22 outubro, 2005

||| Neo-colonialismo.













A Carta Capital, uma boa revista brasileira que começou por ser apenas de economia, publicou um texto de Miguel Sanches Neto com queixinhas sobre os escritores portugueses, intrusos no Brasil, e com uma inabitual lengalenga sobre neo-colonialismo (que o governo português envia hordas de escritores para o Brasil) e nacional-proteccionismo (que o português do Brasil é melhor do que português europeu -- o que tem uma raiz verdadeira, mas dito assim...). Como este blog está à vontade em matéria brasileira e luso-brasileira, acho que o texto era medíocre, invejoso e senil. O embaixador português no Brasil, Francisco Seixas da Costa, achou que o assunto merecia um reparo. Está aqui a sua resposta, na íntegra. Boa diplomacia também é isto: responder quando alguém pergunta alguma coisa.

PS - Infelizmente, o texto de Sanches Neto não está online.

4 Comments:

Blogger UGAJU said...

Depois de ler a resposta... a gargalhada ecoou! Esta estória faz-me lembrar os adultos que culpam os pais do insucesso profissional! Ele há gerações...

1:19 da tarde  
Blogger bruno said...

também, não mandei ler carta capital hehe
essa lenga lenga é bem presente no ambiente acadêmico brasileiro (é sempre melhor botar a culpa no componente externo)...
falando em boa revista brasileira, sugiro a Primeira Leitura (está .. um pouco mais à direita que a CC)

10:05 da tarde  
Blogger Francisco J. V. said...

Caro Bruno: a Primeira Leitura é leitura permanente do blog. Veja o post «Aprendam», dois posts abaixo...

11:54 da tarde  
Blogger Rogério Charraz said...

Caro Francisco,

A mim confesso que não me deu muita vontade de rir. Pelo contrário, indignou-me e irritou-me. E porquê? Porque não é preciso ser muito atento para perceber que esta via cultural entre Portugal e Brasil só tem um sentido, ou quase.
Se pensarmos na música, facilmente constatamos que a oferta de musica brasileira no mercado português é tão vasta que cobre desde a melhor MPB (Jobim, Caetano, Gil, Chico, Vinicius, etc.), ao popularucho Axé, passando pelos nomes emergentes (Zelia Duncan, Maria Rita, Zeca Baleiro, Lenine, etc.) ou até por estilos mais específicos como a música romântica ou a musica tradicional brasileira.
Ou seja, basta entrar numa qualquer loja de discos em Portugal para se encontrar muita e variada música brasileira. E espreitando o cardápio das salas de espectáculo cá do burgo, não há um único mês em que não passe por cá o Djavan, ou a Simone, ou o Tom Zé ou outro qualquer músico brasileiro.
Agora pergunto eu, quantas lojas do Brasil têm discos do Fausto, do Sérgio Godinho, dos Trovante, dos Clã, dos Blind Zero, do Marco Paulo, do Emanuel, do Tony Carreira, do Rui Veloso, do Luis Represas, da brigada Victor Jara, etc.? Quantos destes músicos (como repararam tentei ser o mais abrangente possível) tocaram no Brasil nos últimos cinco anos?
E a musica é só um exemplo. Se pensarmos na literatura, na televisão, no futebol, no mercado de trabalho é conclusão é exactamente a mesma.
E quando, finalmente, começam a aparecer os primeiros indícios de reciprocidade logo se levantam vozes de protesto? É bom que não nos calemos nem deixemos passar em branco. E é bom que o exemplo venha de cima, para variar!
Perdoem-me o desabafo e o modo impulsivo desta escrita.
Um abraço,

Rogério Charraz

1:08 da tarde  

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