29 maio, 2006

||| Paizinhos na escola.
No artigo de hoje do JN comenta-se o pacote de ideias anunciadas por Jorge Pedreira, secretário de Estado da Educação, para «a avaliação de professores». O aspecto mais criticável desse pacote, à primeira vista, é a hipótese de os pais & encarregados de educação poderem ser chamados a avaliar os professores. Nem a brincar.
Também o Jansenista está contra.

7 Comments:

Blogger sabine said...

Nao conheço ninguem que seja a favor desta lei. Avaliaçao sim. Pais nao.

5:14 da tarde  
Blogger Politikos said...

Tem por aqui um que é favorável, sabine. Não que os pais «façam» a avaliação mas que os pais tb «participem» na avaliação dos professores, ou seja, que a avaliação dos pais também conte para alguma coisa. E, por favor, não me diga que os pais não têm competência para avaliar os professores que isso não colhe. Eu escolho o advogado x e não o advogado y ou o médico x e não médico y e não sou jurista, nem médico...

7:10 da tarde  
Blogger maloud said...

Há 7 anos tive dificuldade em que uma escola do Porto, a 3ª melhor do ranking no 1º ano em que este foi publicado, reprovasse um filho meu no 9ºano. Eu achava que ele não estava preparado para transitar para o 10ºano, a escola achava que não era dos piores. Isto obrigou a várias audiências com a directora de turma e, por fim, a uma carta dirigida ao Conselho Directivo, em que sustentava o meu ponto de vista. Depois de uma odisseia de cerca de um mês, lá consegui que o rapaz fosse reprovado. Deixo este episódio caricato à vossa consideração.

10:45 da tarde  
Blogger Augusto martins said...

Quando os paisinhos dos alunos começarem a avaliar os docentes, as estatísticas do nosso sistema de ensino vão superar todas as melhores deste globo. Mas é isso que a ministra quer. Ou não?

Alguém já esteve nalguma reunião escolar de avaliação dos filhos (aquelas que se fazem no fim de cada período escolar)e viu a figura triste de muitos paisinhos a colocarem as mãos no fogo pelo filhinhos, alguns (pais)sabendo, mas não querendo admitir, outros desconhecendo em absoluto que os seus filhos estão nos antípodas daquilo que eles dizem que eles são ou querem que eles sejam. Esta experiência só a avaliada com o distanciamento requerido, por quem é pai e docente simultaneamente.

10:21 da manhã  
Blogger Politikos said...

1.º Na maioria dos países da Europa os «paisinhos» já avaliam os «profes»;
2.º Há figuras tristes de «paisinhos» tal como há «figuras tristes» de «profes», uns e outros podem eventualmente acumular o facto de fazerem «figuras tristes», com o facto de serem «tristes figuras»;
3.º O facto de se ser «profe» não causa qualquer distanciamento em relação a esta questão, muito pelo contrário, torna o «profe» juiz em causa própria;
4.º Um pequeno exemplo: 2004, escola secundária no centro de Lisboa, 10.º ano, análise aos testes, fichas de avaliação, fichas de trabalho, etc. - nenhuma delas (a meu ver), e eram várias dezenas, cumpria o mínimo de proficiência na utilização das TIC (ferramentas básicas do Office: Word, Excel, Paint, etc.): nem a «profe» de TIC escapava, pois fazia testes e fichas sem utilizar o corrector ortográfico, de onde eram frequentes os erros ortográficos mais grosseiros.
É, por exemplo, disto que se fala, quando se fala na avaliação dos «profes»?
É bom mesmo que os «profes» se vão preparando. Como dizia o outro, «habituem-se».
Qualquer formador no final de uma acção de formação é avaliado, porque é que os «profes» hão-de ser diferentes?

1:15 da tarde  
Blogger Rui said...

A questão da avaliação feita pelos pais (e do problema do conflito de interesses que aqui se põe) é absolutamente insignificante ao lado da gravidade de outras propostas do mesmo documento.
Por exemplo, para mim o pior é o artº 111, através do qual o Governo acha que pode mandar na minha vida privada (e, por exemplo, impedir-me de fazer trabalho voluntário que não seja na área da educação)!

4:18 da tarde  
Blogger soledade said...

Concordo com o Rui.
A avaliação pelos pais, nos moldes em que se configura, terá efeitos perniciosos, mas também me preocupa mais o artigo 111 - é claramente uma ingerência na vida privada. Talvez se entenda: serão poucos os professores, no futuro(afinal trata-se de conseguir pouca mão de obra, muito barata, a trabalhar desenfreadamente) e convirá mantê-los dentro do sistema: controlados.

1:07 da tarde  

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