20 novembro, 2007

||| Música portuguesa, cultura portuguesa, todos nós.
[Post de João Miranda sobre o assunto.] É um pormenor importante, não sei se repararam: a lei define o que é música portuguesa: «veiculem a língua portuguesa ou reflictam o património cultural português, inspirando-se, nomeadamente, nas suas tradições, ambientes ou sonoridades características»; «representem uma contribuição para a cultura portuguesa». Mais: «A quota de música portuguesa fixada (...) deve ser preenchida, no mínimo, com 60% de música composta ou interpretada em língua portuguesa por cidadãos dos Estados membros da União Europeia.» Compreendo a tentativa de colocar os distribuidores na ordem e de os impedir de dominar as playlists das rádios ignorando o que é nosso, as nossas sardinhas, o nosso bacalhau, a nossa Mafalda Veiga, o nosso Clemente, o nosso António Manuel Ribeiro, o nosso Fernando Girão, o nosso Fausto Cantor Maldito Bordalo Dias, a nossa Claudisabel, os nossos Delfins. É preciso fomentar as nossas coisas.
Porquê a música apenas? Por que não os livros nas livrarias? Entremos no delírio. Aceitam-se sugestões sobre pautas obrigatórias. Não sobre aquilo de que gostamos, mas sobre aquilo de que devemos gostar para sermos mais portugueses, melhores portugueses, sempre portugueses.

P.S. - Uma coisa é «a música portuguesa»; outra, é beneficiar uma classe profissional, impondo por meios legais a obrigatoriedade de abrigar os seus produtos.
[FJV]

6 Comments:

Blogger Joshua said...

Pelo visto, nem assim a coisa vai.

1:07 da tarde  
Blogger A. R. Ray said...

Qual Ruth Marlene, Qual Romana, Qual familia Carreira o que está a dar é José Malhoa, uma pérola lusa! Atente-se na poética composição de " Até a Barraca abana". Não admira que seja necessário realojar esta gente, as barracas andam sempre a cair. È preciso defender este maravilhoso património linguistico!


"Quando chega o fim de semana
Até a barraca abana
Quando vem o tempo de amar
Até a barraca abana sem parar


Quando chega o fim de semana
Até a barraca abana
Quando vem o tempo de amar
Até a barraca abana sem parar


Abana, abana p'ra cá, abana p'ra lá
São dois dias de amor sem ter final
Abana, abana p'ra aqui, abana p'ra ali
Todo o fim de semana é sempre assim


I-

Cinco dias longe de ti
Cinco noites sem teu calor
Provoca desejos em mim
Maiores que a palavra amor

Coisa que só passa depois
Sábado, Domingo ao luar
Quando nós cantamos os dois
Esta frase popular

II-

Cinco dias sem na, na, na
Cinco noites sozinho aqui
Provoca desejos a mais
Maiores que o desejo em si

Coisa que só passa depois
Sábado, Domingo ao luar
Quando nós cantamos os dois
Esta frase popular.

1:54 da tarde  
Blogger samuel said...

Um dia havia de acontecer...
Que post triste!

7:03 da tarde  
Blogger dos ∫antos said...

Só uma pequena nota: a entrada é do Gabriel, não do João Miranda.

10:45 da tarde  
Blogger Orlando Nascimento said...

A anedota desta lei (quando li a noticia a semana passada) é que se aplicava reroactivamente a Maio/07... Pergunto: como é que se faz as rádios passarem músicas portuguesas num tempo passado, hein?!

10:53 da tarde  
Blogger - said...

Não percebo porque é que tem de vir a conversa do bacalhau e da sardinha e da Claudisabel. Portugal é isso? Ou o Francisco tem medo que Portugal seja isso (ou tem medo disso)? Porque não discutir racionalmente a questão, ao invés de fingir que Portugal é a sardinha - o que, obviamente, deixa no ar que sardinha só há (como gostam tanto os nossos cronistas de dizer) "neste charco". É que a mim a Shakira cheira tanto a sardinha como a Claudisabel. Uma sardinha mais requintada, porque cozinhada em restaurantes mais caros, mas ainda assim (pequena como a) sardinha. E igualmente má. Acresce dizer que estou à vontade nesta matéria: sou totalmente contra as quotas. O que não me impede de não gostar de caricaturas facilitistas e menores. Ou o Francisco acha que a literatura portuguesa é só Margaridas Rebelos Pintos?

Cordialmente,

João Bonifácio

3:22 da manhã  

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