||| O Estado, que sabe tudo de nós.
A ideia de que a família é a célula da sociedade não me incomoda, mas não tenho nada a ver com o assunto. Mas a de que as famílias numerosas são a célula da sociedade e devem ser premiadas pelo facto de serem numerosas, é muito criticável. Penalizar os celibatários, casais sem filhos, casais com um ou dois filhos -- diante das famílias com seis ou sete --, já devia fazer-nos pensar mais neste Estado que sabe tudo de nós. Porque não é apenas uma questão de baixa natalidade, fiscalidade ou de segurança social. É uma discriminação negativa para quem opta por viver como quer viver. O Estado que vá ter filhos onde quiser.
A Origem das Espécies
We have no more beginnings. {George Steiner}






4 Comments:
E não deixa de ser curioso como muitos dos defensores dos valores da família que por aí pululam exaltando as virtudes das famílias numerosas acabam por viver encostados a ideologias de extrema direita, esquecendo que as famílias mais numerosas acabam por ser, regra geral, as dos imigrantes dos PALOP.
Claro, meu caro! Desde que esse mesmo Estado lhe garanta polícias para o guardarem, médicospara lhe tratarem da saúde, trabalhadores para lhe construírem as estradas por onde circula no seu BMW, etc, etc.
Claro, claríssimo!
Desde que os filhos dos outros vão pagando a minha reforma e outras regalias, estou-me borrifando. Olha que ideia tão tola, discriminar positivamente os pais dos futuros contribuintes líquidos do sistema.
Como se diz por aí, é tudo uma questão de economia. Há quem teime em não ver a trave, colocando o cisco da liberdade de decisão individual à frente de tudo. E que quando chegam ao abismo, declaram que está na hora de dar o proverbial passo em frente. Felizmente, a demografia é cega e encarregar-se-á de corrigir estas mentes brilhantes.
Parece que o legislador deixou de ler Malthus e passou a ouvir os Ena Pá 2000 ("p'ra dentro, p'ra fora..." - e mais não transcrevo)
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