05 outubro, 2005

||| Al Berto












A RTP-Memória está a retransmitir um programa antigo com Al Berto. A certa altura Al Berto lê um poema de Uma Existência de Papel, e sinto um arrepio. Nestas imagens ele é novo, tem aquela austeridade marcada no olhar, os olhos abrem-se, as mãos mexem-se pouco. Ele não agitava muito as mãos -- conhecia o poder da sua própria voz, não precisava de adereços. Fiz a última entrevista de Al Berto para a televisão e lembro-me de uma passagem: «Vai ter saudades?» «Vou. Vou ter saudades das coisas que amo. Dos meus papéis, das vozes que amei, da luz do mar. Mas estou preparado.» Nós é que nunca estivemos preparados, realmente. Nem hoje estou.

3 Comments:

Blogger anarresti said...

Passamos bem sem mitos nascidos de mortes prematuras. E, e pensarmos nos que nos têm morrido nestes ultimos tempos acabamos por achar que são sempre prematuras as mortes. Não, nunca estamos preparados. Como nos podemos preparar para ficar sem o Al Alberto, sem o Herberto Helder, ou mais recentemente sem a Sophia de Mello Breyner Andersen e o Eugénio de Andrade. Homens e mulheres assim, que nos deram o que nos deram, sentimos que estão sempre na "flor da idade". Nunca estamos preparados. http://troblogdita.blogspot.com

11:13 p.m.  
Blogger paulo pisco said...

Mesmo perante o inevitável, a verdade é que nunca estamos preparados.

11:15 p.m.  
Blogger Vítor Leal Barros said...

“Aterrador foi ter-me apercebido o que havia neste livro de premonitório. A eternidade não é lerem-me dentro de 50 ou 60 anos ou ficar na história da literatura portuguesa. Só espero que meia dúzia de doidos me leiam agora e isso os toque. A eternidade é uma permanência da força que está dentro de nós”. Al Berto

talvez se lhe escutarmos as palavras seja mais fácil

4:19 a.m.  

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