27 novembro, 2007

||| Religião para fins pacíficos.
«Uma professora primária britânica que trabalhava no Sudão foi presa na capital do país, Cartum, e está sujeita a uma pena de 40 chibatadas pela acusação de blasfémia, por ter permitido aos seus alunos baptizarem um ursinho de pelúcia de Maomé.» Sei que o facto de estar a ler o livro de Christopher Hitchens pode agudizar a reacção a notícias deste tipo, mas enfim.
[FJV]

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14 outubro, 2007

||| Elogio.
O João Gonçalves comentou o «assunto Fátima» no seu blog, como católico que é. E acrescenta: «Nesta matéria sigo intransigentemente o Papa. Sou um humilde servo na vinha do Senhor que não aprecia que espezinhem a vinha.» Ele tem razão, sobretudo quando escreve que «são [os únicos posts] verdadeiramente pessoais». Pessoalmente, gosto de ortodoxos que vivem a sua ortodoxia sem tentarem impor a sua ortodoxia aos outros. Privei com alguns e guardo uma boa imagem dessa tentativa de viver a ortodoxia sem proselitismo; esses meus amigos vão à sinagoga, à missa ou à mesquita, seguem as interdições, os riscos, os limites – e obedecem. Invejo alguns deles; conhecem o sentido da palavra abnegação, sabem o significado da palavra disciplina. Comem kosher e cumprem as obrigações de Shabbat; sorriem diante da heresia e não se enfurecem com a vida dos goyim (גוים). É o caminho mais difícil e devemos respeitá-lo. Gosto desse silêncio, dessa intimidade, dessa «matéria pessoal». É um caminho ainda mais digno do que o «espectáculo da ortodoxia». Gosto da memória de Meah Shearim embora o espectáculo seja muitas vezes oportunista; não é o meu mundo mas devo respeitá-lo. É a sua ilha, a sua cidade, o seu muro. Para muitos é a sua vaidade, infelizmente, e a sua fúria; mas para outros também é o seu sofrimento e a sua escuridão e a sua luz mais intensa.
[FJV]

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26 abril, 2007

||| Fé & Religião.
Acabo de ler O Fim da Fé, de Sam Harris (Tinta da China) e recomendo a sua leitura. A tese fundamental do livro é simples e clara: o discurso da religião e a prática das religiões constituem entraves para o entendimento humano e para a liberdade. Ao longo do livro, Sam Harris recolhe exemplos e sabe onde deve atacar. E sabe defender as suas ideias. Os que seguem à risca a doutrina interpretativa de Russell Kirk sobre Burke (que é claustrofóbica e anacrónica), por exemplo, não se dão conta do peso abominável da herança religiosa sobre a política. Sam Harris e Andrew Sullivan, de perspectivas completamente diferentes (Harris é ateu, Sullivan é católico), têm uma experiência que os clássicos não tiveram: enfrentar o fundamentalismo religioso cristão nos EUA. Não é por acaso que ambos lhe dedicam muitas páginas nos seus livros; esse fundamentalismo constitui uma verdadeira caça às bruxas na política. Um liberal à moda antiga não pode desculpar a perversão em que se transformou essa tara religiosa.

Para ler o debate Sullivan/Harris.

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25 abril, 2007

||| De facto.
Via JCD, o caso da condenação à morte de Ayann Hirsi Ali, a autora do argumento da curta-metragem Submissão, que custou a vida ao realizador Theo van Gogh. O imã Fouad El Bayly, que vive nos Estados Unidos, acaba de dizê-lo: «If you come into the faith, you must abide by the laws, and when you decide to defame it deliberately, the sentence is death.» Aqui.

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