas não se pode pedir que o legislador faça a playlist.
Nesta matéria, como em quase todas as outras, sou pela antropofagia cultural. Devoremos e reproduzamos. A vida é assim.

No caso da Antena 2, por mais que gostemos de peças de Carlos Seixas, de Bomtempo, Emmanuel Nunes, Frederico de Freitas, Vianna da Mota, Luís de Freitas Branco, João Pedro Oliveira ou Fernando Lopes-Graça, talvez seja impraticável, eu entendo.
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17 novembro, 2007

||| Gare do Oriente, um caso.
Passei uma década a viajar de comboio. Até escrevi um livro sobre comboios. Uma década, entre Lisboa e o que havia de Europa para conhecer. Estações minuciosamente esquadrinhadas para encontrar um restaurante, um duche, um canto para dormir, uma cabine telefónica, um terminal de autocarros ou de barcos. Tenho recordes para contar, como o de 16 dias seguidos a dormir em carruagens que atravessavam fronteiras visíveis e invisíveis, ou a companhia de viajantes ainda mais incansáveis. Linhas principais e ramais secundários. Não interessa. Do que me lembro, raras vezes senti a imagem de desprotecção proporcionada pela Gare do Oriente, onde me abasteço periodicamente de ligações ferroviárias. O Pedro Sales comenta o comentário de Duarte Calvão (já aqui comentado, por sua vez) e chama à Gare do Oriente aquilo que ela é: um apeadeiro «que custou 175 milhões de euros, o que deve ser um recorde mundial». A questão, caro Pedro, de facto, não é de ordem arquitectónica; é de respeito pelo viajante de comboio. Ela é o resultado de uma década de ouro do bacoquismo nacional, que de resto está à vista em quase todo o espaço da Expo. Gente fascinada pelas glórias da grande arquitectura deixou aquela zona entregue à desolação -- o que é matéria arquitectónica e é matéria política. Sobre o primeiro dos aspectos, pronuncio-me pouco, e a medo. Mas acho que há ali uma questão política, não no sentido em que as decisões de deixar aquilo como está foram tomadas por responsáveis políticos, mas porque tudo aquilo dá uma ideia de como eles vêem os utilizadores, os cidadãos, os viajantes, os habitantes: lixo, muito lixo; cafetarias sujas; zonas escuras onde não é seguro passar quando se chega no «comboio da noite»; labirintos mal sinalizados e cuja ordem só é apreendida depois de muitos dias de frequência; parques de estacionamento com pouca vigilância; bilheteiras ao ar livre com filas de viajantes agradecendo o vento de Inverno; salas de espera desconfortáveis; escadarias igualmente mal sinalizadas. Isto é uma questão política; os talentos da Expo permitiram que a «nova estação ferroviária» de Lisboa se transformasse num repositório de maus hábitos suburbanos, onde tudo apodrece, onde o lixo se acumula, onde não é agradável apanhar comboios num cais que não tem bancos suficientes para aguardar a hora de embarcar e que está desprotegido, onde chove e faz vento, onde o horror da camionagem está sempre presente.
Pessoalmente, prefiro apanhar o comboio em Santa Apolónia, na velha Santa Apolónia. Infelizmente, os Alfas não partem da bela São Bento. Um Estado que não garante conforto aos cidadãos; é esta a imagem definitiva. Compreendo a visão do arvoredo metálico da estação do Oriente, que deve ser um primor arquitectónico. Mas fatal, se lá pomos pessoas. Pessoas que merecem um lugar para se sentarem.

PS - No caso do «Terminal 2» do aeroporto de Lisboa, não há sequer considerandos de ordem arquitectónica. É como se ele fosse destinado aos camelos. Se me faço entender.
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15 novembro, 2007

||| Terminal 2.
Há quinze dias, aproximadamente, Medeiros Ferreira e eu tecemos alarvemente, e em lugar público, considerações cruéis sobre o que significava realmente a criação do Terminal 2 do aeroporto de Lisboa. Basicamente, o Terminal 2 é um barracão mal construído, desconfortável, onde nada funciona correctamente, onde quase tudo é feio e desastroso, e para onde a ANA e a TAP e a Groundforce e o Estado resolvem enviar os passageiros de voos domésticos. Ou seja, relegá-los para pessoal de terceira categoria, metidos num saguão onde não há lugares sentados, onde não há beleza nem conforto, onde tudo é desajeitado e de segunda e terceira ordem. Ainda o Inverno não está aí (e aí sim, quando vier, será realmente penoso), e já o Terminal (o barracão) está «avariado», a necessitar de reparações e de benfeitorias, metendo água e resvalando para a sujidade habitual. Esta é a forma como o Estado (e a ANA, e a TAP e a Groundforce) tratam os seus passageiros, os seus clientes e os seus contribuintes. É uma imagem perfeita da ideia que o Estado (e a ANA, e a TAP e a Groundforce) tem de nós todos: gente para maltratar. Eles não merecem senão que os tratemos mal.
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||| Gare de Oriente.








Caro Duarte: demolir e deitar fora, não digo; mas tentar corrigir aquela merda toda, contem comigo. A Gare de Oriente (incómoda, feia, desagradável, pouco amigável para os frequentadores de comboio, escura, suja, desprezível no seu conjunto) é um espelho do bacoquismo que nasceu, floresceu e cresceu à volta da Expo 98. Tudo imagens do iniludível progresso que essa grande geração plantou e ameaça continuar a plantar pelo país fora. Bacocos com nome de gente.
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10 novembro, 2007

||| Coisas que acontecem.
Em Viana do Castelo, um rapazola destruiu uma estátua de S. João durante uma destas noites, depois de se ter pendurado nela. Parece-me perfeitamente aceitável e a culpa é da autarquia. Porquê? Vejam o nome da praça em que estava a estátua: Praça da Erva. Depois queixam-se.
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||| O que é uma voz.
Tirando cinco ou seis companhias aéreas em voos de primeira classe e mais umas três que eu sei, o serviço é geralmente desgostoso. Mas, como se trata da TAP, acho que os «recursos humanos» deveriam providenciar um exame de voz para as senhoras (sobretudo) e os cavalheiros que falam pela «instalação sonora» dos aviões. Sim , eu quero uma voz mais simpática nos aviões. Eu quero que o tom seja simpático, e acolhedor, e entendível em língua portuguesa. Andar dez horas seguidas nos céus dá-me direito a isso.
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28 outubro, 2007

||| Leitura obrigatória.
Dois textos imprescindíveis no Expresso/Actual deste fim-de-semana, e reproduzidos no Portugal dos Pequeninos: o de Joaquim Manuel Magalhães («A Derrocada»), e o de Nuno Crato («O Eduquês Envergonhado»).
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26 outubro, 2007

||| BCP, BPI.
O assunto é financeiro, político e «estratégico», como ouço. Os analistas dividem-se, Jardim Gonçalves apoia, a imprensa online agita-se permanentemente. Siga o folhetim. Deste lado, porém, vejo ainda o que resta de uma tragédia que, a espaços, viveu como comédia. O «folhetim BCP» é outro dos casos em que, à vontade, podemos dizer «é bem feito». Rostos envelhecidos e derrotados, mas sobretudo envilecidos. É muito pior. Merecem.
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||| Jardins.








Esta notícia do Público
parece-me relevante e tenho de pedir desculpa pelo meu optimismo. Trata-se do HiperNatura, uma parceria entre o hipermercado Continente, a Visão e a Quercus: em todo o país vão recuperar 20 jardins.
Sim, é marketing. Mas vão recuperar 20 jardins. O meu amigo João Ferrão fala de «responsabilidade social no dia-a-dia» e diz que se trata de um «novo modelo de governação urbana, sem desresponsabilizar a administração pública». Isso, eu não sei. Mas são raras as cidades que apreciam realmente os jardins. Apareçam mais «parcerias» para recuperar mais vinte e outros vinte. Dava-nos jeito.
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23 outubro, 2007

||| Urbanidade e sensibilidade, nada mais.
Não conheço os «contornos» de toda esta história. Mas, em vez de termos notícias, todos os dias, acerca das idas e vindas de uma professora vítima de cancro, o Ministério da Educação, mais o da Segurança Social ou o da Saúde, já podiam ter arranjado tempo para demonstrar um pouco de urbanidade e de sensibilidade. Há coisas que não deviam depender de regularidades processuais e de fichas mais preenchidas. Governar não é apenas administrar fichas e processos; é também tomar decisões, interessar-se e manifestar opinião. Ou há coisas mal contadas ou a história é imoral.
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||| Ilegalidade.
O que se passa com a Farmácia de Santa Catarina, no Porto? Uma história incomum.
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|||O Tratado é complicado de mais.
De novo, excelente crónica de Manuel António Pina no JN de hoje:

«Dir-me-ão que Sócrates, na campanha de 2005, nos garantiu que haveria, que repetiu o mesmo já este ano (como que por acaso no dia 25 de Abril), que CDS, PCP, BE e o presidente da República o disseram também, que o PSD ainda há um mês o dizia. Só que, depois destes anos todos, já sabemos quando os políticos mentem: é quando estão a mexer os lábios. Não gastaria, por isso, cera com tal defunto não fosse o argumento de Vital Moreira, porta-voz oficioso do Governo, contra o referendo: o Tratado é complicado de mais para a mente simples do "cidadão comum", se o "cidadão comum" tentar lê-lo não passa da segunda página. Acha Vital Moreira que os "cidadãos incomuns" que se sentam na AR lerão o Tratado de fio e pavio e só o votarão depois de o compreenderem. Ora só quem não conhece o espírito crítico e a independência e craveira intelectuais que vão pela AR é que não lhe dará razão.»

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22 outubro, 2007

||| Tratado Europeu. Não é Tratado Português.
Como diz o Álvaro, «Portugal, que no sistema de votos ponderados pesava 3,47%, passa a "valer" apenas 2,14%, enquanto a Alemanha, que tinha 8,4%, passará a pesar o dobro, com 16,75% do total dos Vinte e Sete». Isto são contas feitas.
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||| O PSD a 100%.
O PSD é de esquerda ou de direita? Depende. Manuel António Pina no JN.
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||| Escutas ilegais: não sei.
Ferreira Fernandes lembra o óbvio sobre as escutas telefónicas ilegais; mais uma razão para que o PGR deva esclarecer o assunto. É evidente que a PJ vai ter dificuldade em trabalhar o assunto, mas o aviso fica.
Também é evidente outra coisa: os condes, viscondes, marqueses e duques protestam contra a história do telefone; mas deviam protestar contra os casos não resolvidos.

Ler o post de Filipe Nunes Vicente: «No entanto, é frágil: o chefe está sob escuta, um autarca pode ser morto por causa de um caminho vicinal ( aqui há tempos um foi mesmo morto), a Guarda é recebida à pedrada e a tiro qual matilha de cães raivosos. Há uma dissonância evidente, as pessoas percebem isso. Quando um preso preventivo é posto em liberdade, os media uivam como lobos e o aparato é enorme; quando o Estado é enxovalhado num rincão longínquo, a notícia é de rodapé. O Estado parece reservar para si o monopólio da violência no sentido em que a exerce apenas quando e como quer.»
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