24 novembro, 2007

||| Acordo ortográfico.
Tanto me faz. O «acordo ortográfico» para a Língua Portuguesa não faz mais do que alterar a grafia de 0,45% de palavras escritas em português do Brasil e menos de 2% do português de Portugal (sendo o «português europeu» o padrão dos países africanos). Por isso, reparo agora nesta coisa esdrúxula de a ministra da Cultura portuguesa pedir uma moratória de 10 anos para a adopção integral do acordo. Quatro anos no Brasil, dez anos em Portugal?

Também acho estranho que a SPA e a APEL insistam em iniciar agora um período de discussão alargado e um «debate público e institucional sobre a matéria». Desde 1990 que o protocolo inicial está assinado para ratificação política depois de dez anos de elaboração das bases pela Academia de Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras. E houve debate público, na imprensa, nas faculdades, nas «instituições».

O pior dos argumentos dos defensores do Acordo: «Os inimigos do Acordo acham que a ortografia é uma coisa sagrada, que seria pecado alterar». Em certa medida, a ortografia devia ser sagrada e respeitada; mas ser sagrada e respeitada não significa ser inalterável de acordo com o costume, que é um valor a ter em conta.

O pior dos argumentos dos adversários do Acordo: «Não me roubem o c de insecto ou o p de baptismo». Na verdade, tanto o c como o p dessas palavras não se pronunciam. Batista já não é Baptista há tempos. No Brasil idéia e vôo passarão a ideia e voo. E ficarão sem o trema de tranqüilo (com os lamentos de João Ubaldo Ribeiro, que dorme abraçado ao trema).
[FJV]

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3 Comments:

Blogger Guimaraes said...

Se uma língua é imutável é porque está morta. O Português, como língua viva e resultante de diversos aportes culturais, de que só nos devemos orgulhar, é natural mente uma língua em constante evolução, cuja ortografia deve ser objecto de renovação normativa sempre que necessário e oportuno.

10:44 da tarde  
Blogger Joaquim Luís Mendes Gomes said...

Quando desaparecerem deste mundo os últimos baluartes de cultura que ainda temos, os da geração de sessenta...oa língua portuguesa corre sério risco de ir na enxurrada...porque não haverá quem a defenda e a prenda às margens do seu leito. Desfazer-se-á no lodaçal descaracterizado do brasileiro que, pode ser muito perfumado para o Brasil, mas não é o nosso...Defendo tenazmente o respeito pelas nossas raizes luinguísticas...olho para as palavras como a continuação dum ramo que se prende a um tronco vivo. Com a sua história e as suas ramagens próprias. Não quero ver a minha língua vestida de trapos...deixados nas valetas... ou despida da roupagem que lhe pertence. A modernização louca é desvairada...corre atrás do que reluz...mas não é oiro.
Não sei se o FJV agora...( antes parecia-me do meu lado...)já está a defender a consumação deste acordo...corrosivo e destinado que pretendem impor ao meu País!


JLMG

3:07 da tarde  
Blogger Shelyak said...

Subscrevo na íntegra!

12:33 da tarde  

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