30 Setembro, 2007

||| O cantinho do hooligan. As jogadas principais.
Bem gostava de comentar a jornada mas, enquanto na Luz o árbitro não via penaltis que o bandeirinha assinalava (um critério destes, no Estrela-Benfica, daria que falar, não?), na SportTv2 havia um jogo fabuloso: País de Gales-Fidji, no campeonato do mundo de rugby. Grande jogo.
Depois, chave de prata.
[FJV]

Etiquetas:

29 Setembro, 2007

||| Chimoio, 2.
Ele disse, ou não disse? Primeiro, disse que «os preservativos não são seguros porque eu sei que há dois países europeus que estão a produzi-los com o vírus [da sida] de propósito», com a finalidade de «acabar com o povo africano». Depois, desmentiu que tivesse dito, com o argumento de que «não tenho provas, como podia dizer uma coisa dessas?». Parece que, afinal, o bispo Francisco Chimoio disse mesmo que «há dois países europeus que estão a produzi-los com o vírus [da sida] de propósito», com a finalidade de «acabar com o povo africano». Robert Mugabe, estás a fazer escola.
[FJV]

Etiquetas:

||| Menezes.
Mesmo com um mau discurso de estreia, dá um certo gozo. Não me perguntem porquê, mas é bem feito.
Os senadores, entretanto, continuam na sala-de-espera porque até 2011 (os ciclos, os ciclos...) têm de adoptar firmeza, fineza e tento da língua. É o negócio que está em causa. A vidinha é muito populista, amigos.
[FJV]

Etiquetas:

||| Não está a ser fácil.
«O PSD tem de facto massa crítica e não está morto.» {José Pacheco Pereira, Abrupto, às 23h26 de ontem.}
«Pobre país, o nosso.» {José Pacheco Pereira, Abrupto, às 00h39 de hoje.}
[FJV]

Etiquetas: ,

28 Setembro, 2007

||| Democratização com a IURD.








Enquanto o governo não tem o seu próprio canal de televisão (mas vai ter, além da Radiobrás com o seu «Hora do Brasil»), Lula e os bispos da IURD aliam-se em prol da «democratização da comunicação social» no lançamento da Record News. [Na foto, Lula e o bispo Edir Macedo.] É a aliança que faltava, mas não é de estranhar. Edir Macedo já é o super-herói do povo.

Opinião de Reinaldo Azevedo: «Os amanhãs sorridentes estão garantidos. Nesta madrugada, enquanto a Record News reapresentava um jornal e depois reprisava as entrevistas de Renan Calheiros e de Lula, a outra Record garantia que, se tudo vai mal da vida do telespectador, basta que ele vá a uma Igreja Universal para participar de uma tal cerimônia dos 318 pastores. [...] PT e Universal são duas máquinas de explorar a ignorância, a crendice, a miséria material e a pobreza espiritual. [...]
Macedo e Lula tinham o que comemorar, não é? Um lançava a Record News, e o outro, a Lula News. Ambos estão crentes de que, desta feita, derrotam os inimigos. Mas eles têm também uma fragilidade: os aparelhos que criaram dependem de suas respectivas intervenções pessoais. Sem herdeiros, tendem a se esfacelar. E é o que vai acontecer. Para o bem da democracia. E do cristianismo.»
[FJV]

Etiquetas: ,

||| Chimoio. [Actualizado]
[Se forem verdade estas frases,] o bispo católico de Maputo é um homem que Robert Mugabe gostaria de ter consigo. Ele acha que «os preservativos não são seguros porque eu sei que há dois países europeus que estão a produzi-los com o vírus [da sida] de propósito», com a finalidade de «acabar com o povo africano». Porquê? «Querem colonizar tudo. Se não tivermos cuidado, estaremos liquidados dentro de um século.» Além dos preservativos, Francisco Chimoio garante que também os medicamentos anti-retrovirais estão infectados pelos europeus. Convidem-no para a cimeira.

Actualização: Francisco Chimoio desmente e «nega ter acusado dois países europeus de quererem matar a população de África com o vírus da SIDA».
[FJV]

Etiquetas:

||| Pela calada da noite, 2.









«
Seabra é quase veterano do movimento neonazi em Portugal, aos 24 anos pertence à Frente Nacional desde a fundação em 2004. E é um militante de armas. Enverga camisolas com a cruz suástica e, em Abril, a Judiciária apanhou-lhe uma espingarda semi-automática, uma granada e dois punhais. [...] Vai ter de responder em tribunal entre 36 skinheads acusados, mas, ao contrário do líder Mário Machado, aguarda o julgamento em liberdade. O ‘Lobo nazi’ recebeu a acusação do Ministério Público (MP) no último dia 15 mas, dez dias depois, na noite de terça-feira, voltou a atacar. Recrutou o iniciado João Dourado, 16 anos, e partiram os dois para o cemitério judaico de Lisboa, na Avenida Afonso III. Saltaram o muro e rasparam vinte campas com objectos contundentes, gravando cruzes suásticas antes de defecarem em dois túmulos.» Texto completo no Correio da Manhã.
[FJV]

Etiquetas: ,

||| Momentos televisivos. Versão quatro.
Depois de terem inundado a net com vídeos da recusa de Santana Lopes em continuar a entrevista, alguém tem por aí o vídeo da chegada de José Mourinho ao aeroporto Lisboa?
[FJV]

Etiquetas: , , ,

||| Momentos televisivos. Versão três.
Sim, Santana Lopes fez bem em abandonar os estúdios da SIC. Mas tratá-lo como salvador da Pátria Moral é um bocadinho excessivo, não? Ainda se ele tivesse saído a meio do «A Cadeira do Poder»... Mas o essencial, no meio desta discussão, perdeu-se: Santana Lopes defendia, creio eu, o adiamento das eleições no PSD. Ninguém comenta este dislate?
[FJV]

Etiquetas: , , ,

||| Para lá do hooligan.




Hoje comemoram-se 114 anos de história. Obrigado.
[FJV]

Etiquetas:

27 Setembro, 2007

||| José Mourinho reloaded.
«Não tenho a menor dúvida de que não há, na língua portuguesa, quem me chegue aos calcanhares.
E nada disto tem a ver com vaidade porque, como sabe, sou modesto e humilde.»
António Lobo Antunes, entrevista à Visão.
[FJV]

Etiquetas: ,

||| O cantinho do hooligan. Posta restante.
Agradeço os mails e sms de amigos dedicados, todos eles peregrinos a Fátima. Já passou. Mas o essencial continua.

De resto, uma vergonha nunca vem só. Jesualdo amarga o arrependimento; Duarte Gomes também -- é um herói; até Camacho riu no banco.

O Jorge acha que se isto foi assim por termos sido eliminados da Taça da Liga, então se perdermos o campeonato vai ser muito pior. Não. Perder o campeonato não é um escândalo; podemos perder o campeonato para o Sporting, para o Marítimo ou até para o Braga; são equipas que jogam bem e que estão na corrida em trinta jornadas. Alguém tem de perder e alguém tem de ganhar; um dos motivos por que as reacções clubísticas são tão despropositadas entre nós tem a ver com a «obrigação de ganhar» tudo. Não há tal obrigação. Alguém tem de ficar em segundo, em terceiro e em quarto. O problema é perder porque se é displicente, distraído, porque a equipa se transforma num bando de avestruzes coxas. Quero lá saber da Taça da Liga. E, se não ganharmos o campeonato, é porque alguém jogou melhor do que nós. O que não é admissível é que uma equipa se porte como um bando de repolhos.
[FJV]

Etiquetas:

||| Pela calada da noite.












O Cemitério Judaico de Lisboa foi invadido por um grupo de imbecis que deixaram suásticas nazis em 20 lápides.
[FJV]

Etiquetas:

||| Momentos televisivos. Versão dois.
Santana Lopes fez bem em abandonar o estúdio da SIC. Na realidade, teve coragem. Além de ter sido uma lição, foi também uma jogada bem executada e que nos pôs (a quase todos) a elogiá-lo desta maneira.
[FJV]

Etiquetas: , , ,

||| Momentos televisivos. Versão um.
Liga-se a televisão e é isto. Está uma pessoa à espera que transmitam as imagens da chegada de José Mourinho à Pátria, e está um cavalheiro no ecrã, pausadamente, a reflectir sobre as eleições no PSD. Não há paciência.
[FJV]

Etiquetas: , , ,

||| Liberdade e libertinagem.
O essencial do artigo de Marinho e Pinto (Público de ontem) sobre o tratamento do «caso Maddie» (referido por Vital Moreira) na imprensa está correcto. Discordo totalmente do apelo «ao combate contra a libertinagem de imprensa». Talvez seja matéria linguística apenas, mas o que é «apenas» matéria linguística há-de acabar por ser também matéria de facto. Há uns tempos, o Prof. Freitas do Amaral mostrou o que era a «libertinagem» a propósito do caso das «caricaturas do Profeta»; ou seja, indicou o caminho para os fariseus (outra questão linguística). Quando se condena «a libertinagem» para se defender «a liberdade» estamos no limite de um labirinto e de um perigo real. O livro de Ian Buruma sobre Theo Van Gogh «e os limites da tolerância» mostra uma parte do problema; Van Gogh seria apedrejado em Coimbra ou impedido de ir à televisão e à rádio. O problema do caso Maddie não é o da «libertinagem» da imprensa – mas o do horror à investigação, ao jornalismo e à verdade; e, naturalmente, o triunfo das teorias da conspiração, da desinformação policial, da maldade e do machismo lusitano. Isso combate-se. A libertinagem só se combate colocando a liberdade em perigo.

[FJV]

Etiquetas: ,

26 Setembro, 2007

||| O cantinho do hooligan. Nova aparição da Sra. de Fátima.











Reparem naquela posição do jogador do FC Porto, um verdadeiro prodígio de mariquice. Com estas inovações, não me admira que o resultado seja este. Jesualdo diz que está triste, «frustrado e com algum sentimento de vergonha». Algum? É caso para isso. Para ter muita vergonha na cara, depois de repetir a gracinha do ano passado, no jogo com o Atlético. Ele e a canalha que jogou daquela maneira, como uma equipa de bovinos esdrúxulos, um bando de repolhos mancomunados em púrria para envergonhar as camisolas do FC Porto e todo o brio que os seus adeptos merecem.
Poupar a equipa? Como é possível pensar numa barbaridade dessas ao fim de seis jogos, nem por isso absolutamente brilhantes? Como é possível que esse bando de avestruzes coxas se comporte em campo dessa maneira, como se estivesse à espera da «paragem de Inverno»?

Entretanto, imagens que ficam à espera para uma campanha futura:













Decidiremos em breve qual delas é a mais indicada. Antes que, qualquer dia alguém apareça a comparar-se com o Benfica, suprema humilhação (nem que o Benfica beneficie de penaltis roubadíssimos como o de hoje e jogue com Da Bao).

Nota: não percebo por que razão, a cada penalti apontado pelo Benfica, contra o Estrela da Amadora, o comentador da Rádio Renascença gritava «já está!» depois dos golos do Benfica, limitando-se a um «golo!», muito tímido, no caso dos do Estrela. Uma autêntica vergonha. Aliás, pouca-vergonha.
[FJV]

Etiquetas:

||| Contra factos não chegaram os argumentos. A crónica de João Fragoso Mendes.

Já se sabia que ia ser assim: 80 minutos de sacrifício contra um “pack” avançado romeno de grande poder, pronto para demolir, desgastando, a oposição portuguesa. Portugal, em vantagem por 7-0, ao intervalo, após uma primeira parte intensa, bem jogada, pressionante (através do jogo ao pé), a confundir e a obrigar o adversário a cometer erros, entrou no segundo tempo, mais desgastado, sem dar uma oportunidade à criatividade. Com os avançados já muito massacrados, era altura de alargar jogo, sempre que possível, de atacar de todo lado sempre que a bola fosse conquistada. O treinador português não terá querido seguir essa estratégia e os Lobos pagaram com uma derrota (evitável) o facto de não terem arriscado fosse o que fosse. Quando assim é, quando não se usa o melhor que temos, corre-se o risco de perder tudo. Os Lobos, que voltaram (todos, sem excepção) a bater-se como leões, a usar (dentro do estilo que a Roménia impôs) toda a sua coragem e determinação, acabaram por perder, não por qualquer azar, mas por não terem argumentos para se bater num tipo de jogo (feio e muito limitado) que o adversário domina bem e utiliza até à exaustão. Colheu os frutos desse jogo (através de dois ensaios obtidos através de um maul dinâmico e de uma sucessão de rucks junto à área portuguesa). O Mundial acabou para a Selecção Nacional com o sabor de ser de novo um português – o asa Diogo Coutinho – o Man of the Match. E com sabor também a alguma frustração. Ontem teve o pássaro na mão...

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]
[FJV]

Etiquetas:

25 Setembro, 2007

||| Kate.









Há uma semana, depois de sermos submetidos a uma aula de puericultura, fomos esclarecidos «sobre os vícios de Kate»: ela frequentava «esplanadas, charcutarias e lojas de roupa, decoração e produtos de beleza», e não dispensava o seu cabeleireiro. Coisas terríveis que uma boa mãe não devia fazer. Neste início de semana somos informados de que ela tinha a alcunha «lábios quentes» na universidade, «e não recusava um copo a qualquer hora». Há sempre uma maldição que vem do passado para justificar seja o que for. Uma coisa é o segredo de justiça; a maldição é completamente diferente. A imprensa e a polícia andam a estudar o «caso Medeia».
[FJV]

Etiquetas:

||| Povo que lavas no rio.










No El Pais de hoje:

«La Brigada Fiscal de la Guardia Nacional Republicana tiene fritos a los españoles que viven en Lisboa. Cada mañana sale de la comisaría y se pone a anotar matrículas. Sigue a las mujeres al supermercado, olfatea a la salida del Instituto Español, no se arruga ni ante la Embajada. Cuando sabe que el conductor no está de vacaciones sino viviendo en Portugal, el agente da el alto y aplica a machamartillo el artículo 22 de la Ley de Impuestos sobre Vehículos (ISV) de 29 de junio de 2007.
Y que te apliquen el ISV en Portugal no es cualquier cosa: "Primero te ponen una buena multa, luego te confiscan los papeles y te embargan el coche. Ahí tienes dos opciones: matricularlo, pagando entre 3.000 y 15.000 euros, o deportarlo. Si optas por no pagar, te acompañan a la frontera y te dan los papeles allí", explica el médico gallego Xoán Gómez.»

[FJV]

Etiquetas:

||| Oito horas.
O Aló, presidente deste último domingo, teve uma duração de oito horas, batendo o recorde anterior, de sete horas e quarenta e seis minutos. O próximo projecto de Chávez é o de atingir as dez horas consecutivas de emissão. Caray.
[FJV]

Etiquetas:

||| Borges de Macedo.
Hoje, na Casa Fernando Pessoa, às 18h30, lançamento da edição especial da revista Negócios Estrangeiros, número 11.3 (Agosto de 2007) com o tema Jorge Borges de Macedo: 10 Anos Depois (1996-2006). É uma homenagem ao professor e historiador.
Amanhã, com apresentação de Luís Francisco Rebello, lançamento de A Alma Trocada, o novo romance de Rosa Lobato de Faria (edição Asa).
Mais informações aqui, como de costume.
[FJV]

Etiquetas:

||| O cantinho do hooligan. Exigências.
Assim tudo se explica.
[FJV]

Etiquetas:

24 Setembro, 2007

||| À espera do brilharete (Portugal-Roménia). A crónica de João Fragoso Mendes.

São enormes, batem com força, são temíveis nas fases estáticas do jogo, mas, de todas as selecções presentes neste Mundial foram (pelo menos até agora) a equipa que menos râguebi jogou. Os romenos, de facto, com a sua enorme experiência (a maioria dos seus jogadores milita profissionalmente nos campeonatos franceses), assentam o seu jogo na capacidade dos seus avançados e num tipo de jogo fechado e de percussão. Para os bater, como aqui já se escreveu, é necessário jogar com muita ambição, coragem, paciência e, principalmente, com inteligência. Os Lobos já mostraram que têm todos esses atributos. Daí não ser impossível que, logo, ao princípio da noite festejem a primeira vitória portuguesa num Mundial de Râguebi. Não será nada fácil, mas está ao seu alcance, apesar do histórico “jogar” também a favor do adversário: nos últimos cinco jogos, Portugal apenas ganhou uma vez (16-15, em Lisboa, em 2003). Hoje, em Toulouse, na despedida da prova, se a equipa portuguesa jogar concentrada, se conseguir bolas para variar o jogo, se o alargar, por forma a contrariar a “centralização” táctica do adversário tem hipóteses. O “quinze” que Tomás Morais vai apresentar aponta claramente nesse sentido. Vamos ser optimistas e esperar pelo brilharete.

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]

[FJV]

Etiquetas:

||| África vista da Jutlândia.
Eduardo Pitta
põe Bille August em sentido e menciona aspectos pouco abordados quando se fala na África do Sul.
[FJV]

Etiquetas:

||| Dicionários.
Jean d'Ormesson e o gosto pelos dicionários.
[FJV]

Etiquetas:

||| Incentivos aos alunos.
Rio de Janeiro paga até R$ 4.560 a aluno que se formar com nota boa.
[FJV]

Etiquetas: , ,

||| TLEBS: em que ficamos?
Ficamos em que o Ministério da Educação não teve coragem de pôr a TLEBS a andar. Essa é a primeira conclusão depois de ler esta notícia:

«O Ministério da Educação suspendeu em Abril a experiência da TLEBS, mas não deu instruções aos editores dos manuais sobre o que fazer com os livros que já continham a nova terminologia. Os editores dos manuais escolares perguntaram, mas a tutela não deu resposta a tempo e horas. Resultado, mesmo com a Terminologia Linguística para Básico e Secundário (TLEBS) suspensa no ensino básico, há manuais do 4.º e 7.º ano a ser usados que contêm a nova terminologia.»
A segunda conclusão: não se sabe se o Ministério não sabe usar o seu poder, ou se não tem poder para decidir, ou se não tenciona cumprir aquilo que promete. Sobre a TLEBS já se disse o que havia a dizer. Resta pô-la a andar. Escrevi em Abril passado: «Como acontece no ensino do Português, tudo o que dá maus resultados é geralmente aprovado pelo Ministério da Educação. Espero que a ministra da Educação ponha ordem nessa corporação.» Não pôs. O Ministério é que parece refém da TLEBS.
[FJV]

Etiquetas: , ,

||| Bicicletas em Lisboa.











Tiago Mesquita Carvalho respondeu ao meu post sobre as bicicletas. Se o meu post tem já algum tempo e a resposta de Tiago duas semanas, a tardia publicação do seu texto deve-se à gripe e aos anti-ciclones em que andei. Mas um diálogo nunca se recusa. Escreve Tiago Carvalho:

«Escrevo-lhe, já com algum atraso, em resposta ao seguinte conjunto de linhas, por si redigido no seu blog A Origem das Espécies. Perdoe-me o atraso da encomenda, mas se consideramos que este mês de Setembro é dedicado à mobilidade europeia e ao dia europeu sem carros, veremos que a abordagem do assunto é até bastante acertada. Adiante.

Uma das coisas que sempre me surpreendeu foi a mania dos jornalistas portugueses falarem dos mais variados assuntos com uma familiaridade alarmante. Nisso, parecem estar bastante próximos dessa arte sofista do falar sem dizer nada: falam de cultura, debicam autores, peroram ideias, conjugam gostos, apontam opiniões, e com uma segurança tal que o leitor mais ingénuo julgará estar perante um arauto da sapiência. Claro que há uma hipótese que o poderia ilibar da minha suposição: como qualquer pessoa tem direito à opinião, o FJV que escreve no blog é rapidamente transmutado, e logo de seguida, no FJV jornalista, no FJV escritor ou no FJV director da Casa Fernando Pessoa e não necessariamente por esta ordem. [...]

E perdoe-me a eventual diatribe; parece-me ser um homem bastante razoável e o seu trabalho na Casa Fernando Pessoa foi uma lufada de ar fresco na vida cultural da capital, mas… Mas, o que afirma sobre as bicicletas em Lisboa é ridículo: não sei o que é um astronauta pedalante mas sei que FJV nunca verá jamais nenhum jornal ou pessoa que lhe explique a razão pela qual usar a bicicleta é um absurdo; pela simples razão de haverem pessoas que o fazem e pela simples razão de tal ser insofismável. A sua parca análise considera a Lisboa ciclável como o somatório de trajectos entre as sete colinas. E nos vales? E nas próprias colinas? E a passagem da colina do Castelo, via margens do Tejo, para a colina da Madragoa, só para indicar um exemplo
? E a restante Lisboa que não é o centro e onde não existem colinas? E os transportes públicos entre colinas adequado ao transporte de bicicletas? Bastante falacioso, o que escreveu, não concorda?

A bicicleta, fora de qualquer enquadramento político, é benéfica e deve ser vista como um meio de transporte. Os benefícios que proporciona são inegáveis, quer a nível individual, quer a nível colectivo, porque constitui uma alternativa ao automóvel que assalta e sufoca, diariamente, as ruas da nossa capital e dos espaços que deveriam ser nossos, das pessoas. O automóvel, símbolo da liberdade individual, no princípio do século XX, está hoje reduzido ao protagonismo supérfluo, incómodo e desconfortável, que estraga a cidade. Não sou contra o automóvel, mas continuar defender o seu uso nesta cidade é um disparate. Há que reequilibrar a balança da mobilidade, favorecendo os modos suaves e os transportes públicos.

Queria portanto convidá-lo para, no próximo dia 28 às 18h no Marquês de Pombal, vir descobrir por si próprio a facilidade de andar em Lisboa de bicicleta e as condições actuais que desfavorecem os utilizadores de bicicleta em Lisboa. Num ambiente descontraído, circularemos por Lisboa e apelaremos a uma maior adesão a este meio de transporte. Por Lisboa.

Mando-lhe em baixo algumas fotos de ciclistas em Lisboa [estão publicadas no início deste post], nos tempos dos nossos avós, disponíveis no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa.
Caro Tiago: uma conversa nunca se agradece. O que eu escrevi no meu post foi o seguinte: os candidatos à CML aparecem «de bicicleta, pedalando, certamente para incentivar os lisboetas a usar o velocípede colina acima, colina abaixo». O incentivo é meritório. Mas, repito, parece-me que a orografia não ajuda. Já andei de bicicleta nos meus tempos de Finlândia, e diariamente; a cidade era perfeita, com pistas (aquilo que agora se chama ciclovias) e parques. Tenho ali uma bicicleta para passear no Guincho. Andei de bicicleta em Amesterdão, só por falar em cidades. Mas não me estou a ver a subir até à Graça a partir do Terreiro do Paço. Pergunta-me o Tiago: por que não? Respondo logo: porque apanho um táxi ou um autocarro (podia referir a minha condição física mas o meu médico lê este blog). Quando ando em Lisboa, de um lado para o outro, ando de metro e de táxi. Parece-me desagradável subir até ao Príncipe Real vindo do Cais do Sodré, se bem que achasse graça ir do Campo Pequeno à Praça de Espanha (mas a fazer o quê?). Passear à beira do Tejo? Perfeitamente. Fá-lo-ia a pé, se não preferisse o paredão do Estoril. Tem toda a razão quando diz que a bicicleta «é benéfica»; do que eu não gosto é das fatiotas dos ciclistas que andam na marginal, em lycra, com os capacetes de astronauta. Não sei o que lhe diga.
[FJV]

Etiquetas: , ,

||| China.
Cristina Gomes da Silva, por mail, sobre a China:

«O que me causa uma impressão maior é a subserviência de alguma imprensa. Que as empresas zelem pelos respectivos interesses económicos, sem exageros, ainda se pode tentar perceber, de um Estado que se diz adulto e democrático já não percebo assim tão bem. O que me enjoa mesmo é a subserviência que impede povos e/ou pessoas de serem verdadeiramente soberanos.»
[FJV]

Etiquetas: ,

23 Setembro, 2007

||| O cantinho do hooligan. Móveis.








Hoje não comprámos nada na capital do móvel. Só fizemos entregas.

Como se dizia na imprensa «da época», respigo do Mais Futebol (às 21h23) a seguinte declaração de José Antonio Camacho, depois do Braga-Benfica: «Podemos acabar a jornada com seis pontos de atraso, o F.C. Porto tem ganho os últimos jogos, mas isso não me preocupa. Só me preocupa a minha ponta.» Justa e honestíssima preocupação. Mas tão pública assim?

[FJV]

Etiquetas:

||| O perigo amarelo.
Ou o medo da China, perfeitamente razoável. A Alemanha não cedeu à tirania chinesa; nós tivemos que ceder. A realpolitik tem razões conhecidas de todos, mas isso é uma coisa; outra, inteiramente diferente, é cantar-lhes fados de Coimbra, como aconteceu há uns anos. Feliz de quem não está no governo ou é governo em Berlim.
[FJV]

Etiquetas: ,

||| Alegadamente.
Contrariamente às profissões de fé em casos corriqueiros, em matéria política a imprensa gosta de manter tudo no lugar e com muito juizinho. Por exemplo, o que acontece no Zimbabwe são «alegados atropelos aos direitos humanos».
[FJV]

Etiquetas:

22 Setembro, 2007

||| O estado das coisas.










O Estado Civil, do Pedro Mexia, fez dois anos. É uma data séria. O Pedro é, entre outras coisas excelentes, um dos fundadores da blogosfera portuguesa (Coluna Infame, Dicionário do Diabo, Fora do Mundo). É uma das pessoas que mais admiro e um bom amigo – mesmo quando não nos vemos durante muito tempo. É um grande poeta, um escritor que prezo muito, um dos nossos melhores cronistas. Se eu pertencesse à sua geração diria que «ele é o melhor de nós» – pelo que escreve, pelo que é, pelo que há-de escrever e pelo que vai ser. Os seus textos romperam com «a ideologia do bem-estar literário», dominante na imprensa e nos debates; a sua voz é das mais elegantes e melancólicas da nova poesia portuguesa. Foi corajoso na imprensa. Ganhou ódios de estimação porque não pertencia aos círculos da universidade e tinha mais competências do que eles. Ou porque não tinha nascido nas trincheiras da esquerda, o que era um pecado fatal. Ou porque, simplesmente, é culto, informado, tolerante. Uma das características do trabalho do Pedro, em qualquer área, é a de surpreender sempre aqueles que gostam do mundo muito bem catalogado. Ele não pertence a esse universo. Às vezes, devemos ter inveja dele. É uma forma de dizer que o admiramos. Ele merece.

[As fotos não têm nada a ver com o Estado Civil; são de uma das mais belas bibliotecas que visitei, a Athenaeum, em Providence, Rhode Island. Fundada em 1753, foi frequentada por Poe, que viveu uns quarteirões acima. Tem livros belíssimos, corredores cheios de penumbras onde há sempre uma cadeira para aproveitarmos uma janela ou um recanto iluminado pela luz da tarde. Conhecia-a graças ao Onésimo Teotónio de Almeida, naturalmente, e sempre achei que era um lugar excelente para o Pedro. Eu digo-lhe porquê. Ele suspeita.]
[FJV]

Etiquetas: ,

20 Setembro, 2007

||| O cantinho do hooligan. Mourinho.
Confirma-se a previsão: o Chelsea despede-o, ele fica milionário e vai treinar outro clube. That's business.
[FJV]

Etiquetas:

||| Notas de depois do jogo.


1. O Tiago Mendes, ainda a propósito deste post, escreve por mail:

«Não muda muito a cosia, mas creio que foram 6 ensaios em 18 minutos. Tenho quase a certeza de ter visto o numero 18 num comentário na imprensa ao jogo e, se pensarmos sem qualquer informação, tendo em conta o tempo de conversão da penalidade, mais o reatar do jogo, perda/segurar da bola, mais o ataque e o ensaio dificilmente possibilitariam uma média por ensaio de pouco mais de 1 minuto - mesmo no caso de um verdadeiro "massacre".»
2. Sim, vi o jogo. Achei bem o comentário do Tiago. Reservo-me para o jogo com a Roménia. Ainda em fase de gripe, a única frase que pude pronunciar, ao ver os italianos a levantar a crista, foi: «Dá-lhe, Vasco, dá-lhe!» Temi uma recaída.
[FJV]

Etiquetas:

||| Verdadeiros leões à solta (Portugal-Itália). A crónica de João Fragoso Mendes.


Os Lobos (ou os leões?) mostraram ontem em Paris que estão no mundial por direito próprio. Uma exibição notável contra a Itália, com uma estratégia bem montada, uma vontade indomável e uma defesa a placar tudo o que mexia, quase proporcionaram uma enorme surpresa. Os dois ensaios dos últimos dez minutos desequilibraram um resultado até então muito apertado (19-5) para uma equipa com pretensões como a italiana. Os 31-5 finais são bem diferentes dos 80 pontos sofridos na fase de qualificação. A equipa portuguesa esteve enorme e confundiu por completo o adversário. João e Vasco Uva, David Penalva, José Pinto, Duarte Cardoso Pinto, João Correia e Diogo Mateus estiveram “enormes” num todo que esteve muito acima das expectativas. Agora, venha a Roménia. Pelo que se viu na terça-feira contra a Escócia, o seu râguebi físico (já bem nosso conhecido) pode ser contrariado com imaginação. O último encontro dos Lobos no Mundial, no dia 25 em Toulouse, será, fundamentalmente, um jogo de ambição, inteligência e de coragem. Será difícil – muito difícil – vencer mas não é impossível. Espero, nesse dia voltar a ficar sem fôlego só de ver aqueles bravos. Foi muito bonito. Para eles e para o Râguebi Português.

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]
[FJV]

||| Coisas para fazer.
Hoje, lançamento de Canário, de Rodrigo Guedes de Carvalho, na Casa Fernando Pessoa, às 21h30.
[FJV]

||| A grande vantagem.
Sair de uma grande gripe tem as suas enormíssimas vantagens: primeiro, começamos por poder respirar; depois, reparamos que toda a gente respira e já não achamos aquela graça. Mas voltamos à vida. Não é mau. Há sol.
[FJV]

Etiquetas:

17 Setembro, 2007

||| Código penal.
No meio da gripe, mesmo assim, parece-me o seguinte: está toda a gente muito aflita com a saída de criminosos, arguidos, suspeitos, todos em prisão preventiva. Simplesmente, atribui-se o despautério à lei que agora entra em vigor mas não ao facto de haver gente detida durante meses e meses sem acusação formada.

Ler «Contra o Histerismo Corporativamente Provocado», de Carlos A. Amorim, onde se anotam, já com bastante minúcia, vantagens no novo código de processo penal;
«Jus», de Gabriel Silva, sobre o que é evidente; o Patologia Social, do José António Barreiros, estuda o código.

[FJV]

Etiquetas:

||| Canário.













O novo livro de Rodrigo Guedes de Carvalho: «Todos estes anos com grandes livros sobre as relações, sobre uma certa vulgaridade dos homens. Sempre cheio de moral, de sermão aos peixes. A teceres a teia de que és diferente, que conheces e expões a natureza humana, como se a olhasses de cima. E afinal?»
[FJV]

Etiquetas:

||| Notas de segunda-feira.


Com gripe, não há rugby que valha. Valem os outros:

No World Affairs: «Still, at least they didn't really hurt any of those nice men from Portugal.»

No Planet Rugby: «Portugal started the game full of spirit and threw themselves at the All Blacks in every aspect of the game, and until the twentieth minute managed to frustrate their superior opponents.»

No Vontade Indómita: «Francisco José Viegas acha que "seis ensaios permitidos em oito minutos é desaforo" e "que foi uma cabazada com placagens falhadas". É verdade; mas disse-o como se o contrário fosse fácil, como se fosse uma luta entre partes iguais e alguém tivesse baixado os braços ou enfiado a cabeça na areia.»
[FJV]

Etiquetas:

16 Setembro, 2007

||| O rugby já não é o que era. A crónica de João Fragoso Mendes.


Há vários campeonatos no Mundial de Râguebi – o das “grandes potências” (Nova Zelândia, Austrália e África do Sul); o das “potências” (Inglaterra, França, Argentina, Escócia, Gales, Irlanda e Itália); a seguir o dos “emergentes confirmados” (Fiji, Samoa, Tonga, Estados Unidos, Canadá, Geórgia e Roménia); e, no final, o dos “ainda a emergir” (Japão – já com certo avanço - Portugal e Namíbia). Neste quadro, as referências que a maioria dos portugueses têm em relação à modalidade (dos anos 60 e 70) estão ultrapassadas e enterradas. A, para muitos de nós, mítica França, nos últimos três jogos que fez com os All Blacks perdeu “apenas” por 10-65, 11-42 e 3-47 (este último em Paris); a Inglaterra, campeã mundial em título, foi batida pelos mesmos neozelandeses, em Londres, no final de 2006, por 41-20; essa mesma Inglaterra já neste mundial não conseguiu melhor que sofrer apenas 36 pontos e não marcar nenhum (!), frente à África do Sul. O râguebi do hemisfério sul já cavou um enorme fosso e não é difícil prever que uma das três “grandes potências” venha a erguer o ambicionado troféu Webb Ellis. Neste enquadramento não se exija demais a Portugal. Não temos (ainda) “pedalada” para perder com a Nova Zelândia por menos 40 pontos.

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]
[FJV]

Etiquetas:

||| Computadores na escola.
No De Rerum Natura, um texto sobre computadores na escola. Este assunto, eu acho que deve ser discutido. E muito.
[FJV]

Etiquetas: ,

15 Setembro, 2007

||| Momentos mágicos. A crónica de João Fragoso Mendes.


O resultado, já todos sabíamos, ia ser (muito) desnivelado e o objectivo de perder por menos de três dígitos ficou pelo caminho. No entanto, para os que sabiam disto e das diferenças de andamento entre as duas equipas, houve no jogo de ontem com os All Blacks um período e vários momentos mágicos. O período situou-se entre os 43 e os 58 minutos, altura em que Portugal conseguiu algo raro: instalado com “armas e bagagens” no meio campo adversário obrigou a Nova Zelândia a cometer erros, por via da sua pressão. E marcou, num dos tais momentos mágicos, um ensaio “impensável” na sequência de sucessivos rucks junto à área. Os Lobos subiram claramente com a mudança dos médios ao intervalo e a pressão naquela altura valeu por um campeonato. Segurar os Blacks lá atrás, junto à sua área, mesmo que por um curto período, não é para todos. Depois, vieram os temíveis 20 minutos finais e os All Blacks, como grande equipa que são, “trataram” Portugal como tratariam a Inglaterra ou a França. Libertaram-se do embaraço que os Lobos lhes estavam a provocar e cavalgaram, como é seu hábito, para mais seis ensaios que resultaram em 42 pontos. Apesar de tudo, perante tal adversário, Portugal foi, a espaços, brilhante.

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]
[FJV]

Etiquetas:

||| Ena, a cabazada.










Como estava previsto, levámos uma cabazada. 108-13 dos All Blacks. Contrariamente aos que o Pedro Correia critica, eu não acho que fosse uma vitória moral coisa nenhuma. Acho que foi uma cabazada com placagens falhadas (seis ensaios permitidos em oito minutos é desaforo) e erros de defesa que foram fatais. Mas devo dizer o seguinte: até aos 23 minutos, sim, era uma vitória moral. Depois disso, foi encher o saco (era só ler o aviso dos primeiros ensaios de Joe Rokocoko, furando as linhas). Não importa; já está. Agora, façam os curativos para dançar a tarantella com os italianos, na quarta-feira.
Entretanto, os ingleses estão deprimidos depois do banho de ontem. O Criador não dorme.
Mais logo, como de costume, a crónica de João Fragoso Mendes.
[FJV]

Etiquetas:

||| Cervejas.













Passado mais de um ano sobre a edição do livro 99 Cervejas +1 ou como não Morrer de Sede do Inferno, ficam disponíveis na net as fichas de leitura das cervejas que figuram no livro. Na próxima Primavera sairá um guia com 500 cervejas (aceitam-se sugestões, ainda). Neste momento (aproveitando as tiragens de Verão) procederei, com um grupo de amigos, à prova das 32 cervejas portuguesas disponíveis no mercado. É aventura pesada. Mas seis delas estão no quadro internacional. Bom proveito.
[FJV]

Etiquetas:

||| O cantinho do hooligan. Alguma moral no futebol, s.f.f.
O João Pinto e Castro nunca esperou que a «agressão de Scolari a um jogador sérvio pudesse vir a revelar-se um ponto de clivagem entre a direita e a esquerda». Depois, reunindo uma série de posts (entre os quais este) cola-lhes o selo de «apologia da violência com os mais variados pretextos». Pela parte que me toca, declaro que não faço nenhuma «apologia da violência com os mais variados pretextos»;os meus pretextos são simples: limitei-me a dizer que, à vista de tantos moralistas (uma enorme concentração de ex-namoradinhos «do Sr. Scolari») a pedir a demissão «do Sr. Scolari», me apeteceu ir a Espanha à procura de «sérvios disponíveis para serem agredidos». Depois de, em tempos, me ter divertido bastante a fazer a «apologia da violência» contra «o Sr. Scolari», pedi agora que não o demitissem porque gosto, enfim, por motivos patrióticos, de «dar sarrafadas» nos seleccionadores nacionais. Ou em grande parte deles. E ele põe-se sempre tão a jeito que apetece.
[FJV]

Etiquetas:

||| Os delinquentes. Tinham saudades?
Os delinquentes salvaram a pele. Renan Calheiros não foi salvo pela escumalha; o que ele abriu foi uma crise descomunal de que o Brasil se livrará com dificuldade. Ao mesmo tempo que o PT lança vergonhosamente sinais de que, por si, mudaria a Constituição para um terceiro mandato de Lula (a história do 3 na estrelinha do partidão, com o apoio discreto do Banco do Brasil), o salvamento do presidente do Senado significa que, a partir de agora, a política do lulismo pode tudo. Com chantagem e com despudor, à vista de toda a gente. Queriam-no? Aí o têm, ao Apedeuta.
[FJV]

Etiquetas: ,

||| Chegou o dia. A crónica de João Fragoso Mendes.


Um aviso: os que têm debitado disparates sobre a presença portuguesa no Mundial de França, particularmente na blogosfera; os que escrevem de cátedra sobre o que não conhecem; os que pararam no tempo e pensam que o Râguebi em Portugal está ainda nos anos 60; todos esses passem adiante. Este texto, dirige-se apenas aos que sentem o significado do Portugal-Nova Zelândia de hoje. A Escócia foi aperitivo, a Itália e a Roménia serão “entreténs”. O jogo, o grande momento, é o de hoje. Se há uma vintena de anos me garantissem que a equipa nacional iria estar num Mundial e iria bater-se com a Nova Zelândia, o mínimo seria um sorriso e uma tirada do tipo “seria bom sinal”. O facto é que, duas décadas depois, aí estamos, prontos para enfrentar os míticos All Blacks. Andou-se muito desde Maio de 1981, quando Portugal, no regresso às competições, venceu a Suécia e o Grupo C do Europeu. Só podemos ter uma pontinha de inveja de esta tarde não estarmos (todos) lá. No relvado do Stade de Gerland.

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]
[FJV]

Etiquetas:

14 Setembro, 2007

||| Culpa e perseguição.








O caso McCann comove, mesmo à distância. A multidão ulula, querendo justiça e sangue. O rosto de Kate McCann, aparentemente impassível convida as multidões ululantes à gritaria; coisa de «cultura», como me explicam, porque as «multidões do sul» sofrem ruidosamente como todos os coros de carpideiras. Numa peça de televisão revejo aqueles rostos irados, pedindo justiça e sangue; e, ao mesmo tempo, vaiando Kate McCann. Por isso, a frase mais exemplar de todo este processo é a de Bruno Sena Martins, que escreveu isto: «Quase desejo que aqueles pais sejam culpados para não estarem inocentes a sofrer tudo isto.» É uma frase igualmente cruel; mas, banalizada a crueldade da rua, a criança desaparecida já desapareceu. Agora, as multidões querem culpados; a criança desapareceu. Porque, se estes pais (se Kate McCann) estão inocentes e ouvem toda esta gritaria, qualquer coisa terrível terá de acontecer.
[FJV]

Etiquetas:

||| Notas soltas antes do jogo. No mercy for Portugal.














1. Amanhã ao meio dia, os Lobos jogam com os All Blacks. O primeiro sinal vai ser durante o Haka. Quero ver o olhar dos rapazes; intimamente, gostava que desatassem a rir.

2. Graham Henry, o seleccionador neozelandês: «Eu vi o jogo [de Portugal] contra a Escócia na semana passada e fiquei impressionado com o entusiasmo e o enorme espírito que colocaram em campo. Eles estão muito satisfeitos por estarem aqui e divertem-se a jogar râguebi no Campeonato do Mundo. Estou mesmo impressionado com a atitude deles. Tenho a certeza que Portugal está muito entusiasmado com o jogo e os adeptos também vão estar.»

3. Toda a gente murmura que a Nova Zelândia alterou toda a equipa, mudando onze jogadores. Mas não se trata de uma segunda linha; a Nova Zelândia podia enviar quatro selecções A ao Mundial.

4. Ora, Portugal também vai mudar mais de metade da equipa. Nove jogadores, no total. Na defesa, aliás, há uma mudança muito significativa: David Mateus sai e, em princípio, não vai estar no jogo. O que significa que, mesmo com a alegria do jogo, e o amadorismo, não se esquecem aquelas duas placagens falhadas («Na defesa não podemos falhar placagens», avisou o treinador, optimista). E fatais.

5. Se a Nova Zelândia muda onze e Portugal muda nove, não há argumentos nem desculpas; é jogo puro, Tomás Morais está na linha de risco. Leon MacDonald, um dos All Blacks, relembra: «They're pretty brave. They tackle their hearts out. When they play against us they will have confidence that they can compete, like they competed against Scotland.» O título da notícia é este: «No mercy for Portugal, MacDonald warns.»

6. Ao dar a notícia das nove mudanças portuguesas («incredible nine changes»), o site de tv Setanta, menciona o kiwi clash: «Portugal name team for Kiwi clash.» «Portugal have made an incredible nine changes to their starting XV for their first ever meeting with New Zealand in Pool C on Saturday.»

7. O site Rugby Heaven, da Nova Zelândia, titula: «Portugal parody not up to standard.» E mais à frente: «Yes, it's the chance of a lifetime for 15 unknowns from Portugal but is being the victims of a stampede in front of a global audience really something they'll relive with the grandkids?» (Aqui, a análise das mudanças portuguesas.)

8. Depois das palavras elogiosas de Laurent Bénézech sobre a selecção portuguesa, vamos ver como ele aprecia o jogo de amanhã. O seu site resumia: «L'ogre et les Loups».

9. Mais logo, a crónica de João Fragoso Mendes sobre o jogo de amanhã.

[FJV]

Etiquetas:

||| Correspondência geral.


Almerindo Morais, por mail, relembra este passo da entrevista de Gonçalo Uva ao Público:

«Quais são os objectivos de Portugal para o jogo de amanhã?
Eu quero divertir-me. Quero entrar em campo e desfrutar do momento. Não sei se os treinadores querem que eu fale dos objectivos...»
Acrescenta A.M.: «Não se lhe pede mais nada. Só isso mesmo, divirtam-se e aproveitem bem o momento.»
[FJV]

Etiquetas:

||| Música de malandro.

A Roda de Choro de Lisboa vai estar na Casa da América Latina no próximo dia 27. Vai haver polcas, mazurkas, maxixes, baiões e valsas, além de Noel Rosa, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, João Bosco, Waldyr Azevedo e Ernesto Nazareth, entre outros.
[FJV]

Etiquetas:

||| Cerveja.
A visitar o ciclo de posts de Luís Carmelo sobre cerveja e literatura. Eu gosto da relação. Tem espuma.
[FJV]

Etiquetas:

||| Direito aos direitos humanos.
Ontem, ouvi um membro do governo declarar que «os direitos humanos não são negociáveis» e que o problema da vinda de Robert Mugabe seria tratado com pinças. Mas, insistiu: os direitos humanos não são negociáveis, a Europa não abdica de falar deles mesmo que Mugabe ladre. Eu acho bem. O nazi de Harare é um dos dejectos de África.
Que os europeus bradem pelos direitos humanos em África parece justo e decente; mas também é mais fácil e não é muito polémico. Talvez um dia digam isso aos chineses.
[FJV]

Etiquetas: ,

||| Sexo à vontade.











Oiço na rádio os dados de um estudo que revela sinais prometedores para a democracia. As mulheres portuguesas querem mais sexo, cerca de 56% acha que o ideal é uma frequência de «quatro a cinco vezes por semana»; 27% delas prefere «todos os dias» ou «várias vezes por dia». O mundo tem sentido, mesmo que dê muito trabalho.
[FJV]

Etiquetas: ,

||| Mães e filhos.
A imprensa ficou muito chocada com as revelações do diário de Kate McCann. Não só parte da nossa (aquela que acha que os culpados devem ser escolhidos segundo a fé dos editores ou dos informadores que têm de garantir). Os jornais espanhóis e brasileiros, que eu li ontem, demonstravam choque e pavor: a mãe achava que as crianças eram histéricas, que Maddie era hiperactiva e que o marido não ajudava a tratar dos gémeos. Daí se infere, portanto, que estava tudo escrito. Uma mãe que acha isso está destinada ao infanticídio, à carreira do crime -- e à condenação popular. Primeiro, procuraram-lhe as lágrimas; não encontraram. Depois, investigaram no diário expressões de dedicação maternal mais delicodoce; não encontraram. Está, então, tudo explicado.
Não me interessa a investigação; apenas acompanho. Mas estas inferências explicadas ao povo são escolhidas a dedo. Todas as mães chamaram histéricos aos seus filhos e todas já acharam que eles são hiperactivos. Todas já acharam que os maridos (como aquele) não as ajudavam. Todas elas, em algum momento, pensaram na sua vida sem filhos. Todas elas têm vida para além dos filhos e nenhuma delas está exclusivamente destinada, como se fosse carne para canhão, à carreira de reprodutora e puericultora. O que se pretende fazer com a «caracterização psicológica» de Kate McCann é uma filha da putice.
[FJV]

Etiquetas:

||| O cantinho do hooligan. Mau feitio.
Só para que conste, por causa do mau feitio: ontem de manhã, as rádios transmitiram apelos lancinantes do povo para que Scolari se demitisse ou fosse demitido, porque aquilo (andar a bater em sérvios) não se faz. Eu acho que Scolari tem sido um treinador abaixo do razoável, ao nível da burrice média e do primeiro dos jogos com a Grécia. Basta ver os últimos seis jogos da selecção. Miséria. Se fosse por isso, aceitaria que se ponderasse a demissão nesta altura do campeonato. Mas tamanha indignação do povo (acrescentada à indignação de Javier Clemente, cujo penteado é quase tão mau como o de José Antonio Camacho), pedindo moral nos estádios e polícia de costumes nos lares, gritando contra o sangue na estrada e os mosquitos nas albufeiras, indispôs-me a sério. Ao ver tamanha concentração de ex-namoradinhos de Scolari a bradar em nome da moral, deu-me uma vontade fatal de lhe mandar um abraço e de ir a Espanha à procura de sérvios disponíveis para serem agredidos. Não vi a entrevista na RTP, ouvi só o essencial da lamúria de perdão. Que queiram puni-lo por defender um futebol asno, já vêm atrasados. Mas que queiram castigá-lo por motivos destes, entregando-o a Javier Clemente, à UEFA e aos patetas da ordem, não contem comigo; um seleccionador nacional existe para o podermos criticar permanentemente e para lhe encontrarmos defeitos e vícios insuportáveis; mas é nosso e faz-nos jeito. Agora, entregá-lo por causa das «cores nacionais» e do «espírito desportivo» e do «fair play» e do «desgraçadinho do sérvio»? Não. Queremo-lo cá para lhe aplicarmos sarrafadas. Mas só nós.
[FJV]

Etiquetas:

||| Género humano.
O artigo é ligeiramente enganador, mas tem momentos: «É como se a solidão fosse uma molécula ou deixasse uma impressão digital no organismo.» Investigadores descobrem marcas da solidão nos genes. Mas não é bem neles, nos genes. O género humano às vezes agrada-nos quando sofre.
[FJV]

Etiquetas:

13 Setembro, 2007

||| O cantinho do hooligan. Toca-e-foge. Versão quatro.
Perder não é vergonha nenhuma. Alguém tem de perder e alguém tem de ganhar. No final do Portugal-Polónia, Scolari referiu-se àquela infelicidade: o golo polaco a uns minutinhos do fim. Eles marcaram e empataram porque Portugal (nós) jogou para isso. Ontem, houve nova infelicidade: o golo sérvio a uns minutinhos do fim, com uma arbitragem de Merk e um jogo de merda. Não concordo em absoluto; houve outra infelicidade: ele admite que, se lhe tocou (a Dragutinovic), «foi num cabelinho», o que é uma vergonha. Para lhe tocar, tocava-lhe em cheio.
[FJV]

Etiquetas:

||| O cantinho do hooligan. Toca-e-foge. Versão três.
Perder não é vergonha nenhuma. Há, até, uma certa glória em ser o eterno derrotado. Portugal foi o eterno incapaz durante anos. Ele seria derrotado no Euro se não tivesse abdicado da sua burrice depois do primeiro jogo com a Grécia. O resto é normal: perder, ganhar, até empatar. Já não é normal usar mal os jogadores de que dispõe e transformá-los em sacristães para ajudar às missas em honra da Senhora do Caravaggio, como simples ajudantes. Ele gosta de bailes de garagem onde só entram os amiguinhos. Agora, impedi-lo de dar um sopapo no Dragutinovic é talvez demais.
[FJV]

Etiquetas:

||| O cantinho do hooligan. Toca-e-foge. Versão dois.
Perder não é vergonha nenhuma. Que o um treinador goste de repetir as burrices que o fizeram ser futebolisticamente burro, já é caso para protestarmos. Mas que o ataquem por, no pleno uso das suas faculdades, agredir um sérvio, é má-fé.
[FJV]

Etiquetas:

||| O cantinho do hooligan. Toca-e-foge. Versão um.
Perder um jogo não é vergonha nenhuma. Perder vários jogos também não. Perder todos é quase uma glória. Mas empatar, empatar, empatar – já me parece sinistro. Agora, empatar e, no final, não ser capaz de agredir um sérvio e limitar-se àquele toca-e-foge para logo a seguir se esconder atrás da rapaziada, já é medonho.
[FJV]

Etiquetas:

12 Setembro, 2007

||| Ano novo. Rosh haShanah.










L’shanah tovah tikatev v’taihatem.
Rosh haShanah.
ראש השנה

[FJV]

Etiquetas:

||| Booktailors / Blogtailors.
Nuno Seabra Lopes e Paulo Ferreira criaram a Booktailors [Consultores Editoriais] e o Blogtailors é o seu blog. Na definição dos seus autores, o Blogtailors é um «espaço onde todos os interessados em edição, profissionais ou curiosos, possam participar e conversar sobre edição. É um lugar para fazer amigos e trocar opiniões.» Quanto à Booktailors, está já a funcionar como scout para algumas editoras portuguesas.
[FJV]

Etiquetas:

11 Setembro, 2007

||| Noticiário geral. Los Lobos.














Belo post, o de Rui Bebiano, no A Terceira Noite: «
São brados e estados de alma, como o cantam, vibrantes e únicos, os nossos rapazes da selecção de râguebi, neste momento a disputar em França o mundial da modalidade. Se não me entendem, vejam e oiçam como se canta um hino a sério, no próximo dia 15, cinco minutos antes dos corajosos Lobos defrontarem os esplêndidos All Blacks e a vozearia maori da sua haka. E depois cantem-no assim. Ou então façam como eu e calem-se para sempre.»
[Foto no site oficial e no blog Prosas Vadias.]

Vídeo da equipa nacional de rugby a cantar o hino. E o vídeo do ensaio de Pedro Carvalho no jogo contra a Escócia.

O primeiro português a fazer um ensaio num Mundial de rugby merece este elogio no site oficial: «Pedro carves out a place in history»: «Portugal wing Pedro Carvalho can't wait to face New Zealand, having become a national hero for scoring his country's first rugby world cup try on Sunday


No The New Zeland Herald: «Rugby: Portugal determined not to be intimidated»: «
There are many observers who fear that record could be smashed when New Zealand take on Portugal next weekend. But the Portuguese were feted like heroes despite conceding eight converted tries to the Scots. The 34,000 crowd hung on every little victory the Portuguese achieved against Scotland and were given prolonged applause after full-time, with the sporting Scots lining up to clap them from the field.»

Portugal fez uma vítima: Allan Jacobsen lesionou-se no jogo do passado sábado.

O 22dropout.com [Lots of Rugby Stuff - You’ll love it], blog de rugby, anunciou logo que os All Blacks iam fazer mudanças no jogo com Portugal. O do próximo sábado.

Sim, eles baixam a guarda: «New Zealand rings changes for Portugal.» «Hayman said that "nobody wants to see anyone getting hurt" but it was in Portugal's interests to play New Zealand despite the chance of Los Lobos being humiliated. "In terms of the bigger scale of rugby, for smaller teams to get bigger, they need to play bigger teams," he said. "Portugal will be looking forward to playing the All Blacks, and I hope they'll be a better team for playing us."»

No site da BBC teme-se pelo resultado que os All Blacks podem obter frente a Portugal: «
Portugal v New Zealand jumps off the page as the best example of a mismatch, but every pool will produce horribly one-sided matches that will do little for rugby's credibility.»

No News 24, da África do Sul: «
For the big guns of rugby the tournament has yet to begin but debutants Portugal already think of themselves as World Cup winners.»

No Irish Independent: «Mismatches may lead to somebody getting seriously hurt.» «Portugal's amateurs should be afraid, very afraid, when they take the field against New Zealand.» «Rugby has always contained some physical danger; inevitably, the risk factor cannot be entirely eliminated. But right now, it appears to be a game just praying that the nightmare scenario won't occur. But is that good enough? It happened before and the threat today, 12 years later, is far greater because of the physical imbalances.»

Informações permanentes podem também ser encontradas no blog Your Scrumhalf Connection.

No Pathos na Polis: «
Um cartaz com o alinhamento por profissões dos jogadores de rugby de Portugal e da Escócia foi das imagens relacionadas com desporto mais porreiras dos últimos tempos. Os jogadores portugueses têm as mais variadas profissões, excepto jogador profissional de rugby, que é a única profissão de todos os jogadores escoceses.»

[FJV]

Etiquetas:

||| Correspondência geral.









Escreve Helena C.M., por mail:

«Cresci a ver os grandes do rugby jogar, quando o torneio das 5 Nações fazia parte da programação das tardes de fim-de-semana na RTP1. Numa época em que: 1 casa = 1 televisão = 1 canal; em família de rapazes, não tinha voto na matéria. E aprendi a gostar. Não me perguntem as regras ao pormenor, mas sei o suficiente para apreciar um bom jogo. E este fim de semana vimos uma sucessão deles, ainda por cima com o condimento de alguns sobressaltos face às expectativas. Viu-se o jogo de abertura.
"Envio" amanhã para França o meu filho mais velho (jogador júnior e que já integrou por diversas vezes a selecção nacional desse escalão) que vai ver o Portugal - Nova Zelândia. Confesso que ambos ficámos apreensivos a ver o jogo com a Itália. Depois de ontem ver jogar Portugal fiquei mais descansada porque sei que não vão entregar os pontos. E conto com ele para gritar bem alto, no estádio, o nosso apoio à selecção.»
[FJV]

Etiquetas:

||| Comentários. A crónica de João Fragoso Mendes: não tem nada a ver com bandeirinhas à janela.

O primeiro passo é sempre o mais difícil. E a presença de Portugal no Mundial de França é um primeiro passo. Para os cépticos, para os teóricos de pacotilha (para quem desporto apenas rima com futebol), para os que se insurgem com a (merecida) cobertura mediática dada à presença dos Lobos em França, esclareço com toda a frontalidade: o nosso campeonato foi o caminho até ali.
A partir da chegada a França as ‘cabazadas’ não afligem. Fazem parte da aprendizagem e do jogo. A proeza individual não se aplica ao râguebi, a mais colectiva das modalidades colectivas (trata-se de um jogo de combate, onde a falha de um é a falha de todos).
Prefiro, muito sinceramente, sentir as denominadas ‘cabazadas’ na pele como se fossem minhas, como se estivesse dentro de campo, a ter de ver no Mundial (como vi até aqui) os nossos ‘iguais’ espanhóis, russos, uruguaios, zimbabueanos ou coreanos perderem por diferenças idênticas ou maiores.
É neste nível que se aprende. Se a oportunidade for bem aproveitada daqui a quatro anos perderemos por menos. Como aconteceu com a Argentina, a Itália, as Fiji ou com Samoa. Se o râguebi dispuser de meios e os souber potenciar, daqui para a frente o único caminho possível é o do crescimento.
E, já agora, prefiro mil vezes ver o Rui Cordeiro a chorar enquanto cantava o Hino Nacional às bandeirinhas penduradas à janela...

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]

[FJV]

Etiquetas:

||| Pumas mantêm-se; merecem muito.













Os argentinos ensinaram à equipa da Geórgia os passes fundamentais do tango, uma nova modalidade dentro do rugby: nem tudo termina com o ensaio; é preciso um enlace posterior. Depois do jogo com a França, o confronto com a Geórgia não era um jogo de encher o olho, mas valeu a pena. Até pelos dois ensaios de Lucas Borges. A seguir, a Namíbia. O resultado, sim: 33-3.
[FJV]

Etiquetas:

||| Setembro.













«Chapter one. He adored New York City. To him, it was a metaphor for the decay of contemporary culture. The same lack of integrity to cause so many people to take the easy way out... was rapidly turning the town of his dreams...” No, it’s gonna be too preachy. I mean, face it, I wanna sell some books here. “Chapter one. He adored New York City, although to him it was a metaphor for the decay of contemporary culture. How hard it was to exist in a society desensitised by drugs, loud music, television, crime, garbage…” Too angry. I don’t wanna be angry. “Chapter one. He was as tough and romantic as the city he loved. Behind his black-rimmed glasses was the coiled sexual power of a jungle cat.” I love this. “New York was his town and it always would be.”»

[Woody Allen, Manhattan]
[FJV]

Etiquetas:

||| Dalai Lama.
Esta guerra e os episódios servis que rodeiam a visita do Dalai Lama, irritam-me mesmo. Tenham coragem e recebam o cavalheiro.
[FJV]

Etiquetas: ,

10 Setembro, 2007

||| Holanda, Rentes de Carvalho; explicação.








No post sobre o livro de Ian Buruma citei o nome de José Rentes de Carvalho e o seu livro Com os Holandeses. Nem de propósito, mão amiga lembrou-me que o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, num discurso de Fevereiro deste ano (em Eindhoven) chamou a atenção do presidente da Comissão Europeia para a importância do livro. Leiam e vão à procura do livro, que é muito bom (e, já agora, notem que o discurso também é):

«The Dutch people are not particularly known as dreamers. We can see this clearly from how other people describe us. Take one of Mr Barroso's countrymen, the Portuguese writer José Rentes de Carvalho, who came to the Netherlands in 1956, fell in love and stayed here to live and work.
He wrote a book about the Dutch in 1972 called Com os Holandeses. The picture he paints of us is not flattering:
"Dutch people are not visionary dreamers or exalted idealists in his eyes. On the contrary: they sit in meetings all day long. They're frugal. They're a bit dull. They prefer to stick with the herd. They're conservative and over-organised. Their greatest passion is thinking up new rules. And their manners leave something to be desired."
If you talked about us like this, Mr Barroso, you would definitely be less popular in this country. But people accept more from writers than from politicians - and a good thing too. Fortunately Dutch people can laugh at themselves.
De Carvalho's book was a great success in Dutch translation and went through many printings.
De Carvalho is not alone in his observations. Historian James Kennedy also calls the Netherlands a country of reason and pragmatic solutions, not a country where the sparks of passion fly.
If you type 'American dream' in Google, you get 2.5 million hits. ' Rêve français ' gets you 16,000 hits. ' Nederlandse droom ' gets you 1500.»
[...]
«José Rentes de Carvalho gave an interview a few years ago in which he had something positive to say about the Dutch. He said,

"If Dutch people collect matchboxes, they do their best to collect all the matchboxes that exist in the world. A Portuguese collector collects two or three dozen boxes and says: 'OK, that's fine.' That capacity to set a goal and pursue it together, as a team: that's a remarkable thing about the Netherlands."

This should encourage us on our journey to the future.»

[FJV]

Etiquetas: , ,

||| Actualizações.
Aumentou a lista de comentários e links sobre o Portugal-Escócia.

Passarei, a pedido de várias famílias políticas, desportivas e literárias, a escrever rugby.
[FJV]

Etiquetas:

09 Setembro, 2007

||| Comentários de domingo, 3. Escócia-Portugal. O comentário de João Fragoso Mendes.



O sentido das lágrimas

As lágrimas que correram pela face de alguns dos jogadores portugueses durante a execução da Portuguesa, antes do jogo de estreia com a Escócia, deixavam antever uma certeza: aquela equipa estava verdadeiramente a sentir um momento único e iria deixar a pele em campo. Frente a um “quinze” histórico do râguebi mundial, claramente favorito, os Lobos “prometiam”, assim, que não dariam facilidades. E não deram. A Escócia sofreu a bom sofrer para chegar ao primeiro ensaio (aos 11 minutos). E durante uns longos 80 minutos – talvez os mais longos e mais belos da vida desportiva dos 22 jogadores ontem utilizados por Tomás Morais – os favoritos tiveram sempre de se empenhar a fundo. Os desinibidos Lobos mostraram ao mundo do rugby (muito duvidoso da sua capacidade) que não chegaram ao Mundial por um acaso. E, com tantas estrelas do primeiro nível mundial presentes em campo, não foi por acaso, também que o “man of the match” foi o capitão Vasco Uva. E se não fosse ele, tal honra só poderia caber a Juan Severino. Foi lindo ver a Escócia tremer. Como foi lindo, também, antes, assistir às dificuldades de Gales ante o Canadá, da Inglaterra frente aos Estados Unidos e, depois, da Irlanda contra a Namíbia. Os favoritos ganharam, é certo, mas isto está a mudar. Quem diria. Agora que venham os “Blacks”.

Este texto é publicado na edição de amanhã do Correio da Manhã, à semelhança desta outra crónica. João Fragoso Mendes, jornalista, foi também praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e director da Rugby Revista; comentará neste blog os jogos do Mundial de rugby.

Diz Rory Lamont:
«Os portugueses são muito duros e bons nas placagens. Placam baixo e assim é difícil conseguir escapar. Trabalharam muito e foi muito difícil para nós pontuar. Estou bastante dorido após o final do jogo.»
[FJV]

Etiquetas:

||| Comentários de domingo, 2. Escócia-Portugal. [Actualizado]














Se o Criador quisesse dar uma prova da sua existência, depois de ter aberto um sulco nas águas do Mar Vermelho – há muito tempo –, teria escolhido o minuto 44 do jogo, quando Pedro Carvalho deixou para trás os escoceses e rasgou pelo estádio fora na direcção de um ensaio fabuloso. Com isso, provaria a sua existência e indicaria também que era fanático dos Lobos. Infelizmente, o árbitro neozelandês assinalou fora de jogo. É um Apito Escocês na forja. A Procuradoria que investigue.
De resto, não foi um jogo de desilusão. Rory Lamont só chegou ao seu primeiro ensaio aos 12 minutos. E só o terceiro (aquela passagem de Dan Parks para Scott Lawson, aos 23) ia confirmar o peso definitivo dos escoceses, se bem que o primeiro ensaio português acontecesse quatro minutos depois. Glória nas alturas. Vejam as estatísticas: o primeiro ensaio escocês da segunda parte (o de Dan Parks) só aconteceu aos 16 minutos. Podíamos ter chegado a mais dois ensaios na segunda parte? Podíamos, sim. Mas os escoceses, verdadeiramente, perderam o jogo: arrasámos-lhes os nervos (eles pensavam que ia ser fácil), mostrámos-lhes por que razão eles usam saias, revelámos pessoal capaz (olhem Vasco Uva, olhem Severino e, digam o que disserem, olhem o franzino Cabral) e, no fundo, as nossas adeptas nas bancadas eram muito mais apresentáveis do que as deles (contando ainda com o facto de eles estarem carregados de drag-queens vestidos de azul). Foi uma grande vitória nossa e só não foi KO por inexplicável azar.
Poderíamos tergiversar sobre o estatuto amador da equipa, mas não é isso o mais forte que fica do jogo e sim a entrega e a energia. Os derradeiros vinte minutos não trouxeram o esgotamento físico (apesar das distracções fatais que permitiram os ensaios escusados da Escócia), nem a sensação de desânimo que se nota nos mariquinhas do futebol. A dedicação de Vasco Uva, a alegria de João Uva ao regressar ao campo depois do amarelo, a competência de Duarte Cardoso Pinto, a insistência de Penalva apesar de lesionado desculpam essas distracções fatais, sobretudo depois do minuto 60. Os escoceses pensaram que andava ali bruxaria, ou então era o whisky que estava estragado. Uma das duas. Sábado será a vez de cairem os neozelandeses. Bem podem vir com o Haka em três tons.

[Hard work: Portugal made life difficult for Scotland.]

The Independent: «For Portugal, too, there was a measure of joy on what was an historic day for them: a try, a conversion and a penalty with which to mark their World Cup baptism. Despite their own fears, Os Lobos, the wolves, were not entirely lambs to the slaughter.»

The Independent: «There have been those who have questioned Portugal's presence at the top table of world rugby, but not Murray. "These guys have had to play a lot of teams to qualify," he said. "They deserve to be here. They've had to work hard just to get here. This is what they've done all of that hard work for."»

Nuno Mota Pinto, no Mar Salgado: «Um jogo de grande dignidade e valentia. Foram verdadeiros campeões ao superarem-se a si mesmo e equilibrando,a espaços, o jogo com a Escócia. O comentador de língua inglesa da emissão a que assitia referiu a certo ponto: The Portuguse team brought a great spirit to this World Cup

Entretanto, a TVTel acabou com o regabofe e a DSF deixou de transmitir os jogos em sinal aberto para Portugal. O Tiago Mendes informa que a ITV transmite os jogos pela net.


Trinta-e-um no 31 da Armada: O Pedro Lopes Marques escreve: «Prefiro uma Amélia que ganhe a um macho que perca.» E sustenta: «A mais risível das coisas é justificar as, mais que previsíveis, derrotas humilhantes com o “grande” argumento de que aqueles rapazes são amadores. E então? Confesso não sentir ponta de orgulho em ver uns escoceses a dar baile a meus conterrâneos ou ver declarações em que se diz que sofrer menos de 100 pontos contra a Nova Zelândia é fonte de orgulho... » Respostas de Paulo Pinto Mascarenhas («E agora é só uma presença de uma equipa amadora entre as melhores selecções do mundo que contam com jogadores que são pagos a peso de ouro. Se isto não é de aplaudir - e transmitir - então devo estar sintonizado no canal errado.») e de Eduardo Nogueira Pinto (que cita Laurent Bénézech: «Dès les premières minutes, on les a vu très limités techniquement, mais quel coeur, quel courage. Ils ont réussi à perturber les Portugais et ils sortent la tête très haute de ce premier match.»)

Já agora, que me desculpem, mas aqui vai a citação completa de Laurent Bénézech: «[...] joueur que je retiendrais, c'est le troisième ligne portugais Vasco Uva, qui symbolise vraiment cette esprit portugais, cette vaillance. Dès les premières minutes, on les a vu très limités techniquement, mais quel coeur, quel courage. Ils ont réussi à perturber les Portugais et ils sortent la tête très haute de ce premier match.» Há coisas que vale a pena repetir.

No Blood & Mud, blog de rugby: «A plucky performance by the newcomers from the Iberian peninsular yesterday, including this lovely try. Good forwards control to begin and then a delightful offload by the out-half for the winger to score.» [Tem um vídeo do ensaio.]

No Alan's Rugby Blog, o post «Better Know A Rugby Team: Portugal»: «Because, while Portugal doesn't have a rugby leaguer's chance in a union scrum, they have a great story.»

Para ir acompanhando de longe, e fora do Mundial, o blog brasileiro Um Pouco de Rugby, do paulistano Rafael Takano.


[FJV]

Etiquetas:

||| O cantinho do hooligan. Em diálogo com o hooligan civilizado.
Pois é, José Medeiros Ferreira, pois é: talvez o problema não tivesse sido do estádio (até admito), mas os rapazes deviam não apenas ter seguido o apelo das bancadas como, também, a sua própria intuição. Não. Estavam a ouvir sei lá quem.
[FJV]

Etiquetas:

||| Comentários de domingo, 1.










João Fragoso Mendes, que, além de jornalista, foi também um praticante de mérito (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e director da Rugby Revista, entre muitas ligações ao mundo do rugby, comentará neste blog os jogos do Mundial (entretanto, poderão ler no Correio da Manhã as suas crónicas sobre a matéria). A crónica de hoje no CM:

«À partida, uma advertência necessária: no râguebi só muito raramente há surpresas. Neste jogo não há ‘autocarros’ que cheguem para defender uma baliza – até porque a ‘baliza’ tem 70 metros.
O râguebi é um jogo de contacto, posse e ataque. E os mais fortes (técnica e tacticamente), os mais experientes, os que, por isso, cometem menos erros, ganham inevitavelmente. Por mais ou menos pontos. Neste jogo apaixonante, os ‘Davides’ nunca ganham aos ‘Golias’. E, logo à tarde, quando os Lobos subirem ao relvado do Estádio Geoffroy-Guichard para defrontarem a equipa da Escócia, deveremos todos estar conscientes das diferenças que existem entre as duas selecções em confronto. O adversário é (muito) mais forte. Não deverá, por isso, haver qualquer surpresa.
Aos portugueses compete dificultar a vitória escocesa. E, garantidamente, vão fazê-lo. No único confronto entre as duas selecções (Edimburgo, 1998), na qualificação para o Campeonato do Mundo de 1999, registou-se um triunfo escocês por 85-11. Portugal discutiu, depois, a repescagem com o Uruguai e perdeu duas vezes (46-9 e 33-24).
Oito anos depois chegou a este Mundial à custa desse mesmo Uruguai. É, apesar de tudo, sinal de que algo se modificou entretanto.»
Mais logo, o João comentará o Portugal-Escócia.









É este o quinze português de logo à tarde: Cristian Spachuck, Rui Cordeiro, Joaquim Ferreira, David Penalva, Gonçalo Uva, João Uva, Juan Severino, Vasco Uva, José Pinto, Duarte Pinto, Diogo Mateus, Frederico Sousa, David Mateus, Pedro Carvalho e Pedro Leal. «A big happy family», comenta o site do Mundial, que não deixa de notar que «the three Uvas [João, Vasco e Gonçalo] are cousins of Margarida Sousa Uva, the wife of European Commission president and former Portuguese Prime Minister Jose Manuel Barroso
».

[FJV]

Etiquetas:

||| Balanço & anti-previsão.













Vejo em repetição o Inglaterra-EUA e não há forma de me convencerem de que aqueles cavalheiros, de ar esbranquiçado, foram campeões do mundo seja em que reencarnação for (20-17 à Austrália na última final). Definitivamente, três ensaios (Rees, Robinson e Barkley) e duas conversões não são convincentes. E há aquele nome: Matekitonga Moeakiola, o americano devorador dos últimos quartos. As estatísticas são demasiado importantes no rugby para nos rirmos delas; é por isso que o 28-10 me lembra o tipo de futebol que os ingleses fazem nos últimos tempos. Não hão-de querer Scolari a treiná-los só porque gostam de bigodes, não é?

Hoje, dois jogos e uma batalha: os jogos são País de Gales-Canadá e África do Sul-Samoa (não percam estes rapazes); a batalha é a de Portugal contra a Escócia. A Miss Pearls, portanto, que saiba que nem só o futebol mobiliza os hooligans. E o Pedro Picoito, que prometeu não fazer trocadilhos em inglês, que se prepare para uma fase final digna.

Via Os Bigodes de Gato (o único blog que publica poemas de António Franco Alexandre, Ruy Belo, Kavafis e se interessa por rugby; escreve ele que o «o rugby é apaixonante quando disputado pelos melhores praticantes, e estes são valentes, nobres, dedicados, adoram a modalidade e são sérios, raramente ficando esticados na relva fingindo lesões. Quase nunca os vi discutir uma decisão do árbitro e o respeito por este, pelo jogo, pelo adversário e pelo público é uma constante»), aqui está o vídeo promocional do campeonato do mundo. Também há este, que resume a vitória portuguesa sobre as Fiji e este sobre as fases da selecção nacional. Mas este (de promoção do mundial da Austrália, em 2003) não me parece menos indicado para a ocasião; cuidado:



[FJV]

Etiquetas:

||| Buruma: sobre os limites da tolerância.














O livro de Ian Buruma merece ser lido com muita atenção: A Morte de Theo Van Gogh e os Limites da Tolerância (edição da Presença) é uma reportagem/documentário sobre a morte de Van Gogh (e de Pim Fortuiyn), o «multiculturalismo holandês» misturado com o calvinismo (e saltemos até Com os Holandeses, de José Rentes de Carvalho, por exemplo), o medo ocidental e a explicação do remorso. Ou de como, por detrás da tranquilidade dos melhores bairros de Amesterdão e Haia, há muito mais para compreender. O retrato de Theo Van Gogh é muito bem desenhado, reproduz a sua grosseria e a sua fé liberal, os seus excessos grotescos e aquilo que ele fez de admirável. Ian Buruma (que vive em Nova Iorque) vai visitando os holandeses de hoje, o bairro onde passou a adolescência, os protagonistas (de Bolkestein aos amigos de Theo, passando por dissidentes e apóstatas vindos do Islão, até defensores da Europa islâmica), e o livro tem som, movimento, música, olhares profundos. É muito bem escrito (infelizmente, com ruídos de tradução; a edição original é da Penguin americana), muito bem planeado, feito de raccords perfeitos, de delicadeza (a forma como descreve a relação com Ayaan Hirsi Ali), mas também de crueldade e de excelentes evocações (políticas, pessoais, históricas). Buruma apresenta Theo Van Gogh como um holandês «perfeito» (fatal, a sua descrição dos regentem): ríspido, irónico (curiosíssimas as suas observações sobre a ironia holandesa: é um valor em si, com certeza, mas é também um instrumento para não se fazer nada), directo, provocador. Ou seja, insuportável para Mohammed B., o seu assassino. A descrição da morte de Theo Van Gogh é fria, como um golpe de luz num retrato sombrio; é a partir dessa descrição que Buruma parte em busca da falta da identidade europeia e da natureza do Islão na Europa e naquele pequeno país onde toda a gente se conhecia.
[FJV]

Etiquetas: , , , ,

||| O cantinho do hooligan. Polónia.
Nem de propósito. Se em vez de controlar a bola, segundo a avisadíssima regra dos comentadores de futebol, os rapazes tivessem jogado melhor, isto não acontecia. Mas se é verdade que o estádio não ajudava (eu sei que estavam à espera disto, eu sei...), não é menos verdade que os polacos não vieram para ser aplaudidos por nós. Fizeram o trabalhinho deles com dois remates. Olha se fosse a Islândia. Já para não dizer a Arménia.

PS - Mas vejam, vejam como os que viveram à sombra de Scolari nos últimos anos (na imprensa e na televisão, claro), se preparam para, tranquilamente, o esfaquear. Nessa altura, virei em defesa de Scolari.

[FJV]

Etiquetas:

08 Setembro, 2007

||| Furacões.












Tenho pena que Lote Tuqiri não tenha pontuado, mas a Austrália entrou razoavelmente e terminou como furacão, com 91-3 sobre o Japão (a propósito, repararam em Loamanu, o rapaz que nasceu Tonga e pesa 108 kgs?, e em Luatangi Samurai Vatuvei, os 120 kgs de Tóquio?). Se fosse possível levar para o futebol português o espírito e o tom do jogo australiano, teríamos mais preparação física e menos flibusteiros no campo: nada de «gestão de esforço», nada de «estratégia de poupança de energia». Jogaram até ao fim. Ouviram Matt Gitteau antes do jogo? Foi assim: «You've got to take every match as seriously as if you're playing the All Blacks. You've got to play your best football.» Lembrem-se, para comparar, do que se disse aqui antes do nosso joguinho contra a Arménia. Gitteau ainda entrou no último quarto do jogo e converteu com concentração. Os dois últimos ensaios, sobretudo o que resultou de uma fuga do demolidor Drew Mitchell (com conclusão de Berrick Barnes, um troca-pés fantástico que se estreou com dois ensaios) provam que é jogo até ao último minuto. O arranque de Rocky Dan Elson (um senhor), o melhor da primeira parte, só teve comparação nos dois mais feios da equipa, Chris Latham e Stirling Mortlock (piores do que Matt Dunning), o homem das conversões. Mas a segunda parte foi digna. Treze ensaios já foi um bom espectáculo.
[FJV]

Etiquetas:

||| Comentários.


João Moreira, por email, ainda há pouco:

«Estou a ver os wallabbies, depois de ter visto os all blacks e ontem, os pumas. Duas questões:
1) Por que é que ninguém colocou interrogações aos nossos Lobos não nascidos no território nacional? É só no futebol que a questão é levantada e quando toca a futebolistas de determinado clube?
2) O sistema de pontuação do torneio está bem ponderado. No futebol, um sistema semelhante seria bem acolhido (4 pontos por vitória; 2 por empate; 0 por derrota. E ter uns bónus para evitar jogadas de bastidores e anti-jogo). O espectáculo só teria a ganhar.
P.S.: Pelo que vi da Itália e da Nova Zelândia, os Lobos só têm de estar atentos ao grupo D (e ao 2º classificado) para o jogo de 6 de Outubro, em Cardiff. Vou ver se (ainda) há "tickets".»
[FJV]

||| Informação preciosa.










Quando a Nova Zelândia tinha acabado de deixar o marcador a 76-14 contra os italianos, o Jorge Marmelo informou-me que, na TVTel, o Mundial de Râguebi passa em canal aberto na DSF. Fiquem sabendo.
Mas agora é o Austrália-Japão. Ou seja, depois dos All Blacks, o talento dos Wallabies. Gosto das cores, mas Stephen Larkham até podia jogar de cor-de-rosa que era sempre bom.

Entretanto, o meu patriotismo de râguebi, chama a atenção para esta alcunha: the new kids on the block. Perder, até podem – mas mostrem músculo e perna.
[FJV]

Etiquetas:

||| Blog em destaque.













Enquanto festejamos a Argentina com entusiasmo depois de terem vencido a França, recordemos que este é o site português do momento, na companhia deste.

E estes são os artistas, além de Tomás Morais: 1 - Rui Cordeiro, 2 - Joaquim Ferreira, 3 - Ruben Spachuck, 4 - Gonçalo Uva, 5 - David Penalva, 6 - Juan Severino, 7 - João Uva, 8 - Vasco Uva (c), 9 - José Pinto, 10 - Cardoso Pinto, 11 - Pedro Carvalho, 12 - Diogo Mateus, 13 - Frederico Sousa, 14 - David Mateus, 15 - Pedro Leal. Suplentes: 16 - Juan Muré; 17 - João Correia; 18 - Paulo Murinello; 19 - Diogo Coutinho; 20 - Luis Pissarra; 21 - Pedro Cabral; 22 - Miguel Portela.

Para quem não perceber bem o que se passa no ecrã da televisão (SportTV), está aqui o essencial. A França já levou da Argentina, mas há muito jogo para rolar. A Portugal basta-lhe, nesta fase, ganhar à Escócia (fácil, fácil), à Itália (já está), à Roménia (vingaremos a derrota de 1996, por 92-0) e, evidentemente, à Nova Zelândia (vai ser uma lição de râguebi).










Ontem, poesia pura na vitória da Argentina. O herói dos Plumas, Ignacio Corleto, vai aparecer mais, espera-se que na companhia daquele grande ás, Felipe Contepomi (vejam-nos aqui). Yerba con alfajores, um bom presente para os franceses.

Já agora: nenhum dos canais de televisão em sinal aberto quis transmitir qualquer jogo da selecção. Ah, pátria do futebolinho.

[FJV]

Etiquetas: ,

07 Setembro, 2007

||| Notícias.
Desaparece o Gávea, dedicado à literatura brasileira; renasce o Escrita em Dia, blog do programa de rádio, que regressa à Antena Um na próxima semana (quartas-feiras, 23h10) e que será um blog de notícias e de referências sobre edição. Muita da informação do Gávea transitará para o Escrita em Dia.
[FJV]

Etiquetas:

06 Setembro, 2007

||| Por exemplo.
Na imprensa brasileira, um livro que mudou a vida do seu autor: «Um escritor polonês foi condenado nesta quarta-feira pelo assassinato de um empresário em 2000, num crime descoberto apenas por causa da publicação de um romance, há quatro anos, no qual ele relatava os detalhes de um assassinato semelhante.»

O que lembra o episódio contado aqui, sobre o Estripador de Lisboa.

Actualização no El Pais: «Thomas de Quincey trató en su obra más célebre al asesinato como una de las bellas artes. El escritor polaco Krystian Bala, a quien sus conocidos tienen por hombre culto con debilidades esteticistas, llevó la idea a la práctica.»

No El Mundo: «A Kristian Bala no le tembló el pulso al escribir en su novela cómo había matado al amante de su mujer. Ahora le han condenado a 25 años de prisión.»


No ABC: «La novela 'Amoku' ('Cólera') fue publicada en 2004 y pronto alcanzó gran popularidad en Polonia, gracias a las precisas descripciones de todo lo que rodea al asesinato cometido por el protagonista, en una trama brillante que ahora se demuestra que está basada en hechos reales.»

[FJV]

Etiquetas:

||| Liquidação & mudança de ramo.
Ó Abel: era mais fácil quando eras mais casmurro e tinhas um blog; a gente falava mais. As listas não são matéria para teoria da literatura mas para riso e pequena vaidade. A vida de Lucas Corso mudou por causa de um capítulo de Os Três Mosqueteiros. Ou, como diz o Luís, «o D. Quixote, é sobre uma personagem cuja vida foi mudada [«mal mudada»] pelos livros que leu». Mas ainda bem que chegaste; Setembro ficou mais animado.
[FJV]

Etiquetas:

05 Setembro, 2007

||| Exactamente. Os que não mudaram, outra lista.
Filipe Nunes Vicente publica a sua lista no Mar Salgado; e acrescenta: «Podia enumerar muitos mais: sempre que a minha vida mudou não foi por causa de livros. Os livros não nos modificam. Algumas das coisas de que também os bons livros falam, essas sim, modificam-nos. Os melhores livros têm necessariamente de incluir sobrevivência, envelhecimento e morte; em casos extraordinários, amor. O resto são chicuelinas.»
[FJV]

Etiquetas:

||| Toda a verdade sobre os livros que mudaram a nossa vida.
«Pessoas mudam vidas, mortes mudam vidas, catástrofes naturais mudam vidas, o azar muda vidas, a sorte também, uma doença tramada que se curou, um remorso profundo. Livros? [...] Alguém acredita que um livro nos mudou a vida?» Vasco Barreto citado pela Mónica.
[FJV]

Etiquetas:

||| Os que não mudaram, 4.
Novo post de Luís Mourão sobre a lista, a fatal lista dos livros que não mudaram a nossa vida. Não perder. O Manuel já referiu o magnífico post anterior.
[FJV]

Etiquetas:

||| Não gosto de literatura. Eu sabia. 3.
O personagem mais injustiçado da nossa literatura é a Senhora Condessa de Gouvarinho. Tenho por ela uma adoração infame. Na galeria de personagens de Eça, a Sra. Condessa merecia mais. Desgraçou-a aquele machismo que passou por ser uma espécie de mistura de Julie d'Aiglemont, a mulher de trinta anos de Balzac, e de Emma Bovary. Pessoalmente, fico sempre enamorado da senhora condessa, que ainda me comove trinta anos depois de a ter conhecido. Gosto daquela incerteza, daquele ar perverso e romântico, daquela facilidade com que trai, daquela coragem que a leva ao consultório do dandy antes de ir, devota, beijar o Senhor dos Passos. Ela tinha um perfume de verbena que fascinava Carlos. No fundo, é uma mulher fulgurante que o machismo queirosiano condenou a penar entre chás, jantares, presenças aborrecidas do marido, encontros adúlteros. No livro, ela aparece como um ornamento destinado a satisfazer o tédio de Carlos da Maia mas, no fundo, é ela que toma a iniciativa, seduzindo-o, propondo uma visita «à casa da Titi», compreendendo melhor do que ninguém a mediocridade da vida lisboeta. Sem querer incomodar, sem querer um romance devastador, ridículo e sofrido. Só ela, a minha personagem preferida, se eleva ao nível de Craft, o céptico dos cépticos, o mais perfeito dos desesperados do grande romance de Eça.
[FJV]

Etiquetas:

||| Não gosto de literatura. Eu sabia. 2.
Mas há mais: O Corsário Negro, de Emilio Salgari, mudou um pouco a minha vida. E, ainda hoje, sinto aqueles silêncios de O Drama de João de Barois. Mas prefiro esse Salgari. Camilo sim, mudou a minha vida de leitor: A Brasileira de Prazins não é apenas uma construção fantástica; é uma teoria do romance, da história e da ironia. Lembro-me sempre daquela introdução em que Camilo é levado por um devaneio a falar das folhas das giestas, boninas e das lágrimas perlando a aurora; e ele: «A Aurora a chorar! de que tempo isto é! Como a gente, sem querer, mostra numa ideia a sua certidão de idade e uma relíquia testemunhal da idade de pedra! Oh! os bigodes tingem-se; mas as frases – madeixas do espírito – são refractárias ao rejuvenescimento dos vernizes.» O Retrato de Ricardina, outro. Os Brilhantes do Brasileiro, um prodígio de selvajaria (quando se retrata a paixão do Sr. Barrosas: «um choque eléctrico lhe subverteu as enxúndias mais profundas do coração!»). Eusébio Macário, um léxico da literatura (aquela primeira descrição é outro grande momento de barbárie). Onde Está a Felicidade?, um monumento de ironia finíssima, mascarada com o perfume do agrado das burguesias. Não terminaria.
[FJV]

Etiquetas:

||| Não gosto de literatura. Eu sabia. 1.
A Carla acha que eu não gosto de literatura. Completamente off the record (ou seja, só entre nós) e penso que o Eduardo não leva a mal a inconfidência, ontem ao final da manhã, numa troca de mails, eu disse-lhe: «Vamos ser trucidados. Olha o Proust...» Confesso que nunca tinha lido a Recherche até à tradução de Pedro Tamen. [Também escrevi, noutra altura: «Está a acontecer-me com a Recherche, que eu nunca tinha lido (saiu agora a tradução de Pedro Tamen, na Relógio d'Água). À medida que vou lendo descubro uma coisa notável: algumas pessoas que falaram de Proust estão inteiramente certas naquilo que disseram; mas centenas delas nunca tinham lido Proust, afinal — citavam Proust, a importância de Proust, a obra-prima. Mas não tinham lido. Uma obra-prima, nessas circunstâncias, é inquestionável, tal como o “acto de leitura”, uma espécie de iniciação; fala-se dela e milhares de pessoas dizem: “Claro que ele já leu Proust.”»]
O que significa a lista? Não sei. Mas aqueles livros não me suscitaram muitas interrogações. Lolita é uma construção engenhosa, uma obra-prima; Ulysses é outra construção prodigiosa, custou-me a ler, sempre afectado pelo facto de ter lido primeiro a correspondência entre Joyce e Nora (e a biografia de Nora, de Brenda Maddox), e sempre perturbado pelo facto de ter feito, em Dublin, todo o percurso do livro; Grande Sertão Veredas é o segundo nascimento da literatura brasileira. Mas, na verdade, não mudaram nada de mim e não mudaram nada do que eu pensava da literatura. Mudou mais, sim, e terrivelmente, o Tristram Shandy, de Sterne (tradução fantástica de Manuel Portela), porque eu não sabia que tudo aquilo já tinha sido escrito há muito tempo e era o mais moderno que se podia fazer antes de aparecerem acrobatas do romance (tirando Machado de Assis, que usou muito bem os truques); e mudou muito mais The Long Goodbye/O Imenso Adeus, de Raymond Chandler (até comprei o áudio-livro lido por Elliott Gould), que tem um arranque único («The first time I laid eyes on Terry Lennox he was drunk in a Rolls-Royce Silver Wraith outside the terrace of The Dancers...», etc., etc). Há outros livros que são apenas sobrevalorizados. A Náusea é um aborrecimento, O Amante de Lady Chatterley é um expoente da moral de tia velha e supostamente devassa. Diante deles, acho uma pena que Orgulho e Preconceito não seja mais lido. São simpatias, também. Mas a lista não tem a ver com antipatias; essa seria longa e certamente injusta. O Fausto, de Goethe, é quase uma obra absoluta, fortíssima, total; mas uma encenação, que vi em tempos, desiludiu-me e amedrontou-me. São acasos. E são escolhas.
Uma lista de livros que não significaram nada? Como diz o Manuel, era fácil. Por obrigação, leio bastantes desses ao longo do ano. Mas ataquemos o coração da literatura pelo outro lado, o das explosões que deixa na nossa vida. Por exemplo, Memórias de Adriano; ninguém da minha geração universitária era bem visto se não o tivesse lido, e eu li-o, li Yourcenar em doses fatais; passados estes anos, folheei a velha edição da Ulisseia (capa de linho, grafismo de João Rodrigues) e procuro aquilo que me agradou na época: umas frases, um excesso, uma novidade, a figura de Adriano; mas passou, passou há muito tempo, não deixou grande coisa, não mudou nada de mim.
[FJV]

Etiquetas:

04 Setembro, 2007

||| Insegurança.
Minha cara Carla:
A minha insegurança tem a ver com o seu espanto: «Como é que sabemos se muda ou não muda? E o que é que não muda?»
Eu poderia fazer facilmente uma lista com dezenas de livros que não «significaram» nada. O problema é que as regras do jogo estão a ser outras: as pessoas escolhem os livros que não mudaram as suas vidas de entre obras que, quase sempre, pertencem ao «cânone». O que, ao fim e ao cabo, é sobretudo uma forma encoberta de clarificar opções literárias. Repare: eu podia adiantar-lhe desde já que nenhum livro do Faulkner mudou a minha vida. Ou, por oposição, que todos os livros do Hemingway a mudaram. Mas que é que isso significa?
Continuo a reflectir.
[MAV]

Etiquetas: ,

||| Os que não mudaram, 3.
Magnífico, o post de Luís Mourão. Eu próprio me sinto com dificuldades, pelas mesmas razões, em responder ao repto que o Francisco José Viegas aqui me deixou.
[MAV]

Etiquetas:

||| Os que não mudaram, 2.
Luís Mourão está a elaborar a sua lista dos livros que não mudaram a minha vida e, entretanto, debate problemas teóricos. Brilhante, para começar. Vamos estar atentos, Luís, vamos estar atentos. Além de nós, repara bem, vais ter a patrulha da faculdade de olho à espreita.
E o Rui Bebiano já publicou a sua lista.
[FJV]

Etiquetas:

||| O cantinho do hooligan. Grécia.
Acho graça ao personagem. É um treinador grego que, de vez em quando, vem a Portugal fazer umas férias.

[FJV]

Etiquetas:

||| Um nadinha menos de arrogância.
Não tem a ver comigo. Mas irrita-me que posts de amigos sejam aproveitados por outros bloggers que os citam e retrabalham e comentam e revalorizam e fazem deles coisa sua, sem mencionar um simples «via fulano de tal». Não custava nada. Não se dão ao trabalho de citar paisanos, é evidente; mas ficava-lhes bem.
[FJV]

Etiquetas:

||| Aí está.












Retratos de «culos hermosos y rotundos». Uma exposição em Madrid.
[FJV]

Etiquetas:

||| Vilallonga.










A morte de um aventureiro delicioso e inoportuno.
[FJV]

Etiquetas:

03 Setembro, 2007

||| O cantinho do hooligan. Respondendo em prosa.









Meu caro Tomás: custa, não custa?
[FJV]

Etiquetas:

||| Os que não mudaram. O repto.








Respondendo ao repto do Eduardo Pitta sobre os livros que não mudaram a minha vida (uma ideia lançada pelo Manuel A. Domingos) a que acrescento a sua menção a «nem sequer a minha relação com a literatura»:

James Joyce, Ulysses.
M. Proust, Em Busca do Tempo Perdido (todos os volumes).
J. P. Sartre, A Náusea.
V. Nabokov, Lolita.
Toni Morrison, Beloved /Amada.
Paul Auster, A Trilogia de Nova Iorque.
D. H. Lawrence, O Amante de Lady Chatterley.
Thomas Mann, Morte em Veneza.
Thomas Pynchon, V.
J. Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas.

E deixo, naturalmente, o repto: ao João Gonçalves, ao Filipe Nunes Vicente, ao Tomás Vasques, ao Manuel A. Valente (aqui da casa), ao Manuel Jorge Marmelo e ao Luís Carmelo.
[FJV]

Etiquetas:

||| Criptograma.







O Rio de Janeiro está cada vez mais lindo... (Ó Francisco, não estou a falar de política, não venhas de novo com declarações solenes!)
[MAV]

Etiquetas: ,

||| O mau Estado dos cidadãos.
«Mas, ao vetar o diploma da forma que o fez, o presidente não só abriu a caixa de Pandora onde se esconde o periclitante mecanismo que regula as relações entre o Estado e os cidadãos, como reconheceu que o Estado ficaria em maus lençóis se houvesse justiça. Vamos e venhamos, há aqui uma contradição: o presidente concorda com o princípio mas teme o resultado, preferindo salvar o Estado e a sua máquina (mesmo que ela proceda mal, mesmo que aja com má-fé, preguiça, má-vontade, desleixo e irresponsabilidade) do que colocar-se ao lado dos cidadãos que não têm defesa contra os arbítrios da Administração.» Artigo desta semana no JN.
[FJV]

Etiquetas: ,

||| Maçaroca.
«Nada como gente “respeitável” para dar um travo picante a este tipo de trivialidades.» Histórias de moral e bons costumes no Da Literatura. É bem feito.
[FJV]

Etiquetas:

02 Setembro, 2007

||| A Origem das Espécies, 2 anos.










A Carla e a Isabel lembraram o facto: este blog completou dois anos de existência, fundado em 28 de Agosto de 2005. Temo-nos divertido bastante e viciado um pouco. Hopper foi a última imagem do Aviz (que vinha de Junho de 2003); Mr. Darwin foi o primeiro retrato publicado no A Origem das Espécies, em homenagem óbvia.
[FJV]

Etiquetas:

||| Ó Francisco, toma lá poema.




Eu pecador me confesso
desse acto que mal me fica
de num momento apressado
ter dito bem do Benfica

Nunca fui de águias ao peito
e muito menos agora
que cansados do vermelho
o deitaram porta fora

Eu sempre fui um dragão
daqueles que o Norte gosta
devotado à cor azul
e ao senhor Pinto da Costa

Por isso peço perdão
do meu deslize fatal
prometo portar-me bem
e das águias dizer mal

E se voltar a pecar
por qualquer motivo vil
expulsem-me da blogosfera
e digam que estou senil


[MAV]

Etiquetas:

||| Piada do ano.







«Ninguém nesse país tem mais autoridade moral, ética e política que o nosso partido.» Lula, no Congresso do PT, em S. Paulo.

Adenda 1: «O que é importante é que nada que nos aconteça, processados ou não, pode nos esmorecer.» Ele não sabia nada.


Adenda 2:
Outra piada do ano é a reestatização da Vale do Rio Doce, uma outra «obrigação moral» do PT. O grupo que pede um plebiscito sobre a privatização da Vale está, como se compreende, cheio de «autoridade moral, ética e política» (trata-se do MST, UNE e CUT; coisa fina).

[FJV]

Etiquetas: ,

01 Setembro, 2007

||| A língua, por exemplo. E a afectividade.
Por falar em Brasil, veja-se aqui a entrevista com Francisco Seixas da Costa, embaixador português em Brasília (no Diário Económico).

«Há um problema estratégico sobre a língua portuguesa no mundo que temos de discutir. Temos de perder o sentido patrimonialista da língua. Se o português tem futuro esse futuro está no modo maioritário como ela é falada. E esse é o modo brasileiro de falar português. É preciso que se comece a dizer isto de uma forma clara. Temos hoje quatro grandes línguas internacionais de afirmação cultural: o inglês, o francês, o espanhol e o português. O resto são línguas que podem ter uma grande dimensão de falantes ou um grande peso económico (como sejam o chinês, o russo ou o alemão), mas não têm uma grande dimensão de natureza cultural. Devemos olhar para o português como elemento de natureza estratégica no plano internacional.»
[FJV]

Etiquetas:

||| Portanto, era verdade.
Foi recebida com escândalo a notícia de que os juízes do Supremo Tribunal Federal brasileiro tinham as suas casas «grampeadas» com escutas ilegais por parte da Polícia Federal. Mais uma vez, seria uma denúncia ridícula, desculpava-se o aparelho do PT. Agora, é a presidente do STF que o diz e que o prova. Eles também querem provar que não têm emenda.
[FJV]

Etiquetas:

||| Avante.









As FARC estarão presentes este ano, de novo, na Festa do Avante!, até para provar que não têm emenda. Actualizações no Kontratempos.
[FJV]

Etiquetas:

||| Cerveja e Literatura.








O Luís Carmelo lançou uma nova rubrica no seu Miniscente: Cerveja e literatura. São dois temas nobres.
Luís: não conheço essa Hatney Beer que Hemingway parece ter bebido. Agradecimentos também pela tua lembrança sobre este texto da Pública, que fica disponível on line.
[FJV]

Etiquetas:

||| O cantinho do hooligan. Declaração solene.












Eu, abaixo-assinado, declaro por minha honra que o post «A estrelinha da sorte» publicado no blog A Origem das Espécies, logo citado no Público e recenseado na blogosfera benfiquista como uma espécie de deriva em favor do clube da águia rosa, não é nem poderia ser de minha autoria – mas sim de MAV. Mais declaro que não assumo quaisquer responsabilidades sobre eventuais danos morais e psicológicos que o post possa ter causado ou vir a causar.

Na foto, Manuel Alberto Valente escrevendo o post ligeiramente capitulacionista.
[FJV]

Etiquetas:

||| As Duas Tácticas da Social-Democracia.
Escreve o Tomás Vasques:

«Sabem [o PCP], porque está escrito nos livros, que mais cedo ou mais tarde surgirão as «condições objectivas» que conduzirão à insurreição e ao poder. As «eleições burguesas» valem o que valem. O BE, mais pragmático, faz outra leitura - mais «moderna» - do que está escrito nos mesmo livros. Segue o «modelo» do eixo da esperança (Venezuela, Bolívia e Equador): podemos chegar ao poder através de «eleições burguesas» e provocar a «revolução» a partir daí. O decrépito e trôpego quadro partidário dá-lhes alento.»
Não acho mal a releitura de As Duas Tácticas da Social-Democracia na Revolução Democrática. Citemos, do próprio Lenine: «Não podemos ultrapassar os limites democrático-burgueses da revolução russa, mas podemos ampliar em proporções colossais estes limites, podemos e devemos dentro destes limites lutar pelos interesses do proletariado, pela satisfação das suas necessidades imediatas e pelas condições que tornarão possível preparar as suas forças para a futura vitória completa. Há democracia burguesa e democracia burguesa.»
[FJV]

Etiquetas: ,