06 junho, 2006

||| Incêndios. {Actualizado}
Há uma coisa que não percebo nisto dos incêndios. Não estava previsto que tínhamos meios e que ia estar tudo mais atento?

Escreve Duarte Moral, assessor de imprensa do Ministro António Costa (além de meu amigo e blogger):
1. É verdade que temos mais meios do que sempre. Basta consultar os dados comparativos dos anos anteriores com este. E, sobretudo, vamos ter uma reserva de meios próprios, não alugados e que estarão sempre ao nosso dispor. Mas o dispositivo, como compreenderás, não pode ser sempre o mesmo, todo o ano. Tem que ser adaptado ao risco. Talvez o País ficasse impressionado se tivesse noção do que é que se gasta para ter esse dispositivo. E, das duas uma. Ou se tem, e se paga. Ou não se tem e não se paga. E se se quer ter mais, paga-se ainda mais.
2. Se verificares no site http:// incendiosflorestais.snbpc.pt tem havido quase trezentos incêndios por dia e muito poucos têm ultrapassado a fase do fogacho, o que significa, objectivamente, que tem havido eficácia no combate à maioria deles, que têm sido apagados logo no início.
3. Este ano, a directiva operacional tem uma estratégia que passa pela utilização dos meios aéreos sobretudo na primeira intervenção, para tentar apagar fogos ainda no seu início. Quando os fogos ganham alguma proporção, os meios aéreos deixam de ser eficazes (é como tentar apagar uma lareira com um conta-gotas...) e devem concentrar-se a apagar outros fogos nascentes. Nessa altura, só o combate terreste faz sentido. Não perceber isto é ceder ao populismo e aos impulsos mais primários das pessoas, certamente compreensíveis, mas para quem o fogo que está à porta de sua casa é sempre o fogo mais importante do mundo. É também a isso que o teu
post sobre incêndios parece ceder. É por isso que a gestão dos meios aéreos deve estar a cargo não de políticos, ou de jornalistas, ou de populares, mas de técnicos que saibam o que estão a fazer e tenham uma visão global da situação.
4. Poderás dizer certamente muita coisa sobre aspectos estruturais da questão florestal em Portugal, sobre questões da prevenção, etc, etc. Mas quando a casa arde, só se lembram das questões que têm a ver com o combate.

5 Comments:

Blogger Tiago Damião said...

Caro FJV, visite o www.fractura-exposta.blogspot.com .

Um abraço

4:20 da tarde  
Blogger Gabriel said...

Muito interessante.
Essa do conta-gotas é o chavão , o soundbite do dia: ver http://ablasfemia.blogspot.com/2006/06/chamuscado.html

E já agora pergunta-se, se for verdade que «É por isso que a gestão dos meios aéreos deve estar a cargo não de políticos, ou de jornalistas, ou de populares, mas de técnicos que saibam o que estão a fazer e tenham uma visão global da situação.»

Então como se explica, isto:
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1259906&idCanal=75

«O segundo comandante do Serviço Nacional de Bombeiros, Joaquim Leitão, admitiu que só na madrugada de hoje as autoridades portuguesas perceberam que precisavam da ajuda de meios aéreos espanhóis para controlar o incêndio de Barcelos, que deflagrou no domingo.
"Considerávamos que durante a madrugada do dia de hoje a situação estaria resolvida", disse o segundo comandante do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC).
De acordo com o responsável, um dos aviões Canadair já está em Portugal, aguardando-se a chegada de um segundo.
"Temos de tirar a ideia de que os meios aéreos são sempre a solução do problema", afirmou.»

É que se «temos de tirar da ideia que os meios aéreos são sempre a solução para o problema» porque é que foram chamados os canadair? (como sempre exigiram os ditos populares? E da competência dos tais não-politicos, não-jornalistas, não-populares, o texto é também bastante elucidativo: «Consideravam» que estaria extinto de madugada, mas não estava. E portanto... toca de chamar os conta-gotas!

Ora quando os fogos, quando atingem certas proporções «Nessa altura, só o combate terreste faz sentido. Não perceber isto é ceder ao populismo e aos impulsos mais primários das pessoas»

Lá está, cederam ao populismo e aos impulsos primários. Certo?

5:12 da tarde  
Blogger enxofre said...

o combate (ou falta dele) aos incêndios florestais percebe-se no terreno. a trapalhada da floresta portuguesa percebe-se em qualquer lado.

deixem arder, camaradas! são eucaliptos... aqui a serra de valongo está cheia deles (mais os típicos pinheiros fora de moda), já tenho a minha lira aqui preparada para este verão!

5:45 da tarde  
Blogger al cardoso said...

Realmente comecamos lindamente, e ainda so estamos em comecos de Junho. Se os senhores governantes realmente acham, que so se deve usar os meios aereos em principio de incendio, invistam mais em vigilancia e atuem mais rapido.
Ja agora expliquem-me a mim que sou estupido; se so se deve usar os meios aereos em principios de incendio, porque razao em Barcelos os usaram ao fim de tres dias e nao no inicio do incendio? Parece que a explicacao do conta gotas esta bem difundida, pois depois do ministro, agora tambem o secretario de estado veio com a mesma. Haja paciencia para aturar estes imcompetentes!

8:45 da manhã  
Blogger sem-fe said...

Explique-me uma coisa: por que raio é que o Governo de um Estado LAICO pede à ICAR colaboração no combate aos fogos???? (obviamente e como é costume em troca de uns milhares largos e de uma vasta propaganda)
Será que vão pôr os padres a apagar fogos?? Será que temos o Estado (LAICO!!!!) a pagar para essa cambada de imbecis se pôr arezar para que aja chuva quando vierem os fogos??? será que vamos tyer que apanhar com esta corja por muito mais tempo??

9:41 da manhã  

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