27 dezembro, 2005

||| Queixinhas.
As rádios e as televisões encheram-se de declarações de protesto por causa de uma entrevista de Cavaco Silva ao Jornal de Notícias. Não me admira, porque os cavalheiros não têm assunto para mais. Esta «frente comum» aproveitou meio parágrafo para ressuscitar «a ameaça do monstro» e para demonstrar como estão unidos e combativos. Não estão. Não combateram nada. Não avançaram uma ideia, um protesto, uma frase adversativa (Gomes Canotilho, que poderia falar sobre o assunto, limitou-se a generalizar sobre «estilos presidenciais»). Limitaram-se a uma «aparição especial», denunciando «indícios», oh coisa vergonhosa, para aparecerem no meio de uma campanha eleitoral fastidiosa e longa demais, na ressaca do Pai Natal. Mas, em vez de discutirem, de debaterem, de desaprovarem, de contrapor -- queixaram-se aos eleitores. São queixinhas. Não são para levar a sério.

PS - Bastaria uma vista de olhos aos discursos de Soares enquanto foi presidente, a algumas aparições de Sampaio, ou às ameaças de Alegre sobre dissolução do Parlamento, para desvalorizar as queixinhas.

Adenda: completamente de acordo com João Gonçalves. Que ideia teria passado pela cabeça de Cavaco para vir meter-se em irrelevâncias?

3 Comments:

Blogger av said...

queixinhas!

8:26 da manhã  
Blogger Mariana said...

Bem visto! Até porque trabalho não é com aqueles senhores!

10:37 da manhã  
Blogger andarilho said...

Cavaco limitou-se a clarificar uma ideia que lhe parecia pouco rigorosa. Todo o mundo lhe caiu em cima. É curioso o silêncio do Primeiro-Ministro o principal atingido pela sua eleição. O homem quer verdadeiramente ajuda. E o Cavaco tem aquela autoridade de saber feita que tranquiliza o eleitor-médio. Porque existiu Salazar já se perguntou? Procuro responder a isso no meu blog. Até por que o vejo de longe, de fora do país. Visite-o um dia destes (http://exiliodeandarilho.blogspot.com).

1:55 da tarde  

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